Publicação
Estudos sobre parasitismo gastrointestinal e pulmonar em javalis e veados caçados em montarias do centro e sul de Portugal Continental
| Resumo: | As infeções parasitárias são comuns nos ungulados silvestres, contudo a presença de coinfecções entre helmintes e outros agentes pode potenciar a sua patogenicidade. Neste estudo, foi investigada a presença de parasitas gastrointestinais e pulmonares em javalis e veados provenientes de área epidemiológica de risco de tuberculose bovina (TB), de forma a compreender se os endoparasitas contribuem para a manutenção da infeção por Mycobacterium bovis. Recorreu-se à colheita de 124 amostras fecais de animais caçados na sub-região do Baixo Alentejo (n=73), Beira Interior Sul (n=7) e Lezíria do Tejo (n=44), sendo que as duas primeiras sub-regiões pertencem à área epidemiológica de risco de TB em caça maior. As amostras foram armazenadas à temperatura de refrigeração (5ºC) ou de congelação (-18ºC) e foram efetuados testes coprológicos de flutuação de Willis, sedimentação simples, McMaster, coprocultura em copo para isolamento de larvas no 3º estádio (L3) de nemátodes estrongilídeos gastrointestinais (EGI), método de Baermann para pesquisa de larvas no 1º estádio (L1) de nemátodes pulmonares e esfregaço fecal para pesquisa de Cryptosporidium spp. e Giardia sp. Recorreu-se à análise de risco entre os parasitas encontrados (variáveis dependentes) e a conservação da amostra, sub-região, idade e sexo do animal (variáveis independentes). Nos testes coprológicos verificou-se que as amostras refrigeradas se encontravam mais parasitadas do que as congeladas e como a conservação da amostra era um fator de risco, recorreu-se à separação das amostras em amostras refrigeradas e amostras congeladas. Na grande maioria dos animais detetou-se infeção parasitária (78,3%) em 83 animais, sendo a proporção maior nos javalis do que nos veados. Nas amostras refrigeradas de javali (n=43) observou-se a presença de EGI (97,7%), Cryptosporidium spp. (69,8%), Metastrongylus spp. (34,9%), coccídias (30,2%), Trichuris suis (14,0%), Fasciola hepatica (7,0%), Ascarídeos (4,7%) e os quistos de Giardia sp. não foram observados. Através da coprocultura observou-se L3 de Oesophagostomum spp. Com significado estatístico, animais do Baixo Alentejo têm uma probabilidade de excreção de oocistos de coccídias 3 vezes maior do que os da Lezíria do Tejo. A probabilidade de infeção por coccídias e de excreção de oocistos de Cryptosporidium nos jovens é 6,7 e 13,5 vezes maior do que em adultos, respetivamente. As amostras congeladas de javali eram de animais infetados e não infetados com TB, em que 62,5% encontravam-se parasitados. Ainda nas amostras congeladas de animais não infetados com TB encontrou-se 3 tipos de helmintes: EGI (25%), Fasciola hepatica (6,3%) e Ascaris suum (12,5%); e nas amostras congeladas de animais infetados com TB observou-se 4 tipos de helmintes: EGI (41,7%), Metastrongylus spp. (33,3%), família Eimeriidae (20,8%) e Balantidium spp. (4,2%). Nas amostras refrigeradas de veado (n=34), os ovos de EGI foram os mais assinalados (73,5%), seguindo-se outros parasitas com uma presença muito inferior, Eimeria spp. (17,6%), Strongyloides sp. (14,7%), oocistos de Cryptosporidium spp. (11,8%) e ainda 5,9% para Moniezia benedeni, Trichuris spp. e Fasciola hepatica. Os quistos de Giardia spp. não foram observados no veado. Através do método de Baermann em fezes de veados observaram-se larvas L1 de Elaphostrongylus sp. (26,5%) e de Varestrongylus sp. (11,8%). Na coprocultura observou-se L3 de Ostertagia spp. e Oesophagostomum spp.. Com significado estatístico, os veados positivos a TB tinham 5 e 16,5 vezes mais probabilidade de excreção de ovos de estrongilídeos e de oocistos de Cryptosporidium spp., respetivamente, podendo revelar que os animais infetados com TB têm um sistema imunitário debilitado. Com este estudo, foi possivel concluir que os parasitas têm um papel importante na manutenção da tuberculose bovina em javalis e veados. |
|---|---|
| Autores principais: | Bernardino, Sara Maria de Sousa |
| Assunto: | Javali veado Mycobacterium bovis coinfeção nemátodes gastrointestinais nemátodes pulmonares coccídias área epidemiológica de risco para tuberculose bovina Portugal Wild boar red deer coinfection gastrointestinal nematodes pulmonary nematodes coccidian epidemiological area of bovine tuberculosis risk |
| Ano: | 2017 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As infeções parasitárias são comuns nos ungulados silvestres, contudo a presença de coinfecções entre helmintes e outros agentes pode potenciar a sua patogenicidade. Neste estudo, foi investigada a presença de parasitas gastrointestinais e pulmonares em javalis e veados provenientes de área epidemiológica de risco de tuberculose bovina (TB), de forma a compreender se os endoparasitas contribuem para a manutenção da infeção por Mycobacterium bovis. Recorreu-se à colheita de 124 amostras fecais de animais caçados na sub-região do Baixo Alentejo (n=73), Beira Interior Sul (n=7) e Lezíria do Tejo (n=44), sendo que as duas primeiras sub-regiões pertencem à área epidemiológica de risco de TB em caça maior. As amostras foram armazenadas à temperatura de refrigeração (5ºC) ou de congelação (-18ºC) e foram efetuados testes coprológicos de flutuação de Willis, sedimentação simples, McMaster, coprocultura em copo para isolamento de larvas no 3º estádio (L3) de nemátodes estrongilídeos gastrointestinais (EGI), método de Baermann para pesquisa de larvas no 1º estádio (L1) de nemátodes pulmonares e esfregaço fecal para pesquisa de Cryptosporidium spp. e Giardia sp. Recorreu-se à análise de risco entre os parasitas encontrados (variáveis dependentes) e a conservação da amostra, sub-região, idade e sexo do animal (variáveis independentes). Nos testes coprológicos verificou-se que as amostras refrigeradas se encontravam mais parasitadas do que as congeladas e como a conservação da amostra era um fator de risco, recorreu-se à separação das amostras em amostras refrigeradas e amostras congeladas. Na grande maioria dos animais detetou-se infeção parasitária (78,3%) em 83 animais, sendo a proporção maior nos javalis do que nos veados. Nas amostras refrigeradas de javali (n=43) observou-se a presença de EGI (97,7%), Cryptosporidium spp. (69,8%), Metastrongylus spp. (34,9%), coccídias (30,2%), Trichuris suis (14,0%), Fasciola hepatica (7,0%), Ascarídeos (4,7%) e os quistos de Giardia sp. não foram observados. Através da coprocultura observou-se L3 de Oesophagostomum spp. Com significado estatístico, animais do Baixo Alentejo têm uma probabilidade de excreção de oocistos de coccídias 3 vezes maior do que os da Lezíria do Tejo. A probabilidade de infeção por coccídias e de excreção de oocistos de Cryptosporidium nos jovens é 6,7 e 13,5 vezes maior do que em adultos, respetivamente. As amostras congeladas de javali eram de animais infetados e não infetados com TB, em que 62,5% encontravam-se parasitados. Ainda nas amostras congeladas de animais não infetados com TB encontrou-se 3 tipos de helmintes: EGI (25%), Fasciola hepatica (6,3%) e Ascaris suum (12,5%); e nas amostras congeladas de animais infetados com TB observou-se 4 tipos de helmintes: EGI (41,7%), Metastrongylus spp. (33,3%), família Eimeriidae (20,8%) e Balantidium spp. (4,2%). Nas amostras refrigeradas de veado (n=34), os ovos de EGI foram os mais assinalados (73,5%), seguindo-se outros parasitas com uma presença muito inferior, Eimeria spp. (17,6%), Strongyloides sp. (14,7%), oocistos de Cryptosporidium spp. (11,8%) e ainda 5,9% para Moniezia benedeni, Trichuris spp. e Fasciola hepatica. Os quistos de Giardia spp. não foram observados no veado. Através do método de Baermann em fezes de veados observaram-se larvas L1 de Elaphostrongylus sp. (26,5%) e de Varestrongylus sp. (11,8%). Na coprocultura observou-se L3 de Ostertagia spp. e Oesophagostomum spp.. Com significado estatístico, os veados positivos a TB tinham 5 e 16,5 vezes mais probabilidade de excreção de ovos de estrongilídeos e de oocistos de Cryptosporidium spp., respetivamente, podendo revelar que os animais infetados com TB têm um sistema imunitário debilitado. Com este estudo, foi possivel concluir que os parasitas têm um papel importante na manutenção da tuberculose bovina em javalis e veados. |
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