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Sucessos e insucessos de uma experiência pedagógica com jovens em risco de exclusão escolar

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Resumo:1.1 CONTEXTO GERAL DA TEMÁTICA EM ESTUDO O abandono escolar precoce impõe-se, cada vez mais, como um problema social extremamente preocupante e que urge resolver. A sua prevenção é, por isso, uma prioridade que deve ser assumida pela sociedade e, em particular, pelos profissionais de educação que diariamente trabalham com jovens em situação de risco. Em Portugal o estudo desta problemática é da maior pertinência. Realmente, com uma taxa de abandono próxima dos 10% (mais de trinta mil crianças por ano) e com uma taxa de desistência após o 9 ano superior a 40%, a situação portuguesa foi considerada alarmante pelos peritos responsáveis pelo "Relatório Europeu sobre a Qualidade da Educação Escolar" (DAPP 1998- DAPP, 1999; T. Silveira 2000, 10 de Janeiro; M.J.Margarido 2000, 6 de Junho). O interesse pela abordagem desta temática, que no presente capítulo procurarei inserir dentro de um contexto social mais amplo, aparece assim plenamente justificado; 1.1.1. EXIGÊNCIAS EDUCATIVAS DA SOCIEDADE DO CONHECIMENTO No momento actual de modernização e globalização da economia, a educação e a formação assumem uma importância muito maior do que no passado. Com efeito, o novo paradigma do sistema social e produtivo, ao centrar-se na qualidade das pessoas, pressupõe e exige uma base sólida de educação qualificante para todos. Na verdade, contrastando com as exigências requeridas pelas linhas de produção características da era industrial, os postos de trabalho de amanhã necessitarão de indivíduos que saibam enquadrar problemas, definir tarefas, planear, construir e avaliar resultados, e cooperar na procura de soluções inovadoras (Drucker cit. em Darling-Hammond, 1993). Por conseguinte, haverá cada vez menos espaço para aqueles que não consigam lidar com a complexidade, que não estejam preparados para procurar e utilizar novos recursos e que não invistam continuadamente na aprendizagem de novas tecnologias, abordagens e ocupações (Murphy, 1993; Barbosa 1999, 8 de Julho; Carneiro, 1999, 1 de Novembro). Esta situação inevitável afectará, a curto-prazo, todos os indivíduos e modos de vida, provocando tanto menos desequilíbrios quanto mais alargada for a consciência de cada cidadão para enfrentar as mudanças e, sobretudo, quanto maior for a sua preparação para intervir na construção desse futuro (M.E., 1995). É, por isso, urgente incentivar as escolas a criarem ambientes que permitam a todos os "aprendentes" construir o seu próprio conhecimento e desenvolver os seus talentos de forma eficaz, poderosa e adaptada às novas exigências do nosso tempo, pois, cada vez é mais evidente que as aprendizagens reais constituem o melhor seguro de vida para um futuro onde não haja lugar para a exclusão (Perrenoud, 1992; Benavente, 1993; Benavente et al., 1994). Estas novas tendências da educação requerem que se modifique o sistema de ensino dando-lhe flexibilidade suficiente para se ocupar de todos os alunos com um certo nível de qualidade. No entanto, apesar de em democracia atender à diversidade e às diferenças ser não só uma questão de respeito pelo outro mas também uma questão de fundo na construção da sociedade, no campo educativo esta é uma preocupação que ainda não se generalizou. Por conseguinte, torna-se indispensável ensaiar novos processos e formas de organização que encorajem o sistema a focalizar-se mais nos alunos, nos seus problemas e nas suas necessidades. Actualmente, pelo menos ao nível europeu, existe uma quase unanimidade na opção pela descentralização e pelo considerar a escola como uma unidade de referência determinante na construção de políticas educativas eficazes (Laderriere, cit em Fontoura, 1999). Acredita-se que os estabelecimentos de ensino, no exercício da sua autonomia, tenderão a criar e desenvolver projectos educativos próprios que, utilizando recursos diversificados e actualizados, contribuirão para substituir as pedagogias discursivas pelas vivências e para desencadear o desenvolvimento de competências pessoais, tão necessárias para uma adaptação à evolução acelerada da sociedade em que hoje vivemos (M.E., 1995). A reforma educativa portuguesa inseriu-se nesta perspectiva. Com efeito, no conjunto de princípios gerais consignados na Lei de Bases do Sistema Educativo preconizou-se o desenvolvimento do currículo em função da realidade escolar e explicitaram-se procedimentos que implicavam directamente a "descentralização", a "desconcentração" e a "diversificação das estruturas e das acções educativas". (...)
Autores principais:Mata, Isabel Maria Duarte de Sousa Figueira, 1957-
Assunto:Teses de mestrado - 2000 Sucesso escolar Processos e estruturas educativas Professores - Formação Exclusão escolar Insucesso escolar Jovens
Ano:2000
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa

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