Publicação
Roteiros e rotas portuguesas do oriente nos séculos XVI e XVII
| Resumo: | Com a conquista de Malaca, em 1511, abriam-se as portas de um espaço novo para a expansão marítima portuguesa quinhentista. De imediato houve navios nacionais a sulcarem os mares do sul, ao longo do Arquipélago Indonésio, ou a caminho do norte até ao Pegu. Poucos anos depois tinham chegado ao Sião e à China, cruzando sucessivamente todas as rotas onde circulavam, há séculos, os mercadores orientais, alcançando a Coreia e o Japão. Quiseram montar o seu próprio sistema de comércio e de domínio, mas as circunstâncias eram bastante diferentes do Índico Ocidental, apesar de se terem ajustado pouco e pouco. Entraram no Extremo Oriente paulatinamente, como uma mancha de tinta alastra num pano de algodão, e estiveram em quase todas as rotas comerciais a leste de Malaca. Contrataram pilotos orientais, embarcaram em juncos e outros navios da região, aprenderam a governá-los e a construi-los e, sobretudo, aprenderam a navegar naqueles mares. Sulcaram as rotas dos marinheiros orientais, adaptaram-lhe as suas próprias formas de referenciação geográfica, complementaram-nas com o seu saber e descreveram-nas em roteiros detalhados que serviam aos vindouros. O objectivo deste trabalho é o estudo dessas rotas, com base nos roteiros que sobre elas foram escritos e que até nós chegaram. Os caminhos do Arquipélago, passando por Java, até às Molucas e a Timor, ou os caminhos que seguem para norte, em direcção à China e ao Japão, com todas as pequenas derivações que saem destes grandes eixos. Reunindo e comparando os roteiros disponíveis, procurarei interpretar as preocupações de quem tinha a responsabilidade de conduzir os navios num espaço muito complexo, condicionado pelas condições climáticas (monções) e, sobretudo, físicas. Um emaranhado de ilhas e baixos, com correntes traiçoeiras, que os olhos dos pilotos desvendavam pela cor da água, pela natureza do fundo, pelo aspecto das ilhas e das terras, pela latitude ou pelas distâncias estimadas. Sobretudo um mundo de muita paciência e muita sensibilidade para os sinais do oceano. |
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| Autores principais: | Matos, Luís Jorge, 1955- |
| Assunto: | Descobrimentos portugueses - séc.16-17 Navegação - séc.16-17 Roteiros - séc.16-17 Comércio - Ásia Oriental - séc.16 Teses de doutoramento - 2016 |
| Ano: | 2016 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Com a conquista de Malaca, em 1511, abriam-se as portas de um espaço novo para a expansão marítima portuguesa quinhentista. De imediato houve navios nacionais a sulcarem os mares do sul, ao longo do Arquipélago Indonésio, ou a caminho do norte até ao Pegu. Poucos anos depois tinham chegado ao Sião e à China, cruzando sucessivamente todas as rotas onde circulavam, há séculos, os mercadores orientais, alcançando a Coreia e o Japão. Quiseram montar o seu próprio sistema de comércio e de domínio, mas as circunstâncias eram bastante diferentes do Índico Ocidental, apesar de se terem ajustado pouco e pouco. Entraram no Extremo Oriente paulatinamente, como uma mancha de tinta alastra num pano de algodão, e estiveram em quase todas as rotas comerciais a leste de Malaca. Contrataram pilotos orientais, embarcaram em juncos e outros navios da região, aprenderam a governá-los e a construi-los e, sobretudo, aprenderam a navegar naqueles mares. Sulcaram as rotas dos marinheiros orientais, adaptaram-lhe as suas próprias formas de referenciação geográfica, complementaram-nas com o seu saber e descreveram-nas em roteiros detalhados que serviam aos vindouros. O objectivo deste trabalho é o estudo dessas rotas, com base nos roteiros que sobre elas foram escritos e que até nós chegaram. Os caminhos do Arquipélago, passando por Java, até às Molucas e a Timor, ou os caminhos que seguem para norte, em direcção à China e ao Japão, com todas as pequenas derivações que saem destes grandes eixos. Reunindo e comparando os roteiros disponíveis, procurarei interpretar as preocupações de quem tinha a responsabilidade de conduzir os navios num espaço muito complexo, condicionado pelas condições climáticas (monções) e, sobretudo, físicas. Um emaranhado de ilhas e baixos, com correntes traiçoeiras, que os olhos dos pilotos desvendavam pela cor da água, pela natureza do fundo, pelo aspecto das ilhas e das terras, pela latitude ou pelas distâncias estimadas. Sobretudo um mundo de muita paciência e muita sensibilidade para os sinais do oceano. |
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