Publicação
Perceção de solidão e malnutrição em idosos portugueses
| Resumo: | Introdução: A malnutrição é um problema de saúde de elevada prevalência, mas evitável entre idosos, sendo um determinante importante de morbilidade grave e mortalidade. Engloba determinantes físicos e psicológicos, realçando-se a solidão com potencial efeito de redução da ingesta alimentar. Objetivo: Caraterizar a associação entre perceção de solidão em Portugueses com mais de 64 anos, residentes em lares ou na comunidade, e a desnutrição ou o seu risco. Métodos: Trata-se de uma análise secundária de dados recolhidos no âmbito do projeto PEN-3S. O PEN-3S segue um desenho observacional transversal, com uma amostra representativa a nível nacional da população portuguesa com 65 ou mais anos, com recolha de dados mediante entrevistas face-a-face. Para os lares de idosos, foi realizada uma amostragem aleatória polietápica, por aglomerados amostrais estratificados por NUTS II. A amostra da comunidade é também probabilística, com amostragem por etapas, tendo por base listas de utentes registados em unidades de cuidados de saúde primários. Resultados: Participaram 2396 indivíduos, sendo elegíveis 928 residentes na comunidade e 577 em lares de idosos. Da amostra elegível, 22,7% encontrava-se sob risco de desnutrição ou desnutridos. Aproximadamente um quarto da amostra referiu ter sentimentos de solidão, sendo este problema mais prevalente em lares do que na comunidade (42,5% versus 14,2%). Verificou-se uma prevalência de desnutrição ou em risco de desnutrição superior nos indivíduos com sentimentos de solidão, comparativamente aos que não referiram ter esses sentimentos (41,2% versus 15,4%). No modelo de regressão em que a variável solidão percecionada é preditora de estar sob risco de desnutrição ou desnutrido (OR: 2,45; [IC95%: 1,55-3,89]), ajustando para as restantes variáveis sociodemográficas consideradas (sexo, idade, estado matrimonial, rendimento total mensal do agregado familiar e nível educacional), observou-se também que o contexto de residência em lar de idosos também aumenta esse mesmo risco. Discussão: Os dados relativos à prevalência de desnutrição ou risco de desnutrição, bem como à presença de sentimentos de solidão, foram inferiores aos encontrados noutros estudos nacionais e internacionais, podendo tal dever-se a diferenças metodológicas (nomeadamente, a critérios de elegibilidade). Confirmou-se a associação estatisticamente significativa entre o estado nutricional classificado pelo MNA® e a perceção de solidão, mesmo ajustando para diversas variáveis sociodemográficas. Vários estudos, de outros países, corroboram esta associação. Conclusão: Tanto a malnutrição como a perceção de solidão são prevalentes em idades avançadas. Compreendendo que a malnutrição é passível de ser prevenida, tratada e revertida, e que fatores como a solidão têm o potencial de a influenciar, tornam-se fundamentais as intervenções que considerem abordagens integradas, no sentido de prevenir estas condições de saúde. |
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| Autores principais: | Loureiro, Rita Santos, 1990- |
| Assunto: | Idosos Lares de idosos Comuidade Malnutrição Solidão Epidemiologia Teses de mestrado - 2020 |
| Ano: | 2020 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Introdução: A malnutrição é um problema de saúde de elevada prevalência, mas evitável entre idosos, sendo um determinante importante de morbilidade grave e mortalidade. Engloba determinantes físicos e psicológicos, realçando-se a solidão com potencial efeito de redução da ingesta alimentar. Objetivo: Caraterizar a associação entre perceção de solidão em Portugueses com mais de 64 anos, residentes em lares ou na comunidade, e a desnutrição ou o seu risco. Métodos: Trata-se de uma análise secundária de dados recolhidos no âmbito do projeto PEN-3S. O PEN-3S segue um desenho observacional transversal, com uma amostra representativa a nível nacional da população portuguesa com 65 ou mais anos, com recolha de dados mediante entrevistas face-a-face. Para os lares de idosos, foi realizada uma amostragem aleatória polietápica, por aglomerados amostrais estratificados por NUTS II. A amostra da comunidade é também probabilística, com amostragem por etapas, tendo por base listas de utentes registados em unidades de cuidados de saúde primários. Resultados: Participaram 2396 indivíduos, sendo elegíveis 928 residentes na comunidade e 577 em lares de idosos. Da amostra elegível, 22,7% encontrava-se sob risco de desnutrição ou desnutridos. Aproximadamente um quarto da amostra referiu ter sentimentos de solidão, sendo este problema mais prevalente em lares do que na comunidade (42,5% versus 14,2%). Verificou-se uma prevalência de desnutrição ou em risco de desnutrição superior nos indivíduos com sentimentos de solidão, comparativamente aos que não referiram ter esses sentimentos (41,2% versus 15,4%). No modelo de regressão em que a variável solidão percecionada é preditora de estar sob risco de desnutrição ou desnutrido (OR: 2,45; [IC95%: 1,55-3,89]), ajustando para as restantes variáveis sociodemográficas consideradas (sexo, idade, estado matrimonial, rendimento total mensal do agregado familiar e nível educacional), observou-se também que o contexto de residência em lar de idosos também aumenta esse mesmo risco. Discussão: Os dados relativos à prevalência de desnutrição ou risco de desnutrição, bem como à presença de sentimentos de solidão, foram inferiores aos encontrados noutros estudos nacionais e internacionais, podendo tal dever-se a diferenças metodológicas (nomeadamente, a critérios de elegibilidade). Confirmou-se a associação estatisticamente significativa entre o estado nutricional classificado pelo MNA® e a perceção de solidão, mesmo ajustando para diversas variáveis sociodemográficas. Vários estudos, de outros países, corroboram esta associação. Conclusão: Tanto a malnutrição como a perceção de solidão são prevalentes em idades avançadas. Compreendendo que a malnutrição é passível de ser prevenida, tratada e revertida, e que fatores como a solidão têm o potencial de a influenciar, tornam-se fundamentais as intervenções que considerem abordagens integradas, no sentido de prevenir estas condições de saúde. |
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