| Resumo: | O presente trabalho aborda alguns aspetos relacionados com o recurso à tecnologia assistida, designadamente à ortótese dinâmica, Therasuit (TS), como meio facilitador da marcha em crianças com Paralisia Cerebral espástica unilateral (PCE-U), e avalia a sua possível inclusão em programas de (re)habilitação. Um dos maiores objetivos da intervenção terapêutica em crianças com PCE-U, prende-se com a melhoria dos desvios no padrão de marcha, resultantes dos défices motores, alterações do tónus e assimetria corporal presentes no hemicorpo contralateral ao hemisfério cerebral afetado. O TS consiste numa ortótese dinâmica (OD) macia, composta por vários constituintes, que se interligam entre si através de bandas elásticas, colocados topograficamente, em função das necessidades particulares de cada criança. Apesar do Suit Therapy (ST) ser referida como uma das abordagens terapêuticas em crianças com Paralisia Cerebral (PC), a evidência sobre a sua efetividade ainda é inconclusiva. Neste contexto, realizou-se um primeiro estudo que consistiu numa revisão sistemática de literatura com meta-análise, que analisou a efetividade do ST na funcionalidade de crianças e jovens com PC. Os resultados obtidos nos 4 estudos RCTs incluídos, revelaram uma magnitude de efeito pequena na função motora global das crianças com PC, tanto no pós-tratamento como no follow-up, que reportou para a necessidade de futuros estudos que permitam fundamentar a inclusão desta abordagem em programas de (re)habilitação em crianças e adolescentes com PC. Os outros dois estudos, investigaram os efeitos imediatos da ortótese dinâmica TS no padrão de marcha de crianças com PCE-U. Os resultados obtidos não mostraram diferenças significativas nos parâmetros espaciais e temporais da marcha entre a condição baseline (BL) e a condição TS e, os valores de Z, demonstraram dimensões de efeito pequenas (r≥0.10), em todas as variáveis analisadas. Quanto ao índice de s imetria, que expressa a relação entre o membro inferior parético (MIP) e o membro inferior não parético (MINP), o uso do TS não revelou melhorias significativas e, os valores de Z demonstraram magnitudes de efeito moderadas (r≥.30) na duração percentual da fase de apoio e do duplo apoio. Para as restantes variáveis, observaram-se magnitude de efeito pequenas. Contudo, relativamente às variáveis angulares das articulações dos membros inferiores (MIs) no plano sagital, foram encontradas diferenças significativas para a maioria das variáveis da articulação da anca de ambos os MIs, durante a maior parte do ciclo de marcha (CM), e para todas as variáveis da articulação da tibiotársica do MIP e, os valores de Z, também revelaram magnitudes de efeito grandes (r≥0.50) para estas variáveis. Na articulação do joelho apenas foram encontradas diferenças significativas e magnitudes de efeito grandes no valor máximo de flexão durante a fase oscilante no MIP e, nas amplitudes de movimento durante o ciclo de marcha em ambos os MIs Em síntese, apesar das limitações inerentes a um estudo desta natureza, o uso do TS sugere algum potencial na modificação dos padrões atípicos exibidos pelas crianças na condição BL e na promoção de novos padrões de marcha em crianças com PCE-U, com particular relevo para os deslocamentos angulares nas articulações da anca de ambos os MIs e na tibiotársica do MIP, no plano sagital. Contudo, são necessários mais estudos na mesma linha de investigação, que permitam comprovar os resultados da presente investigação no que concerne à inclusão desta OD nos programas de (re)habilitação em crianças com este subtipo de PC |