| Resumo: | As substâncias psicadélicas clássicas, ou serotoninérgicas, são compostos, sintéticos ou naturais, que atuam de forma agonista sobre os recetores de serotonina 2A e, ainda que os seus efeitos mais conhecidos sejam os comportamentais, apresentam diversas propriedades terapêuticas. A história do seu uso, tanto recreativo como médico, é longa, remontando à era pré-histórica, na qual eram essencialmente usados para efeitos religiosos e cerimoniais. Contudo, no último século o paradigma dos compostos psicadélicos mudou radicalmente. Se no início, com o aumento do uso recreativo, eram vistos como meras substâncias aditivas, levando à descontinuação de múltiplos estudos clínicos, atualmente, devido à melhor compreensão dos seus mecanismos, a aprovação de ensaios clínicos tem sido cada vez maior, com o objetivo de estudar o seu potencial terapêutico. No entanto, os compostos psicadélicos apresentam também um papel crucial como potentes agentes anti-inflamatórios, através da inibição da libertação e ativação de mediadores inflamatórios. Estes efeitos, a nível celular, são possíveis através do agonismo dos recetores de serotonina que, por estarem distribuídos por todo o corpo e, em maior quantidade, nos tecidos inflamatórios, têm a capacidade de diminuir de forma significativa os processos de inflamação. Uma vez que as doenças inflamatórias crónicas são caracterizadas como problemas de Saúde Pública, que apresentam fisiopatologias complexas e, na sua grande maioria, grandes limitações nas abordagens terapêuticas atualmente recomendadas, os compostos psicadélicos assumem-se como potenciais abordagens terapêuticas, igualmente seguras, quando as atuais são ineficazes ou promovem efeitos adversos graves. Ainda que as doses terapêuticas não despoletem mecanismos de adição e estejam abaixo do limiar necessário para provocar efeitos comportamentais, a investigação e consequente comercialização dos compostos psicadélicos clássicos pelos seus fins medicinais enfrenta bastantes desafios, não apenas éticos, mas também restrições legais, uma vez que são classificados como substâncias com um grande potencial de uso abusivo. Com um enfoque na dor crónica, doença de Alzheimer e asma, este documento reflete sobre os mecanismos de ação da psilocibina, do LSD e do (R)-2,5-dimetoxi-4-iodoanfetamina [(R)-DOI] e a sua potencial eficácia e segurança como estratégicas terapêuticas. |