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Sines em época romana: uma conciliação de produções

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Resumo:A presente tese é fruto de um trabalho arqueológico preventivo realizado durante o projeto de “Recuperação e Musealização das Fábricas Romanas de Sines” promovido pela Câmara Municipal de Sines, designado com o acrónimo SALGAS, entre 2017 e 2018. A intervenção arqueológica foi realizada no Largo João de Deus, em Sines, na área exterior da Fábrica A de preparados de peixe e permitiu identificar novos contextos arqueológicos associados a uma componente artefactual de cronologia romana. O atual Largo João de Deus foi, durante a época romana, densamente ocupado por oficinas de transformação de peixe, uma oficina metalúrgica e uma olaria. O estudo do espólio arqueológico exumado possibilitou a interpretação e datação dos contextos arqueológicos, evidenciando-se dois momentos distintos de ocupação. Na década de 1990, o Largo João de Deus foi escavado por Carlos Tavares da Silva e Antónia Coelho-Soares (2006) que identificaram uma fábrica de preparados de peixe construída durante o século I d.C. A oficina metalúrgica identificada em 2017 terá laborado entre o século I e finais do século II, inícios do III d.C., momento em que as fábricas de preparados de peixe terão sofrido alterações e remodelações, tendo-se registado contextos domésticos no interior da Fábrica A com uma ocupação entre o século III e o IV d.C. (Silva, Coelho-Soares, 2016: 106-108). A intervenção arqueológica de 2017 identificou também um forno de produção de cerâmica a um metro de distância da fábrica. Contudo, não foi permitido a escavação desse contexto que permitiria esclarecer o tipo de produção e a possibilidade determinar Sines como centro produtor de ânforas, tese defendida por Dias Diogo e Reiner (1987). A coexistência de várias oficinas com produções distintas durante o mesmo período cronológico, colocava a questão de uma conciliação de produções. Seria possível a coexistência tão próxima de uma oficina poluente como a indústria de redução e transformação de minério ao lado de uma oficina de transformação de peixe? A intervenção arqueológica de 2017/2018 permitiu esclarecer esta questão e identificar novos contextos arqueológicos e dois rituais associados à sacralização do espaço: um no Setor 3, na oficina metalúrgica, e o outro no Setor 4, num contexto doméstico. No âmbito da presente dissertação, foi concretizado o estudo do espólio arqueológico exumado que permitiu datar os vários contextos, bem como apresentar uma nova cronologia para a construção da Fábrica A. O estudo do espólio proveniente de contextos de aterro e abandono, com exceção de alguns contextos do Setor 4 e da Estrutura 5 do Setor 3, permitiu caraterizar as preferências de consumo e a importação de cerâmica fina, que são compatíveis com as duas fases de ocupação do Largo João de Deus.
Autores principais:Pereira, Paula Cristina Cardoso Barradas Alves
Assunto:Escavações arqueológicas - Sines (Portugal) Vestígios arqueológicos romanos - Sines (Portugal) Cerâmica romana - Sines (Portugal) Sítios arqueológicos - Largo São João de Deus (Sines, Portugal) Teses de mestrado - 2021
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A presente tese é fruto de um trabalho arqueológico preventivo realizado durante o projeto de “Recuperação e Musealização das Fábricas Romanas de Sines” promovido pela Câmara Municipal de Sines, designado com o acrónimo SALGAS, entre 2017 e 2018. A intervenção arqueológica foi realizada no Largo João de Deus, em Sines, na área exterior da Fábrica A de preparados de peixe e permitiu identificar novos contextos arqueológicos associados a uma componente artefactual de cronologia romana. O atual Largo João de Deus foi, durante a época romana, densamente ocupado por oficinas de transformação de peixe, uma oficina metalúrgica e uma olaria. O estudo do espólio arqueológico exumado possibilitou a interpretação e datação dos contextos arqueológicos, evidenciando-se dois momentos distintos de ocupação. Na década de 1990, o Largo João de Deus foi escavado por Carlos Tavares da Silva e Antónia Coelho-Soares (2006) que identificaram uma fábrica de preparados de peixe construída durante o século I d.C. A oficina metalúrgica identificada em 2017 terá laborado entre o século I e finais do século II, inícios do III d.C., momento em que as fábricas de preparados de peixe terão sofrido alterações e remodelações, tendo-se registado contextos domésticos no interior da Fábrica A com uma ocupação entre o século III e o IV d.C. (Silva, Coelho-Soares, 2016: 106-108). A intervenção arqueológica de 2017 identificou também um forno de produção de cerâmica a um metro de distância da fábrica. Contudo, não foi permitido a escavação desse contexto que permitiria esclarecer o tipo de produção e a possibilidade determinar Sines como centro produtor de ânforas, tese defendida por Dias Diogo e Reiner (1987). A coexistência de várias oficinas com produções distintas durante o mesmo período cronológico, colocava a questão de uma conciliação de produções. Seria possível a coexistência tão próxima de uma oficina poluente como a indústria de redução e transformação de minério ao lado de uma oficina de transformação de peixe? A intervenção arqueológica de 2017/2018 permitiu esclarecer esta questão e identificar novos contextos arqueológicos e dois rituais associados à sacralização do espaço: um no Setor 3, na oficina metalúrgica, e o outro no Setor 4, num contexto doméstico. No âmbito da presente dissertação, foi concretizado o estudo do espólio arqueológico exumado que permitiu datar os vários contextos, bem como apresentar uma nova cronologia para a construção da Fábrica A. O estudo do espólio proveniente de contextos de aterro e abandono, com exceção de alguns contextos do Setor 4 e da Estrutura 5 do Setor 3, permitiu caraterizar as preferências de consumo e a importação de cerâmica fina, que são compatíveis com as duas fases de ocupação do Largo João de Deus.