| Resumo: | No decorrer da construção da Auto-Estrada A10, foi realizada uma intervenção arqueológica no sítio arqueológico Monte da Foz 1 (Benavente, Portugal). Uma das diversas fases da intervenção, que consistiu na escavação arqueológica de 5 sondagens de 2x2m (B10-B14), permitiu a observação de um nível de ocupação preservado. O presente trabalho reporta-se ao estudo integral dos dados arqueológicos provenientes desse nível arqueológico, enquadrando-o, crono-culturalmente, na dinâmica evolutiva decorrente do processo de Neolitização no actual território português. Em virtude de não se ter recuperado qualquer elemento orgânico que permita a realização de datações absolutas, a aferição cronológica passou por uma análise tecnotipológica da cultura material do sítio, bem como pela caracterização da tipologia funcional e estratégia de ocupação. A ocupação do Monte da Foz 1 parece integrar-se numa tipologia de sítios, culturalmente relacionados com as etapas iniciais do processo de neolitização, mais comum no actual território português, o de estabelecimentos temporários de curta duração. A presença maioritária de cerâmica lisa, o peso significativo de recipientes cerâmicos decorados com uma linha incisa abaixo do bordo, o recurso a uma estratégia de talhe expedito para a obtenção de lascas sob matérias-primas, essencialmente, locais (quartzito e quartzo), a existência de uma indústria lamelar e laminar em sílex para a produção de produtos alongados e utensílios, aliada a uma estratégia de ocupação de curta e efémera duração, enquadra, crono-culturalmente, o Monte da Foz 1 numa fase evoluída do Neolítico antigo, em transição para o Neolítico médio. A ocupação analisada terá ocorrido entre a 2ª metade do V milénio e o início do IV milénio AC. A julgar pelo conjunto artefactual, o grupo que ocupou o Monte da Foz 1 estaria economicamente e socialmente enquadrado com as modalidades de interacção entre o Homem e o Meio que caracterizam o processo de neolitização em curso, num quadro global de ruptura, face às pré-existências mesolíticas. |