Publicação
Simulação in vitro do processo digestivo de Patulina em sumos de fruta
| Resumo: | Os géneros alimentícios podem apresentar contaminantes de diversas origens e com diferentes toxicidades, podendo representar um perigo para a saúde humana. As micotoxinas são metabolitos produzidos por fungos capazes de induzir efeitos carcinogénicos e imunossupressores, podendo constituir um problema grave para a saúde pública. A patulina, uma micotoxina presente essencialmente em frutos como maçã e seus produtos derivados, apresenta capacidade genotóxica, mutagénica, imunossupressora e neurotóxica e é particularmente relevante no que respeita à saúde infantil, uma vez que as crianças tendem a consumir uma grande quantidade de produtos à base de fruta durante o seu crescimento. Este trabalho tem por objetivo simular o processo digestivo de patulina em sumos de fruta bem como compreender qual a influência da matriz alimentar (refeição sólida) e do modelo de digestão in vitro utilizado (adulto ou infantil) na bioacessibilidade (percentagem de contaminante que se liberta da matriz por ação dos sucos digestivos e que fica disponível para ser absorvida) de sumos contaminados artificialmente com patulina. A identificação e quantificação de patulina presente nos alimentos foram realizadas através da análise por SPE-HPLC-UV. No domínio da bioacessibilidade em sumos foram efetuados ensaios de estabilidade de patulina, estudados os possíveis efeitos do método de extração utilizado em sumos antes e após a digestão e ainda a variabilidade das amostras nos ensaios de bioacessibilidade. A patulina manteve-se estável em amostras contaminadas conservadas a uma temperatura de -20ºC durante 3 meses. O método de extração (SPE), foi o que permitiu obter valores mais elevados de recuperação (entre 58 e 84%) e não se verificaram diferenças significativas nos valores de bioacessibilidade de sumos obtidos no dia e em diferentes dias de análise de patulina (p valor=0,584). Os estudos de bioacessibilidade em sumos na presença de refeição sólida (simulando a ingestão de sólidos e líquidos numa refeição) revelaram que na presença de esparguete à bolonhesa, guisado de borrego e bolacha maria, os valores de bioacessibilidade diminuem para todas as amostras (de 29,72 para 7,64%; 23,29 para 16,45% e 21,46 para 6,50%, respetivamente). A comparação dos valores de bioacessibilidade na presença e ausência de refeição permitiram determinar a existência de diferenças estatisticamente significativas para a maioria das amostras de sumo analisadas. Permitindo concluir que a inclusão de uma refeição padrão tem interferência nos valores de bioacessibilidade de patulina em amostras de sumo contaminadas artificialmente, provocando a sua redução. A comparação dos resultados para a bioacessibilidade de patulina em sumos utilizando dois modelos de digestão in vitro diferentes, um destinado a simular o processo digestivo adulto, e outro infantil, revelaram valores médios de bioacessibilidade de 18,96% ± 6,70 com o modelo de adulto e 7,1% ± 3,50, para o modelo infantil verificando-se uma diferença estatisticamente significativa para estes resultados (p valor=0,00). Estes estudos revelaram que, no modelo para crianças, 7,1% de patulina atinge o intestino sem sofrer alterações, o que do ponto de vista toxicológico significa que esta quantidade estará disponível para ser absorvida e exercer os seus efeitos tóxicos no organismo. Este resultado é particularmente importante dado que se trata de um modelo para crianças, cuja vulnerabilidade a doenças é superior à dos adultos. Será importante efetuar mais ensaios com vista a confirmar os resultados encontrados face á sua importância na saúde infantil. Existe muito pouca bibliografia sobre a bioacessibilidade de patulina em alimentos, e esta é escassa para os modelos que simulem a digestão em crianças pelo que este trabalho se apresenta como inovador pretendendo ser um contributo para os estudos na área da segurança alimentar. |
|---|---|
| Autores principais: | Ferreira, Mariana Marques da Costa, 1991- |
| Assunto: | Toxicidade Patulina Contaminação alimentar Teses de mestrado - 2014 |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os géneros alimentícios podem apresentar contaminantes de diversas origens e com diferentes toxicidades, podendo representar um perigo para a saúde humana. As micotoxinas são metabolitos produzidos por fungos capazes de induzir efeitos carcinogénicos e imunossupressores, podendo constituir um problema grave para a saúde pública. A patulina, uma micotoxina presente essencialmente em frutos como maçã e seus produtos derivados, apresenta capacidade genotóxica, mutagénica, imunossupressora e neurotóxica e é particularmente relevante no que respeita à saúde infantil, uma vez que as crianças tendem a consumir uma grande quantidade de produtos à base de fruta durante o seu crescimento. Este trabalho tem por objetivo simular o processo digestivo de patulina em sumos de fruta bem como compreender qual a influência da matriz alimentar (refeição sólida) e do modelo de digestão in vitro utilizado (adulto ou infantil) na bioacessibilidade (percentagem de contaminante que se liberta da matriz por ação dos sucos digestivos e que fica disponível para ser absorvida) de sumos contaminados artificialmente com patulina. A identificação e quantificação de patulina presente nos alimentos foram realizadas através da análise por SPE-HPLC-UV. No domínio da bioacessibilidade em sumos foram efetuados ensaios de estabilidade de patulina, estudados os possíveis efeitos do método de extração utilizado em sumos antes e após a digestão e ainda a variabilidade das amostras nos ensaios de bioacessibilidade. A patulina manteve-se estável em amostras contaminadas conservadas a uma temperatura de -20ºC durante 3 meses. O método de extração (SPE), foi o que permitiu obter valores mais elevados de recuperação (entre 58 e 84%) e não se verificaram diferenças significativas nos valores de bioacessibilidade de sumos obtidos no dia e em diferentes dias de análise de patulina (p valor=0,584). Os estudos de bioacessibilidade em sumos na presença de refeição sólida (simulando a ingestão de sólidos e líquidos numa refeição) revelaram que na presença de esparguete à bolonhesa, guisado de borrego e bolacha maria, os valores de bioacessibilidade diminuem para todas as amostras (de 29,72 para 7,64%; 23,29 para 16,45% e 21,46 para 6,50%, respetivamente). A comparação dos valores de bioacessibilidade na presença e ausência de refeição permitiram determinar a existência de diferenças estatisticamente significativas para a maioria das amostras de sumo analisadas. Permitindo concluir que a inclusão de uma refeição padrão tem interferência nos valores de bioacessibilidade de patulina em amostras de sumo contaminadas artificialmente, provocando a sua redução. A comparação dos resultados para a bioacessibilidade de patulina em sumos utilizando dois modelos de digestão in vitro diferentes, um destinado a simular o processo digestivo adulto, e outro infantil, revelaram valores médios de bioacessibilidade de 18,96% ± 6,70 com o modelo de adulto e 7,1% ± 3,50, para o modelo infantil verificando-se uma diferença estatisticamente significativa para estes resultados (p valor=0,00). Estes estudos revelaram que, no modelo para crianças, 7,1% de patulina atinge o intestino sem sofrer alterações, o que do ponto de vista toxicológico significa que esta quantidade estará disponível para ser absorvida e exercer os seus efeitos tóxicos no organismo. Este resultado é particularmente importante dado que se trata de um modelo para crianças, cuja vulnerabilidade a doenças é superior à dos adultos. Será importante efetuar mais ensaios com vista a confirmar os resultados encontrados face á sua importância na saúde infantil. Existe muito pouca bibliografia sobre a bioacessibilidade de patulina em alimentos, e esta é escassa para os modelos que simulem a digestão em crianças pelo que este trabalho se apresenta como inovador pretendendo ser um contributo para os estudos na área da segurança alimentar. |
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