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Avaliação da exposição das mulheres portuguesas em idade fértil ao metilmercúrio: um estudo preliminar de biomonitorização humana

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Resumo:O metilmercúrio (MeHg) é um composto tóxico para os seres humanos sendo que o consumo de peixe é habitualmente considerado a principal fonte de exposição humana. As espécies de peixe predadoras, como o atum ou o espadarte, assumem particular importância neste contexto, devido maioritariamente aos processos de bioacumulação e biomagnificação. Portugal apresenta o maior consumo de produtos da pesca e da aquicultura na União Europeia (UE), acima da média da UE e do mundo. O principal alvo da toxicidade associada ao MeHg é o sistema nervoso central e o período pré-natal representa um momento de maior vulnerabilidade relativamente aos potenciais efeitos no neurodesenvolvimento do feto. A avaliação da exposição da população bem como do risco associado deverá ser feita de forma sistemática e adequada por forma a estabelecer medidas, quando necessárias, que previnam os potenciais efeitos tóxicos decorrentes desta exposição. A biomonitorização humana (BMH) permite avaliar, de forma direta, a exposição humana a compostos químicos e desta forma caracterizar o risco associado. A concentração total de mercúrio no sangue é geralmente considerada um biomarcador adequado para estimar a exposição interna a curto prazo ao MeHg, em indivíduos com consumo regular de pescado. O presente estudo teve como objetivo avaliar a exposição ao MeHg de mulheres portuguesas em idade fértil através da BMH, atendendo a que este grupo populacional apresenta elevada suscetibilidade a este composto, considerando os potenciais efeitos tóxicos na descendência. Para este estudo, 300 mulheres portuguesas em idade fértil (25 a 44 anos) foram selecionadas aleatoriamente entre as participantes de um estudo epidemiológico transversal realizado em Portugal (INSEF, http://www.insef.pt/). Foi determinada a concentração de mercúrio total nas amostras de sangue total das participantes por espectrofotometria de absorção atómica com decomposição térmica e amalgamação (TDA/AAS), após validação do método de ensaio. Duas amostras apresentaram concentração de mercúrio total abaixo do limite de quantificação (0,5 µg/L) e, nas restantes (n = 298), os níveis de mercúrio variaram de 0,6 a 35,0 µg/L. Cerca de 52% das amostras apresentaram valores abaixo de 5 µg/L, um valor de BMH abaixo do qual não são esperados efeitos adversos na saúde. No entanto, 48% das amostras revelaram níveis acima de 5 µg/L e, portanto, apresentaram risco de efeitos adversos para a saúde. Os valores obtidos de concentração de mercúrio no sangue foram superiores nas mulheres com mais idade, maior nível de escolaridade e residentes na Região Autónoma da Madeira, com diferenças estatisticamente significativas relativamente aos restantes grupos (p<0,05). Este estudo reforça a necessidade de desenvolver e implementar em Portugal estratégias de comunicação de risco focadas na seleção de espécies de peixes com menor concentração de MeHg, a fim de evitar a exposição humana a esse composto, principalmente em populações particularmente suscetíveis.
Autores principais:Santiago, Susana Sofia Fernandes
Assunto:Metilmercúrio Consumo de pescado Mulheres portuguesas Biomonitorização Avaliação da exposição Teses de mestrado - 2020
Ano:2020
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
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Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
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