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A República e o ensino da história: inovações e permanências

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O tema do presente texto procura expressar a centralidade assumida pela dialéctica inovações – permanências no período republicano, no qual a maneira habitual de ensinar a história, os tradicionais compêndios e toda uma mitologia que vem sendo construída desde o século XIX, convivem com a tentativa de, sob o influxo da Educação Nova, introduzir novos temas e novas metodologias e de melhorar a qualidade dos compêndios. A República – esse momento particularmente interessante da nossa vivência cultural – procurou desenvolver uma nova educação histórica para a nova sociedade que se afirmava querer construir, isto sem, no entanto, pôr em causa uma certa tradição histórica, considerada conveniente para a afirmação da consciência nacional. Procurando delimitar a abordagem, centrar-me-ei na então designada Instrução Primária. O currículo sempre teve, a este nível, uma componente importante visando explicitamente a integração cultural, a conformidade social e a normalização dos comportamentos. A República não é excepção. É na escola primária que se procura formar o cidadão-eleitor preparado para a vida em democracia; mas é lá também que se pretende promover uma socialização de tipo republicano, necessária à preservação do novo regime. A história é, então, um dos saberes requisitados, tendo em vista a consecução das referidas finalidades. Daí a sua relativa importância curricular e a sua presença no debate cultural do período, já que o sebastianismo, o saudosismo, o seiscentismo, entre outros temas, justificaram acesas polémicas. É, por outro lado, particularmente a este nível, que se investe na construção de uma determinada memória colectiva. Utilizarei como fontes as seguintes: a legislação do período, designadamente reformas do ensino, programas de ensino e instruções pedagógicas deles decorrentes; manuais escolares de história; e alguns textos publicados na imprensa pedagógica da época.
Autores principais:Pintassilgo, Joaquim
Assunto:Ensino da história República Ensino primário
Ano:2001
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O tema do presente texto procura expressar a centralidade assumida pela dialéctica inovações – permanências no período republicano, no qual a maneira habitual de ensinar a história, os tradicionais compêndios e toda uma mitologia que vem sendo construída desde o século XIX, convivem com a tentativa de, sob o influxo da Educação Nova, introduzir novos temas e novas metodologias e de melhorar a qualidade dos compêndios. A República – esse momento particularmente interessante da nossa vivência cultural – procurou desenvolver uma nova educação histórica para a nova sociedade que se afirmava querer construir, isto sem, no entanto, pôr em causa uma certa tradição histórica, considerada conveniente para a afirmação da consciência nacional. Procurando delimitar a abordagem, centrar-me-ei na então designada Instrução Primária. O currículo sempre teve, a este nível, uma componente importante visando explicitamente a integração cultural, a conformidade social e a normalização dos comportamentos. A República não é excepção. É na escola primária que se procura formar o cidadão-eleitor preparado para a vida em democracia; mas é lá também que se pretende promover uma socialização de tipo republicano, necessária à preservação do novo regime. A história é, então, um dos saberes requisitados, tendo em vista a consecução das referidas finalidades. Daí a sua relativa importância curricular e a sua presença no debate cultural do período, já que o sebastianismo, o saudosismo, o seiscentismo, entre outros temas, justificaram acesas polémicas. É, por outro lado, particularmente a este nível, que se investe na construção de uma determinada memória colectiva. Utilizarei como fontes as seguintes: a legislação do período, designadamente reformas do ensino, programas de ensino e instruções pedagógicas deles decorrentes; manuais escolares de história; e alguns textos publicados na imprensa pedagógica da época.