| Resumo: | Os ecossistemas marinhos das ilhas dos Açores são diferenciados quando comparados com regiões continentais e de grande interesse para a conservação e para a comunidade científica, reflexo de características únicas presentes na região. Apesar do grande interesse científico na comunidade marinha dos Açores, alguns grupos taxonómicos apresentam elevada escassez de conhecimento cientifico. A classe dos poliquetas é um exemplo desses grupos que não apresentam o devido conhecimento, deixando uma grande lacuna de informação em relação à biodiversidade, distribuição e ecologia das espécies do arquipélago. Visto que há a necessidade de melhorar o conhecimento sobre as espécies de poliquetas da região, esta dissertação fez uma verificação e atualização da lista de espécies de poliquetas litorais dos Açores e a determinação do estatuto para as diferentes espécies em termos da sua origem (nativas, não indigenas ou criptógenicas). A atualização dos dados levou a um aumento significativo do número de espécies listadas na a região (72 espécies), que não constavam na base da dados da biodiversidade dos Açores. Ocorreu também o primeiro registo de 6 espécies (Oenoe fulgida, Euphionella sp., Branchiomma sp., Chaetopterus sp., Phyllochaetopterus sp. e Polycirrus sp.) e 5 famílias (Flabelligeridae, Cirratulidae, Magelonidae, Scalibregmatidae e Oenonidae) de poliquetas para a região, com as recolhas realizadas neste trabalho na zona interdital da Ilha de São Miguel. Verifica-se também que a maioria das espécies listadas são consideradas nativas (57%) e que ocorrem três novas espécies não indígenas no arquipélago. Apesar dos esforços para a elaboração de um lista detalhada de poliquetas costeiros dos Açores, a informação existente para este grupo é, ainda, muito diminuta. Posto isto, é razoável admitir-se que deve haver mais estudos e trabalhos para este grupo de organismos, uma vez que eles são considarados um componente essencial para as comunidades bentónicas, com uma grande importância ecológica. |