| Resumo: | Os escândalos políticos são elementos frequentes do jornalismo político no Brasil e no mundo. Mas nem todo escândalo político é apresentado pelos veículos da mesma forma e, a depender do veículo, pode apresentar diferenças significativas em relação aos valores-notícia, agendamento, framing e narrativas apresentados. Com base nisso, esse estudo visa responder à pergunta de partida: como os portais Folha de S. Paulo e Gazeta do Povo cobriram a série de reportagens Vaza Jato? Para esse estudo foi utilizado o método misto, do tipo explanatório sequencial. As análises de conteúdo serviram para tratar os valores-notícia, os framings e os componentes presentes nas narrativas construídas por ambos os veículos na cobertura da série de reportagens Vaza Jato entre os dias 9 de junho e 9 de setembro de 2019, período que marca os três primeiros meses da série que revelou escândalos envolvendo o ministro da Justiça da época, Sergio Moro e os procuradores integrantes da Operação Lava Jato. Ao todo, foram analisadas 828 peças jornalísticas, sendo 530 da Folha de S. Paulo e 298 da Gazeta do Povo ao longo do período determinado. Além disso, como técnicas qualitativas, foram utilizadas a análise narrativa e a análise de discurso em relação às peças jornalísticas e aos editoriais e a entrevista semiestruturada em profundidade realizada com os diretores de redação da Folha de S. Paulo e da Gazeta do Povo. Através das técnicas de análise, foi possível identificar como a Gazeta do Povo procurou oferecer espaços privilegiados para os agentes relacionados à Operação Lava Jato e questionou a série Vaza Jato e o trabalho do website The Intercept Brasil, enquanto a Folha de S. Paulo se interessou e se aprofundou no escândalo ao longo dos três meses, com uma cobertura crítica à Lava Jato e ao ex-juiz Sergio Moro. A partir desse posicionamento, o estudo aponta que os veículos possuem técnicas de apuração das informações, agendamento, enquadramento e discurso muito distintos, com um posicionamento pró-Lava Jato no caso da Gazeta do Povo e crítico à Lava Jato no caso da Folha de S. Paulo. As diferenças percebidas nas análises estão em consonância com os discursos nas peças jornalísticas e nos editoriais, além dos discursos dos próprios chefes de redação dos veículos. |