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Fatores de risco para a prevalência de parasitas gastrointestinais e broncopulmonares em ovinos das raças Merina Branca e Merina Preta no Alentejo

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Resumo:Os parasitas internos são mundialmente um dos maiores obstáculos à indústria ovina, afetando a taxa de crescimento, o desempenho reprodutivo e a produção de carne, leite e lã. O presente trabalho pretendeu avaliar os fatores de risco associados à prevalência e intensidade de infeção de parasitas gastrointestinais e broncopulmonares em duas raças autóctones de ovinos criadas no Alentejo, as raças Merina Branca e Merina Preta. Outro objetivo do estudo foi avaliar a utilidade do método FAMACHA © para desparasitação seletiva dos animais. Os dados analisados referem-se a um total de 334 ovinos das raças Merina Branca (n=222) e Merina Preta (n=112) amostrados em 25 explorações entre setembro 2019 e dezembro 2020. O diagnóstico parasitológico foi realizado pelas técnicas Mini-Flotac, Baermann e coprocultura e o grau de anemia dos animais foi avaliado pelo método FAMACHA©. A análise de fatores de risco baseou-se num modelo de regressão logística misto com a exploração como fator aleatório. Os parasitas gastrointestinais mais prevalentes pela técnica Mini-Flotac foram os estrongilídeos gastrointestinais (98%; IC 95%: 95 - 99%), seguido de coccídias (94%; IC 95%: 91 - 96%), e dos géneros Moniezia (34%; IC 95%: 29 - 39%), Nematodirus (20%; IC 95%: 16 - 24%), Strongyloides (18%; IC 95%: 14 - 23%) e Trichuris (12%; IC 95%: 9 - 16%). A coprocultura revelou a presença de Trichostrongylus (96%; IC95%: 93 - 97%), Oesophagostomum/Chabertia (55%; IC 95%: 50 - 61%), Strongyloides (45%; IC 95%: 39 - 50%), Teladorsagia (29%; IC 95%: 93 - 97%), Haemonchus (7%; IC 95%: 5 - 11%) e Cooperia (2%; IC 95%: 1 - 5%). Os parasitas broncopulmonares identificados foram Dictyocaulus filaria (11%; IC 95%: 8 - 15%) e Muellerius capillaris (4%; IC 95%: 2 - 7%). Embora houvesse uma relação inversa significativa entre a pontuação FAMACHA© e o hematócrito (r=-1,414; p<0,001), não se observou nenhuma associação entre a presença de Haemonchus e o hematócrito ou a pontuação FAMACHA©. Estes resultados sugerem uma utilidade limitada do método na região estudada, sendo, todavia, necessários estudos mais representativos para a sua confirmação. Entre os fatores de risco para a prevalência dos parasitas destacam-se o outono (Teladorsagia), a idade (Oesophagostomum/Chabertia) e as zonas de pastoreio alagadas (Moniezia). Os fatores protetores incluíram a estabulação (Trichostrongylus), a primavera, o local de parto misto (campo/ovil) e a desparasitação semestral (Teladorsagia) e o outono e o pastoreio com outras espécies (Oesophagostomum/Chabertia).
Autores principais:Sarraguça, Inês Soares de Andrade Gonçalves
Assunto:Ovinos Parasitas internos FAMACHA fatores de risco Alentejo Sheep Internal parasites FAMACHA Risk factors Alentejo
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Os parasitas internos são mundialmente um dos maiores obstáculos à indústria ovina, afetando a taxa de crescimento, o desempenho reprodutivo e a produção de carne, leite e lã. O presente trabalho pretendeu avaliar os fatores de risco associados à prevalência e intensidade de infeção de parasitas gastrointestinais e broncopulmonares em duas raças autóctones de ovinos criadas no Alentejo, as raças Merina Branca e Merina Preta. Outro objetivo do estudo foi avaliar a utilidade do método FAMACHA © para desparasitação seletiva dos animais. Os dados analisados referem-se a um total de 334 ovinos das raças Merina Branca (n=222) e Merina Preta (n=112) amostrados em 25 explorações entre setembro 2019 e dezembro 2020. O diagnóstico parasitológico foi realizado pelas técnicas Mini-Flotac, Baermann e coprocultura e o grau de anemia dos animais foi avaliado pelo método FAMACHA©. A análise de fatores de risco baseou-se num modelo de regressão logística misto com a exploração como fator aleatório. Os parasitas gastrointestinais mais prevalentes pela técnica Mini-Flotac foram os estrongilídeos gastrointestinais (98%; IC 95%: 95 - 99%), seguido de coccídias (94%; IC 95%: 91 - 96%), e dos géneros Moniezia (34%; IC 95%: 29 - 39%), Nematodirus (20%; IC 95%: 16 - 24%), Strongyloides (18%; IC 95%: 14 - 23%) e Trichuris (12%; IC 95%: 9 - 16%). A coprocultura revelou a presença de Trichostrongylus (96%; IC95%: 93 - 97%), Oesophagostomum/Chabertia (55%; IC 95%: 50 - 61%), Strongyloides (45%; IC 95%: 39 - 50%), Teladorsagia (29%; IC 95%: 93 - 97%), Haemonchus (7%; IC 95%: 5 - 11%) e Cooperia (2%; IC 95%: 1 - 5%). Os parasitas broncopulmonares identificados foram Dictyocaulus filaria (11%; IC 95%: 8 - 15%) e Muellerius capillaris (4%; IC 95%: 2 - 7%). Embora houvesse uma relação inversa significativa entre a pontuação FAMACHA© e o hematócrito (r=-1,414; p<0,001), não se observou nenhuma associação entre a presença de Haemonchus e o hematócrito ou a pontuação FAMACHA©. Estes resultados sugerem uma utilidade limitada do método na região estudada, sendo, todavia, necessários estudos mais representativos para a sua confirmação. Entre os fatores de risco para a prevalência dos parasitas destacam-se o outono (Teladorsagia), a idade (Oesophagostomum/Chabertia) e as zonas de pastoreio alagadas (Moniezia). Os fatores protetores incluíram a estabulação (Trichostrongylus), a primavera, o local de parto misto (campo/ovil) e a desparasitação semestral (Teladorsagia) e o outono e o pastoreio com outras espécies (Oesophagostomum/Chabertia).