Publicação
Riquetsioses do grupo das febres exantemáticas em canídeos domésticos em Portugal: revisão bibliográfica e estudo retrospectivo
| Resumo: | As riquétsias do grupo das febres exantemáticas estão amplamente distribuídas, em focos endémicos, por várias regiões geográficas do Mundo e são importantes causas de morbilidade e mortalidade no Homem e nos animais domésticos. Em Portugal, Rickettsia conorii é o principal agente deste grupo e causa febre botonosa em humanos. Esta foi a única riquétsia identificada por métodos de biologia molecular em cães portugueses doentes. O vector de R. conorii no país é o ixodídeo Rhipicephalus sanguineus. Os cães, os principais hospedeiros deste ixodídeo, podem servir como sentinelas e dar alguma indicação sobre a prevalência da infecção. Apesar da elevada seroprevalência desta riquétsia em canídeos, existem poucos estudos que relacionam a infecção por este agente com doença nestes animais. O mesmo animal pode ser infectado concomitantemente por vários agentes transmitidos por vectores e muitas vezes os quadros clínicos das diferentes doenças são inespecíficos e semelhantes. Por isso, deve ser feito diagnóstico diferencial entre várias patologias e neste âmbito, as técnicas laboratoriais assumem maior importância que o diagnóstico clínico. Foi realizado um estudo restrospectivo sobre uma amostra de 91 animais apresentados a consulta no Hospital Veterinário do Restelo, entre Maio de 2007 e Fevereiro de 2008, com sintomas suspeitos de doença transmitida por ixodídeos e aos quais foram pesquisados anticorpos anti-R. conorii. Alguns dos casos clínicos incluídos neste estudo decorreram fora do período de estágio pelo que houve conhecimento dos mesmos pelo acesso a base de dados do hospital. A técnica de Imunofluorescência Indirecta (IFI) foi utilizada para pesquisa de anticorpos contra R. conorii (n=91), E. canis (n=90), L. infantum (n=56) e B. canis (n=26). Na amostra, a seroprevalência de R. conorii foi de 73%, superior a de qualquer um dos outros agentes. Foram encontradas possíveis co-infecções de vários agentes em 38 dos 66 animais que possuiam anticorpos contra a riquétsia em questão. A associação de sinais clínicos com resultados de IFI positivos para R. conorii foi realizada em seis animais. Foram detectados vários sinais e sintomas como piréxia, uveíte, petéquias e hematomas, dor de origem inespecífica, rigidez muscular e esplenomegália. Anemia, trombocitopénia e hipoproteinémia foram as alterações hematológicas verificadas. Nesta amostra, a maioria dos cães de rua e dos animais com história de parasitismo por ixodídeos, possuia anticorpos contra agentes transmitidos por ixodídeos, nomeadamente R. conorii. |
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| Autores principais: | Duarte, Maria Teresa Teodoro Rocha |
| Assunto: | Rickettsia conorii Rhipicephalus sanguineus IFI Seroprevalence Canine Seroprevalência Canídeos Portugal |
| Ano: | 2008 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | trabalho de fim de curso |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | As riquétsias do grupo das febres exantemáticas estão amplamente distribuídas, em focos endémicos, por várias regiões geográficas do Mundo e são importantes causas de morbilidade e mortalidade no Homem e nos animais domésticos. Em Portugal, Rickettsia conorii é o principal agente deste grupo e causa febre botonosa em humanos. Esta foi a única riquétsia identificada por métodos de biologia molecular em cães portugueses doentes. O vector de R. conorii no país é o ixodídeo Rhipicephalus sanguineus. Os cães, os principais hospedeiros deste ixodídeo, podem servir como sentinelas e dar alguma indicação sobre a prevalência da infecção. Apesar da elevada seroprevalência desta riquétsia em canídeos, existem poucos estudos que relacionam a infecção por este agente com doença nestes animais. O mesmo animal pode ser infectado concomitantemente por vários agentes transmitidos por vectores e muitas vezes os quadros clínicos das diferentes doenças são inespecíficos e semelhantes. Por isso, deve ser feito diagnóstico diferencial entre várias patologias e neste âmbito, as técnicas laboratoriais assumem maior importância que o diagnóstico clínico. Foi realizado um estudo restrospectivo sobre uma amostra de 91 animais apresentados a consulta no Hospital Veterinário do Restelo, entre Maio de 2007 e Fevereiro de 2008, com sintomas suspeitos de doença transmitida por ixodídeos e aos quais foram pesquisados anticorpos anti-R. conorii. Alguns dos casos clínicos incluídos neste estudo decorreram fora do período de estágio pelo que houve conhecimento dos mesmos pelo acesso a base de dados do hospital. A técnica de Imunofluorescência Indirecta (IFI) foi utilizada para pesquisa de anticorpos contra R. conorii (n=91), E. canis (n=90), L. infantum (n=56) e B. canis (n=26). Na amostra, a seroprevalência de R. conorii foi de 73%, superior a de qualquer um dos outros agentes. Foram encontradas possíveis co-infecções de vários agentes em 38 dos 66 animais que possuiam anticorpos contra a riquétsia em questão. A associação de sinais clínicos com resultados de IFI positivos para R. conorii foi realizada em seis animais. Foram detectados vários sinais e sintomas como piréxia, uveíte, petéquias e hematomas, dor de origem inespecífica, rigidez muscular e esplenomegália. Anemia, trombocitopénia e hipoproteinémia foram as alterações hematológicas verificadas. Nesta amostra, a maioria dos cães de rua e dos animais com história de parasitismo por ixodídeos, possuia anticorpos contra agentes transmitidos por ixodídeos, nomeadamente R. conorii. |
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