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Crítica textual e representação dramática

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Resumo:O objectivo desta dissertação é fazer uma reflexão teórica e prática sobre uma possível relação entre a Crítica Textual e a representação dramática. Apesar de esta actividade, de carácter efémero e transitório, não ser um objecto comum da Crítica Textual, a percepção da natureza e importância do produto textual dela resultante pode contribuir para mudar o seu estatuto perante disciplinas filológicas. O texto dramático, registado num suporte material fixo, é transformado pelo actor num “texto representado” registado num suporte ao mesmo tempo material e imaterial, o seu corpo e emoções. Este novo texto, a sua tradução e concretização do que é sugerido pelo texto-fonte, é a etapa final de um processo criativo que se inicia na mente do autor e sujeita o texto dramático a transformações, adaptações e evoluções pela mão de diversos participantes. O texto produzido pelo actor poderá assumir, assim, uma importância idêntica à do texto dramático de onde provém ou até ter um impacto mais forte do que este último. A legitimidade da abordagem da representação dramática pela Crítica Textual foi avaliada através da exploração dos conceitos de “texto” e “representação dramática”, bem como da consideração de traços de certas escolas ou correntes da Crítica Textual que pareceram adequadas à abordagem aqui defendida. Em seguida propôs-se um modelo teórico e prático, baseado na reflexão anterior, e que foi testado com um exemplo real, a adaptação do texto dramático Um Eléctrico Chamado Desejo, do dramaturgo Tennessee Williams, pelo encenador e realizador Elia Kazan, com o actor Marlon Brando. Dados os resultados obtidos, sugere-se que o “texto representado” possa ser considerado uma área de estudo especializada digna da atenção da Crítica Textual, nos termos em que foi exposta neste trabalho. A consideração de um texto em termos mais latos do que os habitualmente levados em conta pela Crítica Textual tradicional poderá abrir o seu campo de estudo a outras entidades até agora não contempladas. O texto produzido pelo actor poderá ser uma delas.
Autores principais:Nogueira, Marta Eveleen Swan Antunes
Assunto:Teatro Arte dramática Crítica textual Teses de mestrado - 2013
Ano:2013
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O objectivo desta dissertação é fazer uma reflexão teórica e prática sobre uma possível relação entre a Crítica Textual e a representação dramática. Apesar de esta actividade, de carácter efémero e transitório, não ser um objecto comum da Crítica Textual, a percepção da natureza e importância do produto textual dela resultante pode contribuir para mudar o seu estatuto perante disciplinas filológicas. O texto dramático, registado num suporte material fixo, é transformado pelo actor num “texto representado” registado num suporte ao mesmo tempo material e imaterial, o seu corpo e emoções. Este novo texto, a sua tradução e concretização do que é sugerido pelo texto-fonte, é a etapa final de um processo criativo que se inicia na mente do autor e sujeita o texto dramático a transformações, adaptações e evoluções pela mão de diversos participantes. O texto produzido pelo actor poderá assumir, assim, uma importância idêntica à do texto dramático de onde provém ou até ter um impacto mais forte do que este último. A legitimidade da abordagem da representação dramática pela Crítica Textual foi avaliada através da exploração dos conceitos de “texto” e “representação dramática”, bem como da consideração de traços de certas escolas ou correntes da Crítica Textual que pareceram adequadas à abordagem aqui defendida. Em seguida propôs-se um modelo teórico e prático, baseado na reflexão anterior, e que foi testado com um exemplo real, a adaptação do texto dramático Um Eléctrico Chamado Desejo, do dramaturgo Tennessee Williams, pelo encenador e realizador Elia Kazan, com o actor Marlon Brando. Dados os resultados obtidos, sugere-se que o “texto representado” possa ser considerado uma área de estudo especializada digna da atenção da Crítica Textual, nos termos em que foi exposta neste trabalho. A consideração de um texto em termos mais latos do que os habitualmente levados em conta pela Crítica Textual tradicional poderá abrir o seu campo de estudo a outras entidades até agora não contempladas. O texto produzido pelo actor poderá ser uma delas.