Publicação
Realismo metafísico e realismo moral: um argumento sobre a influência moral da ficção
| Resumo: | O problema central do realismo moral diz respeito à existência duma realidade factual, exterior à mente e ao sujeito, e para a qual se deve procurar estabelecer uma descrição linguística e epistemológica. John Searle nota por isso que a impossibilidade de reduzir alguns factos a uma descrição constitui um problema para a noção de verdade como correspondência com a realidade, geralmente associada ao realismo metafísico. Sem negar a relevância desta noção de correspondência, o propósito desta investigação será o de pretender demonstrar que o termo e o conceito de bem se encontram entre este conjunto de entidades insuscetíveis de redução linguística. Tentar-se-á sustentar que tal facto se deve, tanto à incognoscibilidade do conceito (Platão), como à sua natureza simples e inanalisável (G. E. Moore). A existência factual dos valores morais não é, contudo, negada, na medida em que a inexistência da descrição epistemológica não coincide necessariamente com a inexistência do facto. Defenderei por isso a existência do conceito de bem enquanto algo objetivo e uniforme, e do qual as restantes participam. A segunda parte desta investigação visará ultrapassar o aparente paradoxo que consiste em atribuir existência factual aos valores morais enquanto, simultaneamente, se concede que a melhor forma de os percecionar passa pela leitura de ficção e pelo encontro com personagens cujos termos não têm denotação. Na medida em que se valoriza a experiência estética enquanto ingrediente que promove a avaliação moral, toma-se como válida uma associação ethos-pathos de pendor marcadamente aristotélico. Já a introdução da filosofia de Platão neste argumento pretenderá salientar um momento muito particular da arte e da experiência estética no qual se torna possível aquilo que Iris Murdoch considera ser a analogia entre beleza e virtude. A valorização deste aspeto na ética e estética de Platão permitirá suprir a dificuldade de encontrarmos em Platão uma condenação da arte, resultante da sua natureza ontologicamente degradada. |
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| Autores principais: | Silveira, Tiago Pais Vassallo Dordio da |
| Assunto: | Teoria literária Realismo (Filosofia) Realismo moral Teses de mestrado - 2015 |
| Ano: | 2005 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O problema central do realismo moral diz respeito à existência duma realidade factual, exterior à mente e ao sujeito, e para a qual se deve procurar estabelecer uma descrição linguística e epistemológica. John Searle nota por isso que a impossibilidade de reduzir alguns factos a uma descrição constitui um problema para a noção de verdade como correspondência com a realidade, geralmente associada ao realismo metafísico. Sem negar a relevância desta noção de correspondência, o propósito desta investigação será o de pretender demonstrar que o termo e o conceito de bem se encontram entre este conjunto de entidades insuscetíveis de redução linguística. Tentar-se-á sustentar que tal facto se deve, tanto à incognoscibilidade do conceito (Platão), como à sua natureza simples e inanalisável (G. E. Moore). A existência factual dos valores morais não é, contudo, negada, na medida em que a inexistência da descrição epistemológica não coincide necessariamente com a inexistência do facto. Defenderei por isso a existência do conceito de bem enquanto algo objetivo e uniforme, e do qual as restantes participam. A segunda parte desta investigação visará ultrapassar o aparente paradoxo que consiste em atribuir existência factual aos valores morais enquanto, simultaneamente, se concede que a melhor forma de os percecionar passa pela leitura de ficção e pelo encontro com personagens cujos termos não têm denotação. Na medida em que se valoriza a experiência estética enquanto ingrediente que promove a avaliação moral, toma-se como válida uma associação ethos-pathos de pendor marcadamente aristotélico. Já a introdução da filosofia de Platão neste argumento pretenderá salientar um momento muito particular da arte e da experiência estética no qual se torna possível aquilo que Iris Murdoch considera ser a analogia entre beleza e virtude. A valorização deste aspeto na ética e estética de Platão permitirá suprir a dificuldade de encontrarmos em Platão uma condenação da arte, resultante da sua natureza ontologicamente degradada. |
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