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Os tratados Ade - instrumentos políticos e jurídicos na construção imperial assíria, secs. VIII-VII a.C.: entre a continuidade e a singularidade

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Resumo:A expansão da Assíria, entre os séculos VIII e VII a.C., alcançou uma vasta amplitude geográfica, caracterizando-se o seu domínio por um modelo profundamente integrador de espaços e gentes. A guerra e a transformação de territórios conquistados em províncias, assim como a deportação de populações, eram alguns dos instrumentos mais efectivos para consumar e estruturar o poder assírio. Noutros casos, esse poder impunha-se de modo indirecto, através da submissão política de outros estados, formalizada por tratados jurados (ade). Estes tratados partilhavam, com outros exemplos da tradição diplomática do Próximo Oriente Antigo, dispositivos como o juramento, as testemunhas divinas e as maldições cominatórias, o que os incluíam de igual modo na própria tradição legal mesopotâmica e na cultura monumental. No entanto, os tratados neo-assírios não devem ser entendidos apenas como instrumentos de política internacional e expansão. Muitos deles possuem uma lógica interna, relacionada com a transmissão do poder, sendo designados pela historiografia como “juramentos de lealdade”. Eram impostos, não sobre soberanos estrangeiros, mas sobre os próprios súbditos do rei assírio, destinando-se a salvaguardar a lealdade para com o monarca e o respeito pela sua escolha do herdeiro ao trono. Um destes “juramentos” ou “tratados”, promovido por Assaradão em 672 a.C., associa, de forma ambígua, uma dimensão externa e diplomática a uma lógica interna: apesar de procurar garantir a sucessão ao trono de Assurbanípal, os seus contraentes eram um grupo de chefes estrangeiros dos Zagros. A coexistência dessas duas dimensões, nesse tratado específico, torna-o atípico no quadro da tradição diplomática do Próximo Oriente Antigo. Passando em revista, num tempo longo, diversos exemplos de tratados ao longo do Próximo Oriente Antigo, este trabalho procura entender a ambiguidade desse tratado, as suas funções e motivações implícitas, não apenas à luz dessa continuidade, mas também das próprias características da expansão assíria.
Autores principais:Monte, Marcel Luís Paiva do
Assunto:Assaradão, Rei da Assíria, 0680?-0669? a.C. Tratados - Antiguidade Juramentos políticos - Antiguidade Médio Oriente - História - séc. 08-07 a.C. Assíria - História - séc. 08-07 a.C. Teses de mestrado - 2010
Ano:2010
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A expansão da Assíria, entre os séculos VIII e VII a.C., alcançou uma vasta amplitude geográfica, caracterizando-se o seu domínio por um modelo profundamente integrador de espaços e gentes. A guerra e a transformação de territórios conquistados em províncias, assim como a deportação de populações, eram alguns dos instrumentos mais efectivos para consumar e estruturar o poder assírio. Noutros casos, esse poder impunha-se de modo indirecto, através da submissão política de outros estados, formalizada por tratados jurados (ade). Estes tratados partilhavam, com outros exemplos da tradição diplomática do Próximo Oriente Antigo, dispositivos como o juramento, as testemunhas divinas e as maldições cominatórias, o que os incluíam de igual modo na própria tradição legal mesopotâmica e na cultura monumental. No entanto, os tratados neo-assírios não devem ser entendidos apenas como instrumentos de política internacional e expansão. Muitos deles possuem uma lógica interna, relacionada com a transmissão do poder, sendo designados pela historiografia como “juramentos de lealdade”. Eram impostos, não sobre soberanos estrangeiros, mas sobre os próprios súbditos do rei assírio, destinando-se a salvaguardar a lealdade para com o monarca e o respeito pela sua escolha do herdeiro ao trono. Um destes “juramentos” ou “tratados”, promovido por Assaradão em 672 a.C., associa, de forma ambígua, uma dimensão externa e diplomática a uma lógica interna: apesar de procurar garantir a sucessão ao trono de Assurbanípal, os seus contraentes eram um grupo de chefes estrangeiros dos Zagros. A coexistência dessas duas dimensões, nesse tratado específico, torna-o atípico no quadro da tradição diplomática do Próximo Oriente Antigo. Passando em revista, num tempo longo, diversos exemplos de tratados ao longo do Próximo Oriente Antigo, este trabalho procura entender a ambiguidade desse tratado, as suas funções e motivações implícitas, não apenas à luz dessa continuidade, mas também das próprias características da expansão assíria.