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Post-surgery outcome in children with ocular trauma

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução | O trauma ocular é uma causa importante de morbilidade e uma das principais causas de baixa visão monocular adquirida em crianças [1]. O principal objetivo deste estudo foi avaliar o outcome visual (melhor acuidade visual corrigida) pós-cirurgia no contexto de trauma ocular numa população pediátrica. Métodos | Realizou-se um estudo observacional retrospectivo de crianças com trauma ocular que se apresentaram no serviço de urgência de oftalmologia do Hospital de Santa Maria, entre 8 de agosto de 2008 e 31 de dezembro de 2022. Todas as crianças menores de 18 anos, que foram submetidas a cirurgia oftalmológica, foram incluídas. Foram recolhidos dados demográficos, follow-up, circunstâncias da lesão traumática, abordagem e melhor acuidade visual corrigida. As lesões oculares foram categorizadas utilizando o sistema Birmingham Eye Trauma Terminology (BETT) e o Paediatric Ocular Trauma Score (POTS) foi determinado. Resultados | Foram identificadas um total de 46 crianças. O rácio masculino:feminino foi de 1.6:1. A idade média foi de 8.57 (±5.01) anos. A maioria dos doentes (76,1%) tiveram lesão de globo aberto. O tipo de lesão incluiu penetração (45.7%), perfuração (13.0%), corpo estranho intraocular (CEIO) (17.4%), contusão (15.2%), ruptura (4.3%) e laceração lamelar (2.2%). As lesões cortantes foram documentadas em 47.7% dos casos, e as contusas em 24.0%. Foi realizada cirurgia de emergência na maioria das crianças, sutura corneoscleral em 82.6% delas. Mais de metade dos doentes (54.5%) tiveram diminuição leve/não tiveram diminuição da AV, 12.1% tiveram diminuição moderada e 33.4% tiveram diminuição grave/cegueira. A AV (logMAR) média final foi de 0.92 ± 1.1. Nesta amostra, 41.3% das crianças obtiveram um POTS do grupo 1, 32.6% do grupo 2, 19.6% do grupo 3 e 6.5% do grupo 5. A correlação entre o POTS e a AV final demonstrou uma má previsão da AV utilizando este score (o coeficiente de correlação de Pearson mostrou uma correlação linear negativa moderada (-0.312, p=0.06) e o coeficiente de correlação rho de Spearman indicou uma correlação negativa mais forte (-0.369, p=0.025)). 4 Conclusão | O traumatismo ocular em crianças permanece com mau prognóstico. Os rapazes em idade escolar ainda são os mais expostos, e as lesões são maioritariamente unilaterais. O trauma com objetos cortantes ocorre duas vezes mais frequentemente do que o trauma contuso. No entanto, este último demonstrou pior prognóstico. A AV inicial não é muitas vezes registada. O POTS subestima grosseiramente o resultado visual final. A melhor AV final corrigida foi favorável em mais da metade dos doentes e variou consoante o tipo e objeto do trauma, as estruturas afetadas e o número de cirurgias realizadas, embora sem significado estatístico. No entanto, um terço das crianças apresentou grave diminuição da AV/cegueira, o que apela à necessidade de implementação de medidas preventivas e de segurança pediátrica mais eficazes, bem como o estabelecimento de uma equipa de trauma ocular de ação rápida, garantindo o tratamento em tempo útil.
Autores principais:Araújo, Maria Leonor Caldeira de
Assunto:Traumatismo ocular pediátrico Lesão ocular penetrante Paediatric penetrating ocular trauma score (POTS) Acuidade visual Cirurgia oftalmológica Oftalmologia
Ano:2023
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:inglês
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:Introdução | O trauma ocular é uma causa importante de morbilidade e uma das principais causas de baixa visão monocular adquirida em crianças [1]. O principal objetivo deste estudo foi avaliar o outcome visual (melhor acuidade visual corrigida) pós-cirurgia no contexto de trauma ocular numa população pediátrica. Métodos | Realizou-se um estudo observacional retrospectivo de crianças com trauma ocular que se apresentaram no serviço de urgência de oftalmologia do Hospital de Santa Maria, entre 8 de agosto de 2008 e 31 de dezembro de 2022. Todas as crianças menores de 18 anos, que foram submetidas a cirurgia oftalmológica, foram incluídas. Foram recolhidos dados demográficos, follow-up, circunstâncias da lesão traumática, abordagem e melhor acuidade visual corrigida. As lesões oculares foram categorizadas utilizando o sistema Birmingham Eye Trauma Terminology (BETT) e o Paediatric Ocular Trauma Score (POTS) foi determinado. Resultados | Foram identificadas um total de 46 crianças. O rácio masculino:feminino foi de 1.6:1. A idade média foi de 8.57 (±5.01) anos. A maioria dos doentes (76,1%) tiveram lesão de globo aberto. O tipo de lesão incluiu penetração (45.7%), perfuração (13.0%), corpo estranho intraocular (CEIO) (17.4%), contusão (15.2%), ruptura (4.3%) e laceração lamelar (2.2%). As lesões cortantes foram documentadas em 47.7% dos casos, e as contusas em 24.0%. Foi realizada cirurgia de emergência na maioria das crianças, sutura corneoscleral em 82.6% delas. Mais de metade dos doentes (54.5%) tiveram diminuição leve/não tiveram diminuição da AV, 12.1% tiveram diminuição moderada e 33.4% tiveram diminuição grave/cegueira. A AV (logMAR) média final foi de 0.92 ± 1.1. Nesta amostra, 41.3% das crianças obtiveram um POTS do grupo 1, 32.6% do grupo 2, 19.6% do grupo 3 e 6.5% do grupo 5. A correlação entre o POTS e a AV final demonstrou uma má previsão da AV utilizando este score (o coeficiente de correlação de Pearson mostrou uma correlação linear negativa moderada (-0.312, p=0.06) e o coeficiente de correlação rho de Spearman indicou uma correlação negativa mais forte (-0.369, p=0.025)). 4 Conclusão | O traumatismo ocular em crianças permanece com mau prognóstico. Os rapazes em idade escolar ainda são os mais expostos, e as lesões são maioritariamente unilaterais. O trauma com objetos cortantes ocorre duas vezes mais frequentemente do que o trauma contuso. No entanto, este último demonstrou pior prognóstico. A AV inicial não é muitas vezes registada. O POTS subestima grosseiramente o resultado visual final. A melhor AV final corrigida foi favorável em mais da metade dos doentes e variou consoante o tipo e objeto do trauma, as estruturas afetadas e o número de cirurgias realizadas, embora sem significado estatístico. No entanto, um terço das crianças apresentou grave diminuição da AV/cegueira, o que apela à necessidade de implementação de medidas preventivas e de segurança pediátrica mais eficazes, bem como o estabelecimento de uma equipa de trauma ocular de ação rápida, garantindo o tratamento em tempo útil.