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Vivência parental da doença : estudo com pais de crianças e jovens sobreviventes de cancro

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O cancro infantil é um potencial stressor que coloca a criança, os pais e a família em risco de perturbação obrigando a adaptação, muito para além da fase de diagnóstico. Apesar da maioria dos pais conseguir viver de forma equilibrada, são de esperar momentos de sofrimento e consequências tardias da experiência. Objetivo: O objetivo geral deste estudo é descrever a vivência parental relativamente ao cancro dos filhos numa amostra de pais de crianças que terminaram o seu tratamento há mais de 3 anos. Participaram no estudo 5 casais com filhos entre os 8 e os 18 anos. Metodologia: Os pais responderam aos questionários Brief Symptom Inventory (BSI) e ao Parent Experience of Child Illness (PECI). Foi utilizada uma entrevista semiestruturada dirigida à fase do diagnóstico (F1) e à fase atual (F2), com as dimensões: (F1) reações emocionais; necessidades sentidas; implicações do diagnóstico, facilitadores/obstáculos de adaptação, estratégias de coping; e (F2) representação da doença, vivência atual, estratégias de coping; fontes sociais de suporte, e recomendações para pais que estão atualmente a experienciar a mesma situação. Resultados: Apontam para diferenças no estado emocional relatado pelos pais, num sentido de maior equilíbrio na fase atual. No entanto, a grande maioria, com maior prevalência de mães, refere sintomas de perturbação, ansiedade, maior vulnerabilidade emocional, e tristeza continuada. As estratégias de coping mais utilizadas são a reavaliação cognitiva, a procura de suporte, de informação e o planeamento na F1; a racionalização e aceitação emergem na F2, tendo sido observadas diferenças entre pais e mães. São apontados diversos facilitadores de adaptação destacando-se o apoio dentro do casal, a família e os profissionais de saúde. Os pais relatam consequências negativas de longo prazo para a família, para a criança e para si, mas referem igualmente consequências positivas da experiência, como crescimento pessoal e familiar. Conclusões: Os resultados mostram que, apesar do sofrimento, os pais procuram adaptar-se, normalizando a vivência da criança e da família desde a fase de diagnóstico. Para essa adaptação os pais recorrem a recursos próprios e do seu contexto, que são diferentes ao longo da vivência da doença. A fase posterior ao diagnóstico não é, no entanto, isenta de perturbação e de preocupações, pelo que estes pais devem ser acompanhados, muito para além na fase de diagnóstico.
Autores principais:Amorim, Inês Carolina Carvalho
Assunto:Estratégias de coping Cancro - Aspectos psicológicos Criança - Família Teses de mestrado - 2015
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O cancro infantil é um potencial stressor que coloca a criança, os pais e a família em risco de perturbação obrigando a adaptação, muito para além da fase de diagnóstico. Apesar da maioria dos pais conseguir viver de forma equilibrada, são de esperar momentos de sofrimento e consequências tardias da experiência. Objetivo: O objetivo geral deste estudo é descrever a vivência parental relativamente ao cancro dos filhos numa amostra de pais de crianças que terminaram o seu tratamento há mais de 3 anos. Participaram no estudo 5 casais com filhos entre os 8 e os 18 anos. Metodologia: Os pais responderam aos questionários Brief Symptom Inventory (BSI) e ao Parent Experience of Child Illness (PECI). Foi utilizada uma entrevista semiestruturada dirigida à fase do diagnóstico (F1) e à fase atual (F2), com as dimensões: (F1) reações emocionais; necessidades sentidas; implicações do diagnóstico, facilitadores/obstáculos de adaptação, estratégias de coping; e (F2) representação da doença, vivência atual, estratégias de coping; fontes sociais de suporte, e recomendações para pais que estão atualmente a experienciar a mesma situação. Resultados: Apontam para diferenças no estado emocional relatado pelos pais, num sentido de maior equilíbrio na fase atual. No entanto, a grande maioria, com maior prevalência de mães, refere sintomas de perturbação, ansiedade, maior vulnerabilidade emocional, e tristeza continuada. As estratégias de coping mais utilizadas são a reavaliação cognitiva, a procura de suporte, de informação e o planeamento na F1; a racionalização e aceitação emergem na F2, tendo sido observadas diferenças entre pais e mães. São apontados diversos facilitadores de adaptação destacando-se o apoio dentro do casal, a família e os profissionais de saúde. Os pais relatam consequências negativas de longo prazo para a família, para a criança e para si, mas referem igualmente consequências positivas da experiência, como crescimento pessoal e familiar. Conclusões: Os resultados mostram que, apesar do sofrimento, os pais procuram adaptar-se, normalizando a vivência da criança e da família desde a fase de diagnóstico. Para essa adaptação os pais recorrem a recursos próprios e do seu contexto, que são diferentes ao longo da vivência da doença. A fase posterior ao diagnóstico não é, no entanto, isenta de perturbação e de preocupações, pelo que estes pais devem ser acompanhados, muito para além na fase de diagnóstico.