| Resumo: | Introdução: A perda perinatal engloba toda e qualquer perda de um ou mais fetos ou bebés durante o período gestacional, o momento do parto e os primeiros dias de vida. A perda perinatal é um evento traumático, inesperado, complexo e intensamente negativo que desencadeia na família um conjunto de processos de luto. O impacto psicológico, físico e social pode ser duradouro e afetar gravidezes subsequentes. É importante implementar recursos de apoio psicológico ao luto que se distingue na sua especificidade pela falta de memórias associadas ao bebé e pela falta de reconhecimento e apoio social. Considerando a importância do apoio e aceitação social e a motivação para os mesmos, importa investigar a perceção da população em geral face ao impacto da perda gestacional ou perinatal no bemestar. Objetivos: Compreensão da influência de fatores sociodemográficos e clínicos na perceção, da população geral, sobre o impacto da perda gestacional ou perinatal no bemestar. Hipóteses: Os fatores sociodemográficos e clínicos influenciam a perceção, da população geral, sobre o impacto da perda gestacional ou perinatal no bem-estar. Participantes: A recolha foi realizada com recurso à plataforma Qualtrics. Devido à fraca adesão de participantes masculinos, o presente estudo apenas conta com participantes do sexo feminino. Mulheres portuguesas (N = 176), entre 18 e 76 anos de idade, entre 4 e 23 anos de estudo com sucesso, entre 0 e 4 filhos, 0 e 5 gravidezes e 0 a 3 perdas gestacionais ou perinatais anteriores. Instrumentos: Questionário Sociodemográfico e Clínico; Questionário da Perceção do Impacto da Perda Gestacional ou Perinatal no Bem-Estar. Este questionário, desenvolvido para o presente estudo, após análises fatoriais e de consistência interna, utiliza 17 itens e 3 subescalas: perceção do sofrimento velado, sofrimento manifesto e gravidade do sofrimento. Além disso, os 17 itens oferecem uma escala total. Resultados: As variáveis sociodemográficas e clínicas em causa – ter filhos, ter história pessoal de perda gestacional ou perinatal, ter menos anos de estudo concluídos com sucesso, ter mais idade, ter parceiro, ter maior número de perdas gestacionais ou perinatais, ter história pessoal de gravidez, ter maior número de gravidezes, não ser estudante e ter ocupação profissional – influenciam a perceção do impacto da perda gestacional ou perinatal no bem-estar, quer de forma direta ou nas suas diferentes dimensões de perceção da gravidade do sofrimento, do sofrimento psicológico velado e manifesto. Conclusão: Mulheres com mais experiência de vida e vivência do ciclo reprodutivo são mais sensíveis ao impacto da perda gestacional ou perinatal no bem-estar no geral e particularmente ao sofrimento velado. |