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Imunoterapia e cancro

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Resumo:O cancro é uma doença proliferativa com uma forte componente genética, na medida em que resulta da ocorrência de mutações nas células que se tornam incapazes de controlar os processos de crescimento, desenvolvimento, diferenciação, reparação, divisão e morte celular dividindo-se indefinidamente, acumulando-se e formando tumores que para além de impedirem o funcionamento adequado dos tecidos onde se formam podem ainda metastizar e atingir ouros órgãos. Desde sempre a medicina procurou combater e controlar esta doença e muitas foram as alternativas terapêuticas que surgiram ao longo dos anos, mas só muito raramente estas terapêuticas conseguiram o seu objetivo principal: a cura dos doentes e a manutenção da sua qualidade de vida. O facto das células cancerígenas serem muito semelhantes às células normais, dá-lhes a capacidade de ludibriar os sistemas de defesa, usando-os muitas vezes para continuar a proliferar. Nos últimos anos, no entanto, surgiu um conjunto de terapêuticas cujo denominador comum é dotar o sistema imunitário de meios que lhe permitam não só combater as células tumorais como fazê-lo sem agredir, ou agredindo o menos possível, as células normais. A imunoterapia é uma alternativa terapêutica em grande desenvolvimento e ao longo deste trabalho penso ter abordado as diferentes classes de medicamentos de imunoterapia, o seu modo de ação e as indicações terapêuticas, assim como os fármacos que se encontram disponíveis para cada uma destas indicações. Foi possível verificar que mesmo as classes mais antigas como as citocinas, continuam a ser utilizadas, ainda que muitas vezes em associação, e que os grupos mais recentes, os inibidores de Checkpoint e as terapêuticas de transferência celular adotiva têm tido resultados bastante promissores e têm ainda uma enorme margem de progressão. No final deste trabalho foi possível concluir que nunca estivemos tão próximos de conseguir curar, ou pelo menos manter em remissão o cancro, apesar de existirem ainda muitos desafios para superar como seja alargar a imunoterapia a um maior número de doentes e tipos de cancro, nomeadamente as últimas terapias com células CAR T, que de momento apenas se aplicam aos tumores líquidos e para as quais já há ensaios em tumores sólidos.
Autores principais:Reforço, Susana Maria Sequeira Lopes da Fonseca
Assunto:Cancro Tratamento do cancro Imunoterapia Mestrado Integrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:O cancro é uma doença proliferativa com uma forte componente genética, na medida em que resulta da ocorrência de mutações nas células que se tornam incapazes de controlar os processos de crescimento, desenvolvimento, diferenciação, reparação, divisão e morte celular dividindo-se indefinidamente, acumulando-se e formando tumores que para além de impedirem o funcionamento adequado dos tecidos onde se formam podem ainda metastizar e atingir ouros órgãos. Desde sempre a medicina procurou combater e controlar esta doença e muitas foram as alternativas terapêuticas que surgiram ao longo dos anos, mas só muito raramente estas terapêuticas conseguiram o seu objetivo principal: a cura dos doentes e a manutenção da sua qualidade de vida. O facto das células cancerígenas serem muito semelhantes às células normais, dá-lhes a capacidade de ludibriar os sistemas de defesa, usando-os muitas vezes para continuar a proliferar. Nos últimos anos, no entanto, surgiu um conjunto de terapêuticas cujo denominador comum é dotar o sistema imunitário de meios que lhe permitam não só combater as células tumorais como fazê-lo sem agredir, ou agredindo o menos possível, as células normais. A imunoterapia é uma alternativa terapêutica em grande desenvolvimento e ao longo deste trabalho penso ter abordado as diferentes classes de medicamentos de imunoterapia, o seu modo de ação e as indicações terapêuticas, assim como os fármacos que se encontram disponíveis para cada uma destas indicações. Foi possível verificar que mesmo as classes mais antigas como as citocinas, continuam a ser utilizadas, ainda que muitas vezes em associação, e que os grupos mais recentes, os inibidores de Checkpoint e as terapêuticas de transferência celular adotiva têm tido resultados bastante promissores e têm ainda uma enorme margem de progressão. No final deste trabalho foi possível concluir que nunca estivemos tão próximos de conseguir curar, ou pelo menos manter em remissão o cancro, apesar de existirem ainda muitos desafios para superar como seja alargar a imunoterapia a um maior número de doentes e tipos de cancro, nomeadamente as últimas terapias com células CAR T, que de momento apenas se aplicam aos tumores líquidos e para as quais já há ensaios em tumores sólidos.