| Resumo: | O género Salvia inclui mais de 900 espécies que fazem parte da flora endémica de várias regiões do mundo e é conhecido desde a Antiguidade pelas suas propriedades medicinais. Na Europa, a espécie Salvia officinalis L. (salva) é usada há séculos para diferentes fins, entre os quais o tratamento da demência e a melhoria da memória. Neste trabalho descrevem-se os constituintes maioritários e a actividade biológica dos extractos da parte aérea de Salvia sclareoides Brot., uma espécie endémica da Península Ibérica. O estudo fitoquímico da planta permitiu o isolamento de um novo composto, o 1β,3β-lup-20(29)-ene-1,3,30-triol, e de ácido ursólico, 1β,2β-lup-20(29)-ene- 1,3-diol, nepeticina, nepetidina, 1β,11α-di-hidroxi-lup-20(29)-en-3-ona, hederagenina e ácido sumaresinólico. Os cinco últimos compostos foram identificados nesta planta pela primeira vez enquanto a nepetidina e o ácido sumaresinólico são novos em espécies de Salvia. O conteúdo total de fenóis foi determinado pelo método de Folin-Ciocalteau. A análise dos extractos por HPLC-DAD permitiu identificar diversos ácidos fenólicos e os flavonóides rutina, quercitina, O-glucósido de canferol e catequina. Investigou-se actividade fitotóxica, insecticida e antifúngica do extracto em acetona que inibiu significativamente o crescimento de Botrytis cinerea e Erisiphe graminis (85-95%) embora não tenha revelado qualquer efeito fitotóxico ou insecticida. Tendo em vista a avaliação do seu potencial medicinal, procedeu-se ao estudo da actividade anticolinesterásica de vários extractos desta planta, usando acetilcolinesterase e butirilcolinesterase, enzimas que têm um papel crucial no desenvolvimento da doença de Alzheimer. Verificou-se que alguns extractos, com a concentração de 1000 μg/mL, inibem completamente as duas enzimas e que, à concentração de 10 μg/mL, ainda se regista inibição enzimática, contrariamente ao que acontece com a rivastigmina, medicamento usado no tratamento da doença de Alzheimer, que não tem qualquer acção na acetilcolinesterase, com esta concentração. A actividade antioxidante foi avaliada pelos métodos de DPPH e β-caroteno/ácido linoleico, sendo mais eficiente o extracto em butanol (IC50 7,9 μg/mL, DPPH). Os testes de toxicidade efectuados, utilizando células de leucemia humana K562 (viabilidade celular) e linfócitos humanos (genotoxicidade), não revelaram qualquer toxicidade dos extractos. Os resultados do trabalho agora apresentados sugerem que S. sclareoides poderá ser usada como alimento funcional e que se deve prosseguir a investigação do seu potencial no âmbito da prevenção e tratamento da doença de Alzheimer. As lactonas sesquiterpénicas possuem uma apreciável diversidade de actividades biológicas, nomeadamente, propriedades antitumorais. O presente trabalho reporta os resultados do estudo fitoquímico das fracções biologicamente activas resultantes do fraccionamento do extracto em clorofórmio de Asteriscus vogelii (Webb.) Walp. que permitiram o isolamento de um composto novo, a (2Z)-8-oxo-6,7,9,10-tetra-hidro-humul-2-en-12,1-olida, das asteriscunolidas A, C e D e dos ácidos (2Z,6Z,9E)-8-oxo-humula-2,6,9-trien- 12-óico, (2Z,6E,9Z)-8-oxo-humula-2,6,9-trien-12-óico e (2Z,6E,9E)-8-oxohumula- 2,6,9-trien-12-óico, caracterizados na forma dos respectivos ésteres metílicos. O estudo da actividade fitotóxica revelou uma actividade significativa das asteriscunolidas C e D em culturas de Lemna paucicostata (lentilha-d’água). O estudo da actividade citotóxica em linhas celulares P-388 (linfoma de ratinhos), A-549 (carcinoma do pulmão humano) e MEL-28 (melanoma humano) e HT-29 (carcinoma do cólon humano) evidenciou bons resultados, particularmente, para as asteriscunolidas A, C e D com valores de IC50 inferiores aos da cisplatina usada no tratamento do cancro. |