| Resumo: | O acentuado declínio da natalidade, e o aumento da esperança de vida tomou o envelhecimento num problema actual e prioritário. Os dados estatísticos revelam a importância do espaço que o universo da população idosa ocupa na nossa estrutura demográfica. A vulnerabilidade do idoso em contrair doenças leva-o a ser cliente assíduo dos serviços de saúde. As atitudes dos enfermeiros influenciam o modo como cuidam dos idosos. Atitudes estereotipadas sobre o idoso, por parte dos enfermeiros, podem prejudicar o idoso, na medida que este assimila as imagens estereotipadas que os outros têm dele. Por outro lado, na interacção com o idoso os estereótipos negativos podem ser activados, pelas características físicas que caracterizam o envelhecimento e pela comunicação verbal e não verbal. Esta reciprocidade leva a sentimentos que não favorecem o idoso, como pessoa no seu projecto de vida. Daí surgir a necessidade de conhecer as atitudes dos enfermeiros para com os idosos, como é que as características sócio - demográficas e profissionais destes influenciam tais atitudes e quais as repercussões dessas mesmas atitudes no tipo de cuidados que são prestados pelos enfermeiros. A pesquisa realizada concretizou-se através de um estudo descritivo e exploratório, originando dois estudos: o estudo 1, realizado com uma amostra de 672 enfermeiros que responderam à Escala de Atitudes de Kogan para com Pessoas Idosas (AKPI) e o estudo 2 realizado com uma amostra de 20 enfermeiros retirados do estudo 1 , que foram observados durante uma situação de cuidados a um idoso, registando-se o comportamento de ambos, permitindo conhecer as atitudes dos enfermeiros e a implicação nos cuidados que prestam. Quisemos também conhecer a posição destes enfermeiros face à velhice. Verificámos que os enfermeiros do estudo 1 têm atitudes ligeiramente mais favoráveis nas áreas que a Escala AKPI avalia relativamente à população com que se realizou o estudo do instrumento, para adaptação da referida Escala à população portuguesa; as suas atitudes são influenciadas pelas características sócio - demográficas e psicossociais tais como grupo etário, habilitações académicas, área em que exercem funções, categoria profissional e local onde trabalham. No estudo 2, verificou-se, pela observação do comportamento do enfermeiro e do idoso que o comportamento do enfermeiro reflecte a ocorrência de mais atitudes negativas - Doente Objecto - com 5 subcategorias (ignora, trabalha mecanicamente, exerce a autoridade, infantiliza e desvaloriza) do que atitudes positivas - Doente Pessoa - com 1 subscategoria (respeito). Verificou-se reciprocidade entre o comportamento do enfermeiro e a resposta comportamental do idoso face ao comportamento daquele. Os idosos do estudo reagiram com comportamento emocionalmente negativo- com 3 subcategorias (insatisfação, submissão e recusa), emocionalmente positivo neutro - com 2 subcategorias (admiração e indiferença), emocionalmente positivo - com 2 subcategorias (colaboração e satisfação) e comportamento emocionalmente neutro - 1 subcategoria (observa). Os resultados deste estudo 2 sustentam que as atitudes destes 20 enfermeiros são influenciadas por duas características sócio - demográficas: tempo na profissão e o serviço onde trabalham. Os enfermeiros com o tempo médio de 7.8 A de profissão têm atitudes menos favoráveis e os enfermeiros que trabalham em serviços da área cirúrgica, também têm atitudes menos favoráveis para com os idosos. As atitudes dos enfermeiros não variam em função da sua posição face à velhice. |