| Resumo: | O diagnóstico de neoplasia nos animais de companhia é caracterizado por uma abordagem pessimista na prática clínica pelos médicos veterinários. A prevalência da doença é crescente, proporcionalmente à maior longevidade dos nossos animais, dados os melhores cuidados de saúde médico-veterinários disponíveis atualmente. Infelizmente, as terapias convencionais para a doença neoplásica têm efeitos secundários limitantes da qualidade de vida e a maior parte das vezes acabam por não ser uma solução curativa. Torna-se prioritário o esforço da compreensão, controlo e erradicação desta doença nos nossos animais, e a necessária introdução desta temática ainda pouco difundida entre a comunidade médico-veterinária. A imunoterapia em oncologia humana progride rapidamente e o entusiasmo crescente em relação a esta alternativa é partilhado pelos investigadores oncologistas veterinários. Aliando-se da capacidade de diferenciar as células tumorais das células normais, o objetivo deste tipo de terapia é a destruição de células tumorais, através da administração de anticorpos monoclonais ou linfócitos reativos ao tumor, e o desencadear ou o potenciar de respostas imunitárias específicas ao tumor, através da administração de vacinas ou adjuvantes da resposta imunitária. Em três canídeos com linfoma de células B gigantes de alto grau de malignidade, no Hospital-Escolar da Faculdade de Medicina Veterinária, foi associada ao protocolo de quimioterapia de 25 semanas baseado no CHOP modificado da Universidade Wisconsin-Madison, a vacina APAVAC®. Não foram verificados efeitos adversos à administração da vacina, e os tempos de sobrevida total dos pacientes foram de 936 dias para o paciente I (estadio IIIa), 503 dias para o paciente II (estadio IIIa), e 549 dias para o paciente III (estadio IIIb). Apesar de um tempo de sobrevida superior ao descrito na literatura, o reduzido número de casos (n=3), não possibilitou uma avaliação efetiva do benefício clínico da quimio-imunoterapia. Não obstante, o potencial da quimio-imunoterapia no âmbito da oncologia veterinária implica novos desafios para a comunidade científica, preconizando-se a realização de estudos de qualidade, com ferramentas indicadas para a avaliação do benefício clínico, cujos resultados possibilitem a seleção dos melhores candidatos à terapêutica, e uma integração estratégica das duas vertentes terapêuticas, com a reprogramação do microambiente tumoral favoravelmente à atuação do sistema imunitário contra a doença. |