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Essa terra que tomo de conta : parentesco e territorialidade na Zona da Mata de Pernambuco

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A presente dissertação propõe entender como se constitui um assentamento rural ao longo do tempo, enfatizando a forma como a terra tem sido incorporada nos projectos familiares dos antigos moradores e trabalhadores assalariados de engenhos da cana na Zona da Mata de Pernambuco no Brasil. Procuro situar a problemática da apropriação da terra e das relações familiares subjacentes à conjugalidade, ao género e à transmissão da terra nas novas dinâmicas sociais e territoriais decorrentes do processo de reforma agrária. Para tal, parto das experiências vividas dos habitantes de um assentamento rural criado em 1998 onde realizei trabalho de campo com observação participante e proponho perceber como as suas biografias se inscrevem na história da terra contribuindo para o conhecimento desta fase histórica de reorganização do mundo rural brasileiro. A análise da territorialidade dentro dos assentamentos tem em conta as continuidades e rupturas que estabelece com o espaço do engenho, fazendo uma problematização da preponderância da unidade familiar tanto na presente concepção de reforma agrária, como nas antigas lógicas de trabalho e de residência que permanecem como referentes muito fortes para a maior parte da população. Mediante diferentes regimes de valor da terra em confronto, procuro enquadrar a discussão antropológica em torno dos conceitos de territorialidade, propriedade e posse da terra e compreender as práticas e os vários significados locais que o parentesco encapsula neste contexto, tendo nas casas e na terra uma chave para compreender a vivência quotidiana das relações entre parentes.
Autores principais:Micaelo, Ana Luísa
Assunto:Teses de doutoramento - 2014
Ano:2014
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa
Descrição
Resumo:A presente dissertação propõe entender como se constitui um assentamento rural ao longo do tempo, enfatizando a forma como a terra tem sido incorporada nos projectos familiares dos antigos moradores e trabalhadores assalariados de engenhos da cana na Zona da Mata de Pernambuco no Brasil. Procuro situar a problemática da apropriação da terra e das relações familiares subjacentes à conjugalidade, ao género e à transmissão da terra nas novas dinâmicas sociais e territoriais decorrentes do processo de reforma agrária. Para tal, parto das experiências vividas dos habitantes de um assentamento rural criado em 1998 onde realizei trabalho de campo com observação participante e proponho perceber como as suas biografias se inscrevem na história da terra contribuindo para o conhecimento desta fase histórica de reorganização do mundo rural brasileiro. A análise da territorialidade dentro dos assentamentos tem em conta as continuidades e rupturas que estabelece com o espaço do engenho, fazendo uma problematização da preponderância da unidade familiar tanto na presente concepção de reforma agrária, como nas antigas lógicas de trabalho e de residência que permanecem como referentes muito fortes para a maior parte da população. Mediante diferentes regimes de valor da terra em confronto, procuro enquadrar a discussão antropológica em torno dos conceitos de territorialidade, propriedade e posse da terra e compreender as práticas e os vários significados locais que o parentesco encapsula neste contexto, tendo nas casas e na terra uma chave para compreender a vivência quotidiana das relações entre parentes.