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Caracterização da fração glicídica do adesivo produzido pelos pés ambulacrários do ouriço do mar Paracentrotus lividus

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Resumo:Os ouriços do mar possuem centenas de órgãos adesivos especializados, os pés ambulacrários, que desempenham um papel fundamental na locomoção, fixação ao substrato e na captura de alimento. Os pés ambulacrários possuem uma forma cilíndrica, sendo compostos por duas unidades funcionais. O caule é cilíndrico, está ligado à carapaça e permite a realização de vários movimentos, pois é móvel e flexível. O disco é achatado, encontra-se na zona mais distal do caule e é essencial no contacto e na adesão ao substrato. Este possuí uma epiderme duo-glandular que produz secreções adesivas e “desadesivas”, através das quais os pés ambulacrários se colam e descolam repetidamente do substrato. Apesar de forte, o adesivo dos ouriços do mar é reversível e possuí uma resistência superior quando comparado a adesivos sintéticos especialmente em ambientes aquosos, podendo vir a ter aplicações em biomedicina (ex. adesivo cirúrgico) ou em engenharia de tecidos (ex. promotor de adesão celular). Devido ao crescente interesse pelos adesivos biomiméticos têm-se realizado vários estudos para caracterizar o adesivo dos ouriços do mar, sabendo-se até à data que não só possui uma componente proteica, mas também uma componente glicídica. A fração proteica tem sido alvo de diversos estudos que permitiram identificar algumas proteínas responsáveis pela adesão, polimerização do adesivo e “desadesão” dos ouriços do mar. Ao contrário da fração proteica, pouco se sabe sobre a fração glicídica e até à data apenas foram quantificados os açucares neutros (1.2%). Este projeto pretendeu dar uma contribuição nesse sentido, focando-se no estudo da fração glicídica do adesivo secretado pelos pés ambulacrários do ouriço do mar Paracentrotus lividus (Lamarck, 1816), com recurso a uma bateria de 22 lectinas que foram aplicadas em 3 metodologias complementares (Enzyme-linked lectin assay, lectin blotting e histoquímica com lectinas). Das lectinas testadas apenas 5 marcaram exclusivamente a epiderme adesiva e em simultâneo o adesivo secretado, sendo por isso as mais relevantes para a compreensão da adesão reversível dos ouriços do mar. Através das diferentes metodologias foi possível determinar que a componente glicídica do adesivo contem N-acetilglucosamina livre, e pelo menos três glicoproteínas com massas moleculares de 72, 135 e > 180 kDa com resíduos de N-acetilglucosamina, ácido siálico e N-acetilgalactosamina. A presença de glícidos na secreção adesiva de vários animais marinhos e terrestres, revela a importância destes para a sua adesão. Pensa-se que os glícidos conferem aos adesivos elevada resistência, coesão adesiva, e proteção contra a degradação por exo- e endo-proteases, sendo particularmente importantes para a compreensão do funcionamento dos adesivos reversíveis, como os adesivos do ouriço do mar, uma vez que são maioritariamente compostos por proteínas e glícidos, ao contrário dos adesivos permanentes que são compostos quase exclusivamente por proteínas.
Autores principais:Simão, Mariana Dias
Assunto:Ouriço do mar Paracentrotus lividus Glícidos Lectinas Adesivo biomimético Teses de mestrado - 2019
Ano:2019
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Lisboa
Idioma:português
Origem:Repositório da Universidade de Lisboa

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