Publicação
Análise quantitativa de metais contaminantes em adoçantes comercializados em Portugal
| Resumo: | Os aditivos alimentares são substâncias que se adicionam intencionalmente aos alimentos com o propósito de desempenharem determinadas funções tecnológicas, tais como, proteger de oxidações, dificultar o desenvolvimento de microrganismos, enriquecer em nutrientes, manter, modificar ou melhorar a aparência e o sabor. Um exemplo de aditivos e sobre o qual este trabalho se vai reflectir são os edulcorantes que são usados para conferir sabor doce aos alimentos. Esta família de aditivos compreende os que são adicionados aos alimentos em substituição do açúcar, e os que são comercializados como edulcorantes de mesa. Em geral, estes aditivos ao contrário da sacarose não são degradados pelos microrganismos causadores de cáries e placa bacteriana, e têm um baixo índice glicémico, podendo ser consumidos pelos doentes diabéticos. Existem dois tipos de edulcorantes, os polióis ou nutritivos e os edulcorantes intensos ou não nutritivos, que se distinguem fundamentalmente pelo poder adoçante. Os polióis como o maltitol, xilitol ou isomaltitol têm um poder adoçante menor que a sacarose e um valor calórico próximo da sacarose. Os edulcorantes intensos têm poder adoçante muito superior ao da sacarose, designadamente o aspartame ou a sacarina e são aproximadamente 200 vezes ou 300-500 vezes respectivamente, mais doces que a sacarose. É possível que espécies metálicas façam parte da constituição dos edulcorantes seja qual for a sua origem (naturais ou artificiais), pois alguns são extraídos de plantas e além disso, o processamento industrial a que estão sujeitos, pode contaminar o produto final devido a fontes inerentes ao processamento. Alguns processos de síntese empregam reagentes inorgânicos e além disso, as partes dos equipamentos que entram em contacto com o produto são, geralmente de aço inoxidável e, dependendo das propriedades do produto, como composição e pH, pode ocorrer migração de elementos como As, Cd, Al, Fe, Se, Pb e Ni do aço para o edulcorante. Os metais são constituintes naturais da crosta terrestre, estando amplamente espalhados na natureza. Alguns metais, são tóxicos em determinadas concentrações e têm tendência a acumular-se nos organismos vivos ao longo do tempo, constituindo um risco para a saúde humana. A principal via de exposição humana aos metais, é através da alimentação devido ao consumo de vegetais, frutos, peixe ou marisco contaminados a partir do solo ou da água. Os efeitos tóxicos dos metais estão amplamente estudados e dependendo do metal assim os efeitos observados que podem ir desde dificuldades no crescimento e desenvolvimento, cancro, danos no sistema nervoso, entre outros, sendo as crianças particularmente sensíveis. Embora os adoçantes não sejam consumidos como alimentos, isto é como fonte de nutrientes, o seu uso contínuo na dieta alimentar pode contribuir para a acumulação de metais no organismo se estes estiverem presentes nos adoçantes. Sendo Portugal um país pertencente à União Europeia é de todo o interesse que seja feita a análise da presença de metais neste tipo de aditivo para ir de encontro com a Directiva 2008/60/CE da Comissão que estabelece para os países membros os critérios de pureza específicos dos edulcorantes. As amostras de adoçantes em estudo, foram adquiridas no mercado português e são representativas dos tipos de edulcorantes que existem em Portugal. Foram desenvolvidas duas metodologias para a determinação de metais em concentrações vestigiais em função das características dos mesmos. Assim utilizou-se espectrofotómetria com atomização electrotérmica para a determinação de chumbo, cádmio, níquel e alumínio e espectrofotómetria de absorção atómica com gerador de hidretos para o arsénio e selénio. O uso destas duas técnicas deve-se às diferentes propriedades físicas dos elementos em questão nomeadamente o arsénio e o selénio por serem compostos mais voláteis. Os métodos foram validados de acordo com as recomendações da Relacre. Nestas condições, obteve-se linearidade na gama de concentrações estudadas, calcularam-se os valores dos limites de detecção e de quantificação, os coeficientes de variação para a repetibilidade e precisão intermédia que apresentam valores inferiores a 5% e os ensaios de recuperação revelam valores próximos de 100% para os metais chumbo, cádmio, níquel e alumínio. Os valores obtidos para os metais encontram-se abaixo dos valores estabelecidos pela Directiva 2008/60/CE de 17 de Junho. Para proceder a esta determinação foi necessário fazer o estudo das condições de trabalho, desde a preparação da amostra (digestão ácida mais eficiente) e dos parâmetros instrumentais, como programas de temperatura no caso do uso de atomização electrotérmica e optimização de tempos de reacção no caso de se usar gerador de hidretos. |
|---|---|
| Autores principais: | Henriques, Marco António Tomé |
| Assunto: | Teses de mestrado Toxicologia Metais |
| Ano: | 2010 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso restrito |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Os aditivos alimentares são substâncias que se adicionam intencionalmente aos alimentos com o propósito de desempenharem determinadas funções tecnológicas, tais como, proteger de oxidações, dificultar o desenvolvimento de microrganismos, enriquecer em nutrientes, manter, modificar ou melhorar a aparência e o sabor. Um exemplo de aditivos e sobre o qual este trabalho se vai reflectir são os edulcorantes que são usados para conferir sabor doce aos alimentos. Esta família de aditivos compreende os que são adicionados aos alimentos em substituição do açúcar, e os que são comercializados como edulcorantes de mesa. Em geral, estes aditivos ao contrário da sacarose não são degradados pelos microrganismos causadores de cáries e placa bacteriana, e têm um baixo índice glicémico, podendo ser consumidos pelos doentes diabéticos. Existem dois tipos de edulcorantes, os polióis ou nutritivos e os edulcorantes intensos ou não nutritivos, que se distinguem fundamentalmente pelo poder adoçante. Os polióis como o maltitol, xilitol ou isomaltitol têm um poder adoçante menor que a sacarose e um valor calórico próximo da sacarose. Os edulcorantes intensos têm poder adoçante muito superior ao da sacarose, designadamente o aspartame ou a sacarina e são aproximadamente 200 vezes ou 300-500 vezes respectivamente, mais doces que a sacarose. É possível que espécies metálicas façam parte da constituição dos edulcorantes seja qual for a sua origem (naturais ou artificiais), pois alguns são extraídos de plantas e além disso, o processamento industrial a que estão sujeitos, pode contaminar o produto final devido a fontes inerentes ao processamento. Alguns processos de síntese empregam reagentes inorgânicos e além disso, as partes dos equipamentos que entram em contacto com o produto são, geralmente de aço inoxidável e, dependendo das propriedades do produto, como composição e pH, pode ocorrer migração de elementos como As, Cd, Al, Fe, Se, Pb e Ni do aço para o edulcorante. Os metais são constituintes naturais da crosta terrestre, estando amplamente espalhados na natureza. Alguns metais, são tóxicos em determinadas concentrações e têm tendência a acumular-se nos organismos vivos ao longo do tempo, constituindo um risco para a saúde humana. A principal via de exposição humana aos metais, é através da alimentação devido ao consumo de vegetais, frutos, peixe ou marisco contaminados a partir do solo ou da água. Os efeitos tóxicos dos metais estão amplamente estudados e dependendo do metal assim os efeitos observados que podem ir desde dificuldades no crescimento e desenvolvimento, cancro, danos no sistema nervoso, entre outros, sendo as crianças particularmente sensíveis. Embora os adoçantes não sejam consumidos como alimentos, isto é como fonte de nutrientes, o seu uso contínuo na dieta alimentar pode contribuir para a acumulação de metais no organismo se estes estiverem presentes nos adoçantes. Sendo Portugal um país pertencente à União Europeia é de todo o interesse que seja feita a análise da presença de metais neste tipo de aditivo para ir de encontro com a Directiva 2008/60/CE da Comissão que estabelece para os países membros os critérios de pureza específicos dos edulcorantes. As amostras de adoçantes em estudo, foram adquiridas no mercado português e são representativas dos tipos de edulcorantes que existem em Portugal. Foram desenvolvidas duas metodologias para a determinação de metais em concentrações vestigiais em função das características dos mesmos. Assim utilizou-se espectrofotómetria com atomização electrotérmica para a determinação de chumbo, cádmio, níquel e alumínio e espectrofotómetria de absorção atómica com gerador de hidretos para o arsénio e selénio. O uso destas duas técnicas deve-se às diferentes propriedades físicas dos elementos em questão nomeadamente o arsénio e o selénio por serem compostos mais voláteis. Os métodos foram validados de acordo com as recomendações da Relacre. Nestas condições, obteve-se linearidade na gama de concentrações estudadas, calcularam-se os valores dos limites de detecção e de quantificação, os coeficientes de variação para a repetibilidade e precisão intermédia que apresentam valores inferiores a 5% e os ensaios de recuperação revelam valores próximos de 100% para os metais chumbo, cádmio, níquel e alumínio. Os valores obtidos para os metais encontram-se abaixo dos valores estabelecidos pela Directiva 2008/60/CE de 17 de Junho. Para proceder a esta determinação foi necessário fazer o estudo das condições de trabalho, desde a preparação da amostra (digestão ácida mais eficiente) e dos parâmetros instrumentais, como programas de temperatura no caso do uso de atomização electrotérmica e optimização de tempos de reacção no caso de se usar gerador de hidretos. |
|---|