Publicação
Função endotelial e a sua relação com a composição da placa aterosclerótica
| Resumo: | A aterosclerose é a principal causa das doenças cardiovasculares. Caracteriza-se pelo desenvolvimento do ateroma na parede arterial que progressivamente contribui para a sua disfunção. A doença coronária aguda é a manifestação mais gravosa da aterosclerose, pois por ser causadora de enfartes agudos do miocárdio contribui significativamente para a taxa de mortalidade e morbilidade associada àquela patologia. A activação, proliferação, diferenciação e apoptose celulares, são os processos que contribuem para o crescimento da placa e sua instabilidade, podendo culminar na sua ruptura com subsequente trombose coronária, sendo esta muitas vezes a primeira manifestação clínica da doença. A inacessibilidade das artérias torna o estudo da função endotelial com base na avaliação de factores de crescimento, uma abordagem inovadora no âmbito das patologias associadas à doença coronária. O objectivo principal deste trabalho foi o de avaliar o papel do VEGF a nível sistémico como indicador da função endotelial na doença coronária e estabelecer a sua possível relação com as características biológicas da placa obtidas por VH IVUS. Desta maneira, foram estabelecidas inter-relações entre os vários parâmetros de caracterização da placa, factores de risco, leucócitos e VEGF em circulação. Apesar da grande variabilidade observada nas concentrações de VEGF sérico, estas relacionaram-se com os triglicéridos e com parâmetros de inflamação, como a concentração de CRP e o número de leucócitos. Verificou-se que, os maiores níveis de VEGF se associavam às placas de ateroma com percentagem de tecido fibrótico superior a 65% e àquelas com menores percentagens de cálcio, o que sugere o seu envolvimento na proliferação do ateroma. Também o aumento do número de leucócitos se associou a maiores percentagens de tecido fibrótico e menores de fibrolipídico e a uma maior estenose do vaso. A estenose associou-se ao sexo masculino e aos indivíduos com maiores concentrações de NT-proBNP. Observou-se ainda que para percentagens elevadas de cálcio no ateroma, a quantidade de lípidos em circulação diminuía. Este estudo, sugerindo o envolvimento do VEGF na permeabilidade, adesão e proliferação celulares, permitiu confirmar a importância da determinação daquele factor na doença coronária e a sua relevância na relação com as características da placa aterosclerótica. Assim, a potencialidade do VEGF como um biomarcador da doença das artérias coronárias, deve continuar a ser aprofundada. |
|---|---|
| Autores principais: | Borges, Lara Gameira |
| Assunto: | Bioquímica Aterosclerose Marcadores biológicos Teses de mestrado |
| Ano: | 2009 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | A aterosclerose é a principal causa das doenças cardiovasculares. Caracteriza-se pelo desenvolvimento do ateroma na parede arterial que progressivamente contribui para a sua disfunção. A doença coronária aguda é a manifestação mais gravosa da aterosclerose, pois por ser causadora de enfartes agudos do miocárdio contribui significativamente para a taxa de mortalidade e morbilidade associada àquela patologia. A activação, proliferação, diferenciação e apoptose celulares, são os processos que contribuem para o crescimento da placa e sua instabilidade, podendo culminar na sua ruptura com subsequente trombose coronária, sendo esta muitas vezes a primeira manifestação clínica da doença. A inacessibilidade das artérias torna o estudo da função endotelial com base na avaliação de factores de crescimento, uma abordagem inovadora no âmbito das patologias associadas à doença coronária. O objectivo principal deste trabalho foi o de avaliar o papel do VEGF a nível sistémico como indicador da função endotelial na doença coronária e estabelecer a sua possível relação com as características biológicas da placa obtidas por VH IVUS. Desta maneira, foram estabelecidas inter-relações entre os vários parâmetros de caracterização da placa, factores de risco, leucócitos e VEGF em circulação. Apesar da grande variabilidade observada nas concentrações de VEGF sérico, estas relacionaram-se com os triglicéridos e com parâmetros de inflamação, como a concentração de CRP e o número de leucócitos. Verificou-se que, os maiores níveis de VEGF se associavam às placas de ateroma com percentagem de tecido fibrótico superior a 65% e àquelas com menores percentagens de cálcio, o que sugere o seu envolvimento na proliferação do ateroma. Também o aumento do número de leucócitos se associou a maiores percentagens de tecido fibrótico e menores de fibrolipídico e a uma maior estenose do vaso. A estenose associou-se ao sexo masculino e aos indivíduos com maiores concentrações de NT-proBNP. Observou-se ainda que para percentagens elevadas de cálcio no ateroma, a quantidade de lípidos em circulação diminuía. Este estudo, sugerindo o envolvimento do VEGF na permeabilidade, adesão e proliferação celulares, permitiu confirmar a importância da determinação daquele factor na doença coronária e a sua relevância na relação com as características da placa aterosclerótica. Assim, a potencialidade do VEGF como um biomarcador da doença das artérias coronárias, deve continuar a ser aprofundada. |
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