Publicação
Aquisição de elipse de VP no português europeu como língua não materna por falantes nativos de chinês mandarim
| Resumo: | O presente trabalho tem como objetivo investigar a aquisição de elipse de VP (VPE) por parte de falantes nativos de chinês mandarim (CM) que aprendem o português europeu (PE) como língua segunda. As condições de legitimação de VPE são diferentes em PE e em CM. Os verbos principais não legitimam VPE em CM, o que significa que a estrutura que Goldberg (2005) designa V-stranding VP ellipsis não existe em CM. No entanto, em CM, a construção de objeto nulo (NOC) é superficialmente idêntica a V-stranding VPE em PE. Depois de Huang (1994a, b) propor que em CM há movimento de V para v, Li (2002) e Cheung (2008) baseiam-se nesta proposta e propõem que, em CM, NOC é um caso de elipse do VP enquanto VPE é um caso de elipse do vP. Em VPE, todos os modificadores adverbiais são recuperados, enquanto em NOC, segundo Li (2002), assumimos que em CM os modificadores adverbiais temporais e locativos são recuperados, mas os de modo e causa não. Neste trabalho, adotámos a Tarefa de Juízo de Valor de Verdade como método para aferir a aquisição dos aprendentes chineses do PE como L2, testando a recuperação do modificador adverbial de tempo e de modo em VPE no PE. O resultado do teste mostra que os aprendentes chineses têm, como esperado, maior dificuldade na recuperação de um modificador adverbial de modo quando a elipse é legitimada por um verbo principal, embora essa dificuldade seja esbatida muito cedo, mesmo entre falantes no grupo B2. Segundo a Hipótese de Transferência Completa e Acesso Completo ( Schwartz & Sprouse, 1994, 1996) e a Hipótese de Reconfiguração de Traços (Lardiere, 2007, 2008, 2009), assumimos que a gramática de L1 dos falantes de CM tem efeitos relevantes na aquisição do PE como L2 e os participantes chineses têm, consequentemente, dificuldade na reconfiguração dos traços associados à legitimação da V-stranding VPE em PE, podendo tratar a V-stranding VPE do PE como um caso de estrutura equivalente a NOC em CM. Contudo, mostramos também que a gramática dos falantes de CM converge rapidamente com a gramática alvo no que diz respeito à elipse de VP, o que relacionamos com a rápida aquisição de movimento generalizado do verbo para T em PE. |
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| Autores principais: | Gao, Chang |
| Assunto: | Língua portuguesa - Aquisição linguística Língua portuguesa - Estudo e ensino - Falantes do chinês Língua portuguesa - Elipse (Linguística) Língua portuguesa - Sujeito e predicado (Linguística) Teses de mestrado - 2021 |
| Ano: | 2021 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | dissertação de mestrado |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | O presente trabalho tem como objetivo investigar a aquisição de elipse de VP (VPE) por parte de falantes nativos de chinês mandarim (CM) que aprendem o português europeu (PE) como língua segunda. As condições de legitimação de VPE são diferentes em PE e em CM. Os verbos principais não legitimam VPE em CM, o que significa que a estrutura que Goldberg (2005) designa V-stranding VP ellipsis não existe em CM. No entanto, em CM, a construção de objeto nulo (NOC) é superficialmente idêntica a V-stranding VPE em PE. Depois de Huang (1994a, b) propor que em CM há movimento de V para v, Li (2002) e Cheung (2008) baseiam-se nesta proposta e propõem que, em CM, NOC é um caso de elipse do VP enquanto VPE é um caso de elipse do vP. Em VPE, todos os modificadores adverbiais são recuperados, enquanto em NOC, segundo Li (2002), assumimos que em CM os modificadores adverbiais temporais e locativos são recuperados, mas os de modo e causa não. Neste trabalho, adotámos a Tarefa de Juízo de Valor de Verdade como método para aferir a aquisição dos aprendentes chineses do PE como L2, testando a recuperação do modificador adverbial de tempo e de modo em VPE no PE. O resultado do teste mostra que os aprendentes chineses têm, como esperado, maior dificuldade na recuperação de um modificador adverbial de modo quando a elipse é legitimada por um verbo principal, embora essa dificuldade seja esbatida muito cedo, mesmo entre falantes no grupo B2. Segundo a Hipótese de Transferência Completa e Acesso Completo ( Schwartz & Sprouse, 1994, 1996) e a Hipótese de Reconfiguração de Traços (Lardiere, 2007, 2008, 2009), assumimos que a gramática de L1 dos falantes de CM tem efeitos relevantes na aquisição do PE como L2 e os participantes chineses têm, consequentemente, dificuldade na reconfiguração dos traços associados à legitimação da V-stranding VPE em PE, podendo tratar a V-stranding VPE do PE como um caso de estrutura equivalente a NOC em CM. Contudo, mostramos também que a gramática dos falantes de CM converge rapidamente com a gramática alvo no que diz respeito à elipse de VP, o que relacionamos com a rápida aquisição de movimento generalizado do verbo para T em PE. |
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