| Resumo: | A sépsis, definida como uma resposta desregulada por parte do hospedeiro face a uma infeção, é uma das principais causas de morbimortalidade a nível mundial. Apesar de grandes avanços na compreensão dos mecanismos fisiopatológicos que lhe estão subjacentes, a sua natureza complexa atrasa o desenvolvimento de tratamentos personalizados, pelo que a modulação dirigida de vias alvo ainda não é uma prática clínica corrente. Os biomarcadores são ferramentas importantes nesta área, pois permitem identificar subgrupos de doentes em maior risco de desfechos desfavoráveis. Definir estes subgrupos através de características clínicas, bioquímicas, celulares, moleculares, genómicas ou transcriptómicas pode ajudar a selecionar doentes que beneficiem de intervenções dirigidas. Esta revisão sistemática tem como objetivo reunir informação relativa a fenótipos na sépsis potencialmente reconhecíveis nas primeiras 24 horas após admissão na Unidade de Cuidados Intensivos (UCI). Neste sentido, procedemos a uma pesquisa sistemática da PubMed/MEDLINE, tendo obtido 855 artigos, 39 dos quais foram incluídos na nossa revisão. Vários foram os biomarcadores investigados, o que apenas reiterou o desafio que é esta busca por um modelo preditivo consensual que sirva de base para o desenho de ensaios clínicos robustos que avaliem a segurança, eficácia e tolerabilidade de terapêuticas instituídas de acordo com biomarcadores. Sublinhamos sobretudo biomarcadores já conhecidos. Apesar de grande parte apresentar um valor preditivo modesto, salientamos o papel da adrenomedulina (ADM). O estudo AdrenOSS-1 concluiu que níveis séricos elevados de ADM se associavam a piores desfechos a curto-prazo. Esta constatação permitiu desenhar o estudo AdrenOSS- 2, que investigou o impacto terapêutico da administração de Adrecizumab em doentes com choque séptico e níveis elevados de ADM à admissão na UCI. Este tipo de ensaios clínicos são o futuro e só serão possíveis se reunirmos esforços no sentido de desenvolver, calibrar e validar modelos preditivos que incluam biomarcadores que reflitam vias potencialmente passíveis de modulação terapêutica. |