| Resumo: | Objetivo Estimar a frequência de eventos adversos imunomediados em doentes com cancro que receberam inibidores de checkpoint imunitário (ICI). Métodos A pesquisa foi realizada nas bases de dados CENTRAL, MEDLINE, Embase, e clinicaltrials. gov, até fevereiro de 2021. Foram incluídos ensaios clínicos aleatorizados e controlados, com qualquer ICI como intervenção, para qualquer tipo de cancro. O objetivo primário foi estimar a incidência global de eventos adversos imunomediados graves. A revisão foi realizada de forma independente nas várias fases, nomeadamente de seleção, avaliação do risco de viés e extração de dados. Realizou-se meta análise em rede Bayesiana, com comparação entre classes de ICI e entre ICI em monoterapia. Realizou-se ranking das modalidades terapêuticas (usando a superfície da curva cumulativa de ranking [SUCRA]) e estimou-se a frequência mediana para cada outcome. Resultados Foram incluídos 96 ensaios com um total de 52,811 participantes, publicados entre 2011 e 2021. O tamanho amostral mediano foi de 559, sendo a idade mediana dos participantes 62 anos com 37% do sexo feminino. Apenas 35.4% dos ensaios utilizaram ocultação dupla e 82% tiveram elevado risco de viés. O cancro do pulmão de não pequenas células (28 ensaios, 17,014 participantes) e o melanoma (15 ensaios, 8,808 doentes) foram os mais frequentemente analisados. Pembrolizumab (14 ensaios, 9,322 participantes) e nivolumab (14 ensaios, 5,779 participantes) foram as principais intervenções. Para todos os outcomes, a classe anti-CTLA4 e a combinação entre ICIs foram as modalidades com maior probabilidade global de eventos imunomediados sérios (SUCRA de 7% e 10%, respetivamente), tendo ambas, face à terapêutica convencional, odds aumentadas destes eventos (OR 24.41, 95% CrI 11.11 a 58.04 e 22.46, 95% CrI 11.86 to 44.91, respetivamente).O ranking dos ICI individuais foi estimado, sendo o ipilimumab o pior classificado (SUCRA 14%), com taxa absoluta de eventos de 848 por 10,000 doentes (intervalo de confiança a 95% de 252 a 2,610) e sendo o atezolizumab o melhor classificado (SUCRA 82%), com taxa absoluta de eventos de 119 por 10,000 doentes (intervalo de confiança a 95% de 54 a 279). Conclusão O risco global de desenvolver eventos adversos graves imunomediados difere entre cada ICI e para cada evento específico considerado. A diferente magnitude do aumento do risco de cada evento com cada modalidade de tratamento poderá ser clinicamente relevante, influenciando o manejo individual dos doentes com cancro. |