Publicação
Autoridade e autonomia : conjugalidade e vidas femininas em Essaouira, Marrocos
| Resumo: | Em países maioritariamente muçulmanos, o género tem sido um dos principais temas de debate e de pesquisa, em parte graças à atenção que a situação das mulheres tem merecido nestes contextos. Recentemente, muitas abordagens têm focado temas como os direitos das mulheres e as Leis da Família, nem sempre prestando a devida atenção à forma como o género é mutuamente construído por homens e por mulheres. As dinâmicas familiares não têm sido suficientemente estudadas como um local vital para a reprodução e também para a contestação das desigualdades de género. A presente dissertação pretende abordar esta questão através da análise da conjugalidade e das dinâmicas familiares e baseia-se em recolha etnográfica realizada durante um ano na cidade de Essaouira em Marrocos. O contacto com mulheres, famílias e uma associação feminina de ajuda a mulheres evidenciou que, ainda que as mulheres sejam estratégicas em utilizar a parafernália da Lei da Família para os seus próprios fins, nem sempre procuram os mesmos direitos e responsabilidades que os homens em algumas áreas da vida como o matrimónio. Este pode ser considerado um projecto de vida que intrinca relações hierárquicas baseadas no género e na idade. É entre autoridade e autonomia, importantes componentes da sociedade marroquina, que as mulheres procuram fazer sentido dos seus quotidianos, expectativas e decisões. Para compreender estes processos analisa-se como a diferença é religiosamente legitimada e como a autoridade e a obediência são frequentemente naturalizadas. Por fim, esta dissertação tem por objectivo incluir o estudo da construção do género em sociedades maioritariamente muçulmanas dentro de outros debates actuais da Antropologia. |
|---|---|
| Autores principais: | Carvalheira, Raquel |
| Assunto: | Género Conjugalidade Família Islão Marrocos Teses de doutoramento - 2015 |
| Ano: | 2015 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | tese de doutoramento |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Universidade de Lisboa |
| Idioma: | português |
| Origem: | Repositório da Universidade de Lisboa |
| Resumo: | Em países maioritariamente muçulmanos, o género tem sido um dos principais temas de debate e de pesquisa, em parte graças à atenção que a situação das mulheres tem merecido nestes contextos. Recentemente, muitas abordagens têm focado temas como os direitos das mulheres e as Leis da Família, nem sempre prestando a devida atenção à forma como o género é mutuamente construído por homens e por mulheres. As dinâmicas familiares não têm sido suficientemente estudadas como um local vital para a reprodução e também para a contestação das desigualdades de género. A presente dissertação pretende abordar esta questão através da análise da conjugalidade e das dinâmicas familiares e baseia-se em recolha etnográfica realizada durante um ano na cidade de Essaouira em Marrocos. O contacto com mulheres, famílias e uma associação feminina de ajuda a mulheres evidenciou que, ainda que as mulheres sejam estratégicas em utilizar a parafernália da Lei da Família para os seus próprios fins, nem sempre procuram os mesmos direitos e responsabilidades que os homens em algumas áreas da vida como o matrimónio. Este pode ser considerado um projecto de vida que intrinca relações hierárquicas baseadas no género e na idade. É entre autoridade e autonomia, importantes componentes da sociedade marroquina, que as mulheres procuram fazer sentido dos seus quotidianos, expectativas e decisões. Para compreender estes processos analisa-se como a diferença é religiosamente legitimada e como a autoridade e a obediência são frequentemente naturalizadas. Por fim, esta dissertação tem por objectivo incluir o estudo da construção do género em sociedades maioritariamente muçulmanas dentro de outros debates actuais da Antropologia. |
|---|