| Resumo: | Este trabalho surgiu da preocupação em descobrir os contributos que a Língua Portuguesa, nomeadamente a nível da expressão escrita, pode trazer para as aprendizagens matemáticas em alunos nos seus primeiros anos de escolaridade. Assim, este estudo teve como objectivo principal compreender em que medida a comunicação escrita contribui para o desenvolvimento de competências matemáticas em alunos do 1º CEB ao realizarem tarefas que envolvem raciocínio matemático. Partindo daqui, defini as seguintes questões: (a) Que tipo comunicação escrita usam os alunos ao resolverem tarefas que envolvem raciocínio matemático, para cuja resolução nem sempre é necessário recorrer à matemática convencional? e (b) De que modo essa comunicação escrita usada pelos alunos reflecte a sua compreensão matemática das tarefas?.Este trabalho é um estudo de caso com dois alunos do 3º ano de escolaridade do 1º CEB que apresentavam as características comuns necessárias ao seu desenvolvimento deste estudo, nomeadamente o domínio da leitura e da escrita. A metodologia utilizada foi qualitativa e consistiu na análise dos registos escritos dos dois alunos, das gravações áudio das aulas observadas e das notas de campo. Foram feitas onze sessões de trabalho com toda a turma. Também estive presente em aulas da responsabilidade da professora da turma, nas quais o meu papel se confinou à observação e registo (áudio e por escrito) com o objectivo de perceber o modo como a professora trabalhava com os alunos no âmbito da relação entre o Português e a Matemática.Com a análise dos resultados, constatei que os alunos usaram tanto a representação simbólica matemática de quantidades como a representação por extenso, consoante a importância das quantidades envolvidas no contexto das tarefas. As representações verbais escritas dos alunos permitiram um acompanhamento dos seus raciocínios. As representações convencionais (símbolos matemáticos e procedimentos algorítmicos), sempre que foram utilizadas, foram com a intenção de reforçar ou complementar a explicação exposta verbalmente. Este facto induz-me a concluir que este tipo de representações fazem os alunos sentirem que estão a responder com maior rigor matemático. Nas tarefas era solicitado aos alunos que explicassem as suas estratégias de resolução. Isto implicou que os alunos também tivessem de reflectir sobre os resultados das tarefas. A conjugação de mais de um tipo de representação escrita permitiu que os raciocínios dos alunos ficassem mais claramente expostos. Esta investigação inclui igualmente a análise do Currículo Nacional do Ensino Básico (CNEB). Esta análise visou responder às questões: (a) Que semelhanças e diferenças existem nas organizações das partes da Matemática e da Língua Portuguesa no CNEB? e (b) A que conceitos é feita referência quando se fala de competências no CNEB, nas partes da Matemática e da Língua? Com a análise ao CNEB verifiquei que em Matemática há a referência atermos/conceitos distintos daqueles a que se faz referência em Língua Portuguesa no que toca à definição das respectivas competências. Esta diferença reflecte-se tanto nas abordagens como nas organizações dos respectivos capítulos. |