| Resumo: | A LCan é uma doença endémica e bastante frequente em Portugal. Esta zoonose é causada pelo protozoário Leishmania infantum, sendo os cães os principais hospedeiros reservatórios da infeção para os seres humanos. A forma infetante do parasita é a promastigota desenvolvida no trato gastrintestinal de pequenos insetos do género Phlebotomus, no Velho Mundo, vetores biológicos que transmitem o agente entre hospedeiros mamíferos. Sendo a leishmaniose uma doença sistémica de curso crónico, apresentando um quadro clínico diversificado, o diagnóstico deve ser efetuado o mais precocemente possível e a terapêutica rigorosamente cumprida. Para além disso, é indispensável monitorização laboratorial a intervalos regulares. A implementação de uma profilaxia e controlo eficaz assumem um papel necessário no cão. Durante o período de estágio (Setembro de 2012 a Abril de 2013), no Hospital Veterinário do Baixo Vouga e no Hospital Veterinário de Trás-os-Montes, foram acompanhados diversos casos clínicos de LCan. A seleção dos quatro animais incluídos nesta dissertação teve como intuito eleger casos que apresentassem uma ampla diversidade de sinais clínicos. O diagnóstico foi realizado através da deteção das formas amastigotas de Leishmania em citologias aspirativas por agulha fina de medula óssea e através da quantificação do título de anticorpos anti-Leishmania. Os protocolos terapêuticos instituídos foram: alopurinol de forma isolada, combinações de alopurinol com antimoniato de meglumina e combinação de alopurinol com miltefosina. Foram necessárias monitorizações regulares, uma vez que pode ocorrer recorrência das manifestações clínicas. A LCan é uma doença cada vez mais frequente, como se comprovou pelo número de casos observados durante o período de estágio curricular. Assim sendo, cabe ao médico veterinário incutir e aconselhar aos proprietários a utilização de terapia combinada com inseticidas e/ou repelentes, vacinação e domperidona (Leisguard®), para diminuir o risco de infeção e transmissão. |