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Marcadores Cognitivo-Linguísticos da Perturbação do Desenvolvimento da Linguagem em Português Europeu em crianças de 4 e 5 anos de idade

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Detalhes bibliográficos
Resumo:O desenvolvimento adequado das capacidades de linguagem é crucial para o desenvolvimento das habilidades cognitivas, afetivas e de interação social da criança. Sabese que a Perturbação do Desenvolvimento da Linguagem (PDL) influencia negativamente a trajetória académica, a capacidade de interação social, o desenvolvimento profissional e o bem-estar individual. O rastreio precoce da PDL é essencial para que a criança possa beneficiar, o mais cedo possível, de intervenção especializada por forma a atenuar o impacto desta perturbação do neurodesenvolvimento na vida do indivíduo. A identificação dos marcadores clínicos da PDL tem sido alvo de intensa investigação nas últimas décadas. A capacidade de repetição de frases e a capacidade de repetição de pseudopalavras têm sido apontadas como sendo potenciais marcadores cognitivo-linguísticos da PDL, o que se tem confirmado em estudos desenvolvidos em várias línguas. À data de início desta investigação desconhecia-se a existência de estudos nesta área que tivessem sido desenvolvidos com crianças falantes nativas do Português Europeu e com recurso a instrumentos de avaliação originalmente construídos nesta língua. De forma a verificar se estas competências constituíam marcadores cognitivolinguísticos da PDL no Português Europeu, foram desenvolvidos dois estudos em que foi comparado o desempenho de um grupo de crianças com indicadores de PDL, com um grupo de pares com desenvolvimento típico (DT), com idades compreendidas entre os 4;00 e os 5;11 anos. O Estudo 1 incidiu na tarefa de repetição de frases, sendo desenvolvido um instrumento de avaliação original, a Prova de Repetição de Frases (PRF), que foi submetido a um estudo piloto para avaliação preliminar da sua eficácia e validade. No Estudo 2 foi analisado o desempenho dos grupos PDL e DT na repetição de pseudopalavras, com recurso a uma tarefa já existente, o subteste de repetição de pseudopalavras (RPp) que faz parte do Teste RP&Pp. A caracterização do perfil de competências de linguagem das crianças e a constituição dos grupos PDL e DT baseou-se nos resultados obtidos em dois testes de linguagem estandardizados: o TL-ALPE e o Sin:TACS. Foram encontradas correlações positivas estatisticamente significativas entre as pontuações obtidas nos testes de linguagem e o desempenho das crianças, tanto na PRF, como no subteste RPp. As crianças com PDL apresentaram um desempenho significativamente abaixo dos seus pares com DT em todos os testes aplicados, incluindo os testes de linguagem, a PRF e o teste RPp. Os instrumentos utilizados para avaliar as competências identificadas como potenciais marcadores cognitivo-linguísticos da PDL revelaram uma alta sensibilidade, mas baixa especificidade: para a PRF foi obtido um valor de sensibilidade de 88.9% e especificidade de 46.9%; o teste RPp revelou uma sensibilidade de 87.1% e especificidade de 38.8%. Os resultados obtidos foram indicativos de que tanto a capacidade de repetição de frases, como a capacidade de repetição de pseudopalavras constituem marcadores cognitivolinguísticos da PDL em crianças falantes nativas do Português Europeu, dadas as diferenças de desempenho registadas nos grupos PDL e DT. Os instrumentos utilizados na avaliação específica destas competências (PRF e teste RPp) apresentaram capacidade discriminativa, permitindo identificar as crianças da amostra com indicadores de PDL. Apesar de serem obtidos valores de especificidade baixos, tanto para a PRF, como para o teste RPp, considerase que os níveis elevados de sensibilidade registados em ambas as provas denotam o bom potencial destes instrumentos de avaliação no rastreio da PDL em crianças dos 4;00 aos 5;11 anos. Os dados obtidos nesta investigação contribuem para o avanço de conhecimentos na área de estudo dos marcadores clínicos da PDL, especificamente no Português Europeu, e revelam uma importante contribuição no âmbito da melhoria das práticas de rastreio desta perturbação do neurodesenvolvimento. Os instrumentos de avaliação testados, a PRF e o teste RPp, para além de apresentarem uma excelente aplicabilidade prática, dada a simplicidade dos procedimentos e o tempo reduzido de aplicação, demonstraram um potencial efetivo no rastreio da PDL. Investigações futuras poderão aprofundar o estudo do potencial destes marcadores cognitivo-linguísticos, testando amostras de maior dimensão e criando instrumentos de rastreio dirigidos a faixas etárias não abrangidas nesta investigação.
Autores principais:Cleto, Tânia Carina Pinto Roçadas
Assunto:Perturbação do Desenvolvimento da Linguagem Marcadores CognitivoLinguísticos Rastreio da PDL Repetição de Frases Repetição de Pseudopalavras
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso embargado
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:O desenvolvimento adequado das capacidades de linguagem é crucial para o desenvolvimento das habilidades cognitivas, afetivas e de interação social da criança. Sabese que a Perturbação do Desenvolvimento da Linguagem (PDL) influencia negativamente a trajetória académica, a capacidade de interação social, o desenvolvimento profissional e o bem-estar individual. O rastreio precoce da PDL é essencial para que a criança possa beneficiar, o mais cedo possível, de intervenção especializada por forma a atenuar o impacto desta perturbação do neurodesenvolvimento na vida do indivíduo. A identificação dos marcadores clínicos da PDL tem sido alvo de intensa investigação nas últimas décadas. A capacidade de repetição de frases e a capacidade de repetição de pseudopalavras têm sido apontadas como sendo potenciais marcadores cognitivo-linguísticos da PDL, o que se tem confirmado em estudos desenvolvidos em várias línguas. À data de início desta investigação desconhecia-se a existência de estudos nesta área que tivessem sido desenvolvidos com crianças falantes nativas do Português Europeu e com recurso a instrumentos de avaliação originalmente construídos nesta língua. De forma a verificar se estas competências constituíam marcadores cognitivolinguísticos da PDL no Português Europeu, foram desenvolvidos dois estudos em que foi comparado o desempenho de um grupo de crianças com indicadores de PDL, com um grupo de pares com desenvolvimento típico (DT), com idades compreendidas entre os 4;00 e os 5;11 anos. O Estudo 1 incidiu na tarefa de repetição de frases, sendo desenvolvido um instrumento de avaliação original, a Prova de Repetição de Frases (PRF), que foi submetido a um estudo piloto para avaliação preliminar da sua eficácia e validade. No Estudo 2 foi analisado o desempenho dos grupos PDL e DT na repetição de pseudopalavras, com recurso a uma tarefa já existente, o subteste de repetição de pseudopalavras (RPp) que faz parte do Teste RP&Pp. A caracterização do perfil de competências de linguagem das crianças e a constituição dos grupos PDL e DT baseou-se nos resultados obtidos em dois testes de linguagem estandardizados: o TL-ALPE e o Sin:TACS. Foram encontradas correlações positivas estatisticamente significativas entre as pontuações obtidas nos testes de linguagem e o desempenho das crianças, tanto na PRF, como no subteste RPp. As crianças com PDL apresentaram um desempenho significativamente abaixo dos seus pares com DT em todos os testes aplicados, incluindo os testes de linguagem, a PRF e o teste RPp. Os instrumentos utilizados para avaliar as competências identificadas como potenciais marcadores cognitivo-linguísticos da PDL revelaram uma alta sensibilidade, mas baixa especificidade: para a PRF foi obtido um valor de sensibilidade de 88.9% e especificidade de 46.9%; o teste RPp revelou uma sensibilidade de 87.1% e especificidade de 38.8%. Os resultados obtidos foram indicativos de que tanto a capacidade de repetição de frases, como a capacidade de repetição de pseudopalavras constituem marcadores cognitivolinguísticos da PDL em crianças falantes nativas do Português Europeu, dadas as diferenças de desempenho registadas nos grupos PDL e DT. Os instrumentos utilizados na avaliação específica destas competências (PRF e teste RPp) apresentaram capacidade discriminativa, permitindo identificar as crianças da amostra com indicadores de PDL. Apesar de serem obtidos valores de especificidade baixos, tanto para a PRF, como para o teste RPp, considerase que os níveis elevados de sensibilidade registados em ambas as provas denotam o bom potencial destes instrumentos de avaliação no rastreio da PDL em crianças dos 4;00 aos 5;11 anos. Os dados obtidos nesta investigação contribuem para o avanço de conhecimentos na área de estudo dos marcadores clínicos da PDL, especificamente no Português Europeu, e revelam uma importante contribuição no âmbito da melhoria das práticas de rastreio desta perturbação do neurodesenvolvimento. Os instrumentos de avaliação testados, a PRF e o teste RPp, para além de apresentarem uma excelente aplicabilidade prática, dada a simplicidade dos procedimentos e o tempo reduzido de aplicação, demonstraram um potencial efetivo no rastreio da PDL. Investigações futuras poderão aprofundar o estudo do potencial destes marcadores cognitivo-linguísticos, testando amostras de maior dimensão e criando instrumentos de rastreio dirigidos a faixas etárias não abrangidas nesta investigação.