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Reforma curricular de 1989: a relevância do cálculo mental no ensino da Matemática

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Resumo:Nas décadas de 70 e 80 do século XX, assistiu-se, em Portugal, a um período marcado por mudanças políticas, económicas e culturais que tiveram eco em 1986, com a criação da Comissão de Reforma do Sistema Educativo e com a aprovação da Lei de Bases do Sistema Educativo. Neste contexto, a escola passou a ser perspetivada como uma comunidade dotada de autonomia para gerir as políticas educativas de acordo com as suas características particulares mas foi a reforma curricular, que culminou com a elaboração de novos programas para as diferentes disciplinas – homologados no início dos anos 90 – que assumiu uma importância central no processo de reforma do sistema educativo português. No caso da disciplina de Matemática, verifica-se que os novos currículos foram permeáveis à ideologia relativa ao campo da Educação Matemática, vigente à data a nível internacional, que se posicionava em duas frentes: na perspetivação do aluno como agente ativo no processo de ensino e aprendizagem; e na resolução de problemas como uma das atividades principais da Matemática. Paralelamente, as novas tecnologias, nomeadamente a calculadora, foram introduzidas no programa e o cálculo mental passou a ser abordado com especial atenção ao ser considerado como primeira etapa na obtenção de um resultado. Pretendia-se assim que os alunos desenvolvessem a sua capacidade de estimação, utilizassem as propriedades das operações como um objetivo útil e lidassem com o número como parte de uma estrutura e não o encarassem apenas como um símbolo de quantidade. Ainda que não seja referido de forma explícita, a noção de sentido do número está, portanto, subliminarmente presente nos programas. Não obstante os avanços de modernização curricular alcançados, a relevância atribuída aos programas acabou por sobrepor-se à ênfase que deveria ter sido igualmente concedida à escola e ao professor. Devido à falta de acompanhamento a estas duas entidades, verificou-se que o desenvolvimento do cálculo mental e do sentido do número acabou por não se concretizar plenamente já que, se por um lado as escolas não estavam preparadas para as exigências dos novos programas – nomeadamente no que diz respeito à disponibilização de materiais didáticos e computadores – por outro, os professores continuaram a aplicar as metodologias de outrora – que primavam pela mecanização e memorização – por falta de orientação e formação profissional específicas.
Autores principais:Meira, Isabel Maria Monteiro Vilela Ribeiro
Assunto:Cálculo mental Calculadora Reforma curricular 1989
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso restrito
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD

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