| Resumo: | Parafilaroides gymnurus e Otostrongylus circumlitus são duas espécies de nematodes parasitas que infetam focas. As espécies foca comum (Phoca vitulina) e foca cinzenta (Halichoerus grypus), hospedeiros definitivos destes parasitas, são carnívoros aquáticos que se infetam pela ingestão do hospedeiro intermediário, i.e. peixe infetado. As formas adultas dos parasitas residem no trato respiratório das focas, sendo o parasita P. gymnurus encontrado no parênquima e alvéolos pulmonares, e o parasita O. circumlitus na árvore brônquica, podendo obstruir as vias respiratórias. A reprodução destes parasitas ocorre nesta localização, sendo as fêmeas ovovivíparas. O primeiro estádio larvar (L1) destas espécies parasitárias pode ser encontrado junto com a forma adulta. Durante este estudo feito no hospital RSPCA’s East Winch Wildlife Centre, em Norfolk, Inglaterra, entre os meses de Julho e Dezembro de 2013, foram acompanhados 29 casos clínicos de focas suspeitos de infeção por parasitas pulmonares. O diagnóstico destas parasitoses é clinico ou realizado pela visualização da forma adulta do parasita, expelida pelo animal durante a tosse. Em infeções moderadas ou graves, o tratamento é feito com três administrações intramusculares do agente antiparasitário – ivermectina (0,3 mg/kg), dadas com 10 a 14 dias de intervalo. Em infeções ligeiras, é feita uma administração única de doramectina (0,3 mg/kg). Foram colhidas amostras fecais para a pesquisa de L1 de parasitas pulmonares, para ser possível fazer uma estimativa da sua prevalência. Amostras foram analisadas, antes e depois do tratamento antiparasitário ter sido efetuado, de forma a ser possível determinar a sua eficácia contra estes agentes parasitários. As amostras foram submetidas ao método modificado de Baermann, de forma a ser possível visualização e contagem das L1 sob observação ao microscópio ótico. Os resultados foram registados separadamente para larvas móveis, não móveis e degeneradas, para ambas as espécies parasitárias. Sessenta e dois por cento das focas foram positivas para a presença de L1 nas suas fezes e 37,9% foram negativas. Das 82,7% que tiveram um diagnóstico clínico presuntivo de parasitas pulmonares, 75% tiveram este diagnóstico confirmado, em 20,8% foi impossível obter uma conclusão, e 4,2% foram tratadas sem terem excretado L1. Os sinais clínicos apareceram com mais frequência nas focas comuns, geralmente no grupo em que o diagnóstico de parasitose pulmonar foi confirmado. As focas tornaram-se negativas para L1 com ambos os agentes antiparasitários usados nos protocolos de tratamento. Diferentes estudos relacionados com infeções por parasitas pulmonares foram levados a cabo nestas duas espécies de focas. Foram encontrados valores diferentes de infeção em Inglaterra e noutros países, como Canadá, Estados Unidos da América, Holanda e Alemanha. Nos estudos realizados com animais vivos, os sinais clínicos encontrados foram similares aos registados no estudo atual, tendo sido os tratamentos eficazes. Em conclusão, este estudo permitiu concluir que a prevalência dos parasitas pulmonares nas focas comuns que deram entrada no RSPCA’s East Winch Wildlife Centre é elevada, os métodos de diagnóstico são satisfatórios e que o tratamento usado é eficaz contra estes parasitas. |