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Arqueometria de pigmentos da arte rupestre: caracterização mineralógica e técnicas de produção na arte esquemática da Península Ibérica Ocidental

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Resumo:Esta dissertação é resultado da investigação desenvolvida no âmbito do projeto “Rupscience: Análise das cadeias operatórias, arqueometria e cronologia de pinturas rupestres. Uma aproximação à tecnologia dos materiais em contextos de Portugal e Espanha” (PTDC/HIS-ARQ/101299/2008) em articulação com outros projetos: "RupTejo: Arqueologia rupestre da bacia do Tejo" e "Caracterização de pigmentos na arte esquemática em Portugal", com a empresa Era_Arqueologia e outras colaborações internacionais “EBO, Mapeamento e registo de arte rupestre da zona centro-oeste de Angola” (PTDC/HIS-ARQ/103187/2008); FundHAm no Brasil, e Autoridade para a investigação e conservação do património cultural na Etiópia (ARCCH). A investigação foi desenvolvida de uma forma interdisciplinar tendo sido caracterizados químico-mineralogicamente os pigmentos pré-históricos, analisados com recurso a técnicas de análise arqueométrica (em particular a espectroscopia Raman, a microfluorescência de raios X, a espectroscopia eletrónica de varrimento, também foram utilizados estereomicroscópios e a microscopia ótica). Em Portugal foram analisados pigmentos dos abrigos do Pego da Rainha, da Lapa dos Coelhos, do abrigo do Lapedo 1, do abrigo Ribeiro das Casas e do abrigo de Segura. Em Espanha do abrigo de La Calderita e do Friso del Terror. Em confronto de resultados foi também aplicada a mesma metodologia em amostras de pigmentos da arte rupestre do abrigo Ndalambiri em Angola, Gode Roriso na Etiópia e em dois abrigos na Serra da Capivara no Brasil (Toca do Boqueirão da Pedra Furada e Toca do Paraguaio). Em contraponto apresenta-se também o trabalho realizado sobre os ocres recolhidos nos contextos funerários dos Perdigões (sepulcros no sul de Portugal). A análise dos pigmentos tem como principal objetivo a caracterização da composição químico-mineralógica, a identificação dos processos de preparação assim como as escolhas e seleção dos materiais utilizados na produção de pigmentos. Foram realizadas análises das possíveis matérias-primas em paralelo com as análises dos pigmentos. Também foram realizados levantamentos do estado de conservação dos painéis focando a degradação produzida pelos bio-colonizadores (líquenes), tendo sido desenvolvida a análise e classificação de líquenes e da flora circundante com recurso a metodologias não invasivas. Este trabalho pretende assim estabelecer a caracterização mineralógica das pinturas de arte esquemática do sudoeste da Península Ibérica e levantar questões sobre a preparação, produção e conservação dos pigmentos pré-históricos. As análises arqueométricas realizadas em amostras de pigmentos de pinturas pré-históricas mostram resultados de grande interesse para a compreensão das técnicas de preparação utilizadas. Assim, permitiram a caracterização dos componentes principais das pinturas, não sendo porém fácil descobrir as suas “receitas” - proporções e possíveis aglutinantes utilizados. Os componentes identificados com as análises arqueométricas realizadas, revelam uma homogeneidade das matérias-primas utilizadas na produção de pigmentos e foram também reconhecidas diferentes técnicas de preparação e de aplicação. Os resultados demonstraram que as matérias-primas utilizadas nos pigmentos avermelhados da Península Ibérica ocidental (que representam a totalidade das figuras amostradas nos casos de estudo) foram essencialmente os óxidos e hidróxidos de ferro (nomeadamente hematite e goethite). Nos outros contextos analisados (abrigos em África e no Brasil), os pigmentos vermelhos também são realizados com óxidos de ferro (principalmente com a hematite), mas ao contrário dos sítios em estudo na P. Ibérica ocidental, estes contextos revelaram a utilização de pigmentos de diferentes colorações e variadas matérias-primas (branco: cera de abelha, calcite e argilas; pretos: carvão). A utilização de diferentes matérias-primas é atribuída à disponibilidade territorial das próprias, ou ainda relacionada com aspetos culturais. Foram identificadas algumas técnicas de preparação, tais como o esmagamento e o provável aquecimento térmico. Esta última técnica possivelmente poderia ser aplicada com objetivo na inclusão de outras substâncias (aglutinantes), embora estas não tenham sido identificadas nas amostras deste conjunto de sítios. A metodologia utilizada neste estudo tornou claro que com a complementaridade das técnicas arqueométricas e com certas adaptações nos parâmetros instrumentais são produzidos resultados, tais como: a identificação dos componentes mineralógicos dos pigmentos, as suas técnicas de preparação, assim como gerar medidas de monitorização e conservação dos sítios e da arte rupestre pré-histórica.
Autores principais:Gomes, Hugo Filipe Teixeira
Assunto:Arte rupestre Pigmentos Arqueometria
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:tese de doutoramento
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Idioma:português
Origem:Repositório da UTAD
Descrição
Resumo:Esta dissertação é resultado da investigação desenvolvida no âmbito do projeto “Rupscience: Análise das cadeias operatórias, arqueometria e cronologia de pinturas rupestres. Uma aproximação à tecnologia dos materiais em contextos de Portugal e Espanha” (PTDC/HIS-ARQ/101299/2008) em articulação com outros projetos: "RupTejo: Arqueologia rupestre da bacia do Tejo" e "Caracterização de pigmentos na arte esquemática em Portugal", com a empresa Era_Arqueologia e outras colaborações internacionais “EBO, Mapeamento e registo de arte rupestre da zona centro-oeste de Angola” (PTDC/HIS-ARQ/103187/2008); FundHAm no Brasil, e Autoridade para a investigação e conservação do património cultural na Etiópia (ARCCH). A investigação foi desenvolvida de uma forma interdisciplinar tendo sido caracterizados químico-mineralogicamente os pigmentos pré-históricos, analisados com recurso a técnicas de análise arqueométrica (em particular a espectroscopia Raman, a microfluorescência de raios X, a espectroscopia eletrónica de varrimento, também foram utilizados estereomicroscópios e a microscopia ótica). Em Portugal foram analisados pigmentos dos abrigos do Pego da Rainha, da Lapa dos Coelhos, do abrigo do Lapedo 1, do abrigo Ribeiro das Casas e do abrigo de Segura. Em Espanha do abrigo de La Calderita e do Friso del Terror. Em confronto de resultados foi também aplicada a mesma metodologia em amostras de pigmentos da arte rupestre do abrigo Ndalambiri em Angola, Gode Roriso na Etiópia e em dois abrigos na Serra da Capivara no Brasil (Toca do Boqueirão da Pedra Furada e Toca do Paraguaio). Em contraponto apresenta-se também o trabalho realizado sobre os ocres recolhidos nos contextos funerários dos Perdigões (sepulcros no sul de Portugal). A análise dos pigmentos tem como principal objetivo a caracterização da composição químico-mineralógica, a identificação dos processos de preparação assim como as escolhas e seleção dos materiais utilizados na produção de pigmentos. Foram realizadas análises das possíveis matérias-primas em paralelo com as análises dos pigmentos. Também foram realizados levantamentos do estado de conservação dos painéis focando a degradação produzida pelos bio-colonizadores (líquenes), tendo sido desenvolvida a análise e classificação de líquenes e da flora circundante com recurso a metodologias não invasivas. Este trabalho pretende assim estabelecer a caracterização mineralógica das pinturas de arte esquemática do sudoeste da Península Ibérica e levantar questões sobre a preparação, produção e conservação dos pigmentos pré-históricos. As análises arqueométricas realizadas em amostras de pigmentos de pinturas pré-históricas mostram resultados de grande interesse para a compreensão das técnicas de preparação utilizadas. Assim, permitiram a caracterização dos componentes principais das pinturas, não sendo porém fácil descobrir as suas “receitas” - proporções e possíveis aglutinantes utilizados. Os componentes identificados com as análises arqueométricas realizadas, revelam uma homogeneidade das matérias-primas utilizadas na produção de pigmentos e foram também reconhecidas diferentes técnicas de preparação e de aplicação. Os resultados demonstraram que as matérias-primas utilizadas nos pigmentos avermelhados da Península Ibérica ocidental (que representam a totalidade das figuras amostradas nos casos de estudo) foram essencialmente os óxidos e hidróxidos de ferro (nomeadamente hematite e goethite). Nos outros contextos analisados (abrigos em África e no Brasil), os pigmentos vermelhos também são realizados com óxidos de ferro (principalmente com a hematite), mas ao contrário dos sítios em estudo na P. Ibérica ocidental, estes contextos revelaram a utilização de pigmentos de diferentes colorações e variadas matérias-primas (branco: cera de abelha, calcite e argilas; pretos: carvão). A utilização de diferentes matérias-primas é atribuída à disponibilidade territorial das próprias, ou ainda relacionada com aspetos culturais. Foram identificadas algumas técnicas de preparação, tais como o esmagamento e o provável aquecimento térmico. Esta última técnica possivelmente poderia ser aplicada com objetivo na inclusão de outras substâncias (aglutinantes), embora estas não tenham sido identificadas nas amostras deste conjunto de sítios. A metodologia utilizada neste estudo tornou claro que com a complementaridade das técnicas arqueométricas e com certas adaptações nos parâmetros instrumentais são produzidos resultados, tais como: a identificação dos componentes mineralógicos dos pigmentos, as suas técnicas de preparação, assim como gerar medidas de monitorização e conservação dos sítios e da arte rupestre pré-histórica.