| Resumo: | O cancro é uma das doenças mais temidas pelo Homem e de acordo com a Organização Mundial de Saúde uma em cada oito mortes é provocada por cancro. Em particular, o cancro da bexiga constitui uma doença frequente com elevado impacto socioeconómico em todo o mundo, é uma das neoplasias malignas mais comum do trato urinário, sendo precedido apenas pelo cancro da próstata. A combinação de fármacos antineoplásicos e anti-inflamatórios para o tratamento do cancro começa a ser uma abordagem cada vez mais aceite pela comunidade científica, e o uso de modelos pré-clínicos é considerada uma ferramenta fundamental em investigação oncológica. Este estudo teve como objetivo avaliar in vitro a eficácia da carboplatina (fármaco antineoplásico) e do piroxicam (fármaco anti-inflamatório não esteroide), isoladamente e em combinado, nas linhas celulares humanas T24 e 5637 de cancro da bexiga. O ensaio do brometo de 3-(4,5-dimetiltiazol-2-il)-2,5-difeniltetrazólio foi utilizado para avaliar a viabilidade celular. Para tal, as células foram expostas a diferentes concentrações de carboplatina (0,05, 0,5 e 1 μM) e de piroxicam (167, 333 e 500 μM), isoladamente e em simultâneo. O tipo de interação existente na abordagem simultânea foi investigado pelo método de Chou e Talalay. A proliferação celular, apoptose, autofagia e alterações morfológicas celulares foram avaliados pelos métodos de imunocitoquímica, Terminal deoxynucleotidyl transferase mediated dUTP nick end labelling (TUNEL), coloração de monodansilcadaverina (MDC) e coloração de Leishman, respetivamente. Nestas metodologias foi utilizado 0,05 μM de carboplatina e 333 μM de piroxicam. Todas as metodologias foram realizadas após 72 horas de exposição aos fármacos. A análise estatística foi realizada com o programa SPSS, valores de p<0,05 foram considerados estatisticamente significativos. Isoladamente, nas concentrações mais elevadas testadas, obteve-se uma viabilidade celular de 56% e 61% (p<0,05) nas linhas T24 e 5637 após a exposição à carboplatina, enquanto na exposição ao piroxicam obteve-se valores de 54% (linha T24) e 51% (linha 5637) de viabilidade celular (p<0,05). No tratamento simultâneo obteve-se 7% de viabilidade celular na linha T24 e 8% na linha 5637 (p<0,05). A combinação dos fármacos resultou numa interação sinérgica, com valores inferiores a 1 na linha T24 (IC50=0,65) e na linha 5637 (IC50=0,17). Por imunocitoquímica, verificou-se uma moderada expressão da proteína Ki-67 nas células tratadas com os fármacos isoladamente e uma diminuição acentuada no tratamento simultâneo. O ensaio do TUNEL revelou um efeito mínimo na obtenção de apoptose nas células tratadas com a combinação da carboplatina e do piroxicam nas duas linhas celulares. Pela coloração de MDC observou-se um aumento notório da presença de vacúolos autofágicos quando as células foram expostas em simultâneo aos fármacos nas duas linhas celulares, quando comparado com os fármacos isoladamente. Através da coloração de Leishman observou-se uma maior incidência de corpos apoptóticos, citoplasma vacuolizado e células apoptóticas quando as células T24 e 5637 foram tratadas com ambos os fármacos. Estes resultados sugerem um possível efeito benéfico na conjugação da carboplatina com o piroxicam nas linhas celulares de cancro da bexiga T24 e 5637. Futuros estudos em modelos in vivo são necessários para corroborar estes resultados. |