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Memória, tradição e património cultural: o saber fazer da renda de bilros na Prainha/CE

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Summary:A Prainha, município de Aquiraz, no Ceará, situa-se a 28 km da capital, Fortaleza, e destaca-se pela produção de artesanato, mais especificamente a tipologia da renda de bilros, que já acompanha a localidade por diversas gerações, alinhando-se às tramas da história e da cultura tradicional do referido local. A população da Prainha sobrevive basicamente da pesca e da renda, sendo a rendeira a protagonista e detentora do saber-fazer da renda de bilros, que assume papel preponderante no desenvolvimento social, cultural e econômico da localidade, uma vez que esta prática artesanal é indissociável do cotidiano dos moradores e também fundamental para o sustento familiar. A questão investigada é como as rendeiras da Prainha podem superar suas dificuldades em dar continuidade a essa prática que faz parte da cultura cearense, uma vez que a cultura é patrimônio de um povo e de uma nação, devendo ser incentivada pelo poder público e pela sociedade civil. Desse modo, a presente pesquisa tem como objetivo analisar a produção e a cultura do saber-fazer da renda de bilros no município de Prainha/CE, ressaltando os aspectos históricos, culturais, econômicos e sociais envolvidos nesta prática artesanal centenária. Para isso, realizou-se, além da pesquisa bibliográfica e documental, uma pesquisa de campo, recorrendo-se à abordagem da observação participante, adotando-se, como instrumento de coleta de dados, uma entrevista semiestruturada e questionários estruturados, que foram aplicados junto às rendeiras associadas do Centro das Rendeiras Luíza Távora, empreendimento de base comunitária de referência na Prainha, que reúne 35 mulheres que se dedicam à feitura da renda, que foi fundamental para a profissionalização e organização dessas artesãs. À vista disso, o estudo disserta sobre a história e a trajetória desta tipologia artesanal na Prainha, o perfil socioeconômico das rendeiras, particularidades e peculiaridades da renda de bilros da localidade, enaltecendo os utensílios necessários para a produção da renda, e entidades envolvidas e engajadas com manutenção dessa tradição no município. Os resultados revelam que na localidade são prioritariamente as mulheres que se dedicam a esta atividade, que a maioria tem mais de 52 anos, aprenderam a fazer a renda ainda crianças no ambiente familiar, contam com uma renda mensal de R$ 500,00 até R$ 750,00, já trabalham com a renda de bilro há mais de 14 anos e dedicam de 5 até 7 horas diárias a feitura da renda. No entanto, as entrevistadas consideram que a atividade de rendeiras não lhes permite condições financeiras favoráveis e também não desperta na juventude o interesse em querer aprender essa prática artesanal, para perpetuar esse saber cultural que já ultrapassa gerações. Além disso, as rendeiras da Prainha reinventaram os utensílios necessários para a produção da renda, adaptando-os a condição e oportunidades do local. Uma das estratégias que devem ser continuada é a parceria com o Governo do Estado, Prefeitura da cidade, o CEART, SEBRAE e o Grupo Mulheres do Brasil, instituições engajadas com a perpetuação da renda de bilros na Prainha. Contudo, as inquiridas revelam que essa atuação pode e deve ser mais efetiva, com maior incentivo para que a população mais jovem veja essa atividade como fonte de renda e também como instrumento cultural que deve ser preservado.
Main Authors:Camelo, Priscila Medeiros
Subject:Patrimônio cultural Renda de Bilros
Year:2023
Country:Portugal
Document type:doctoral thesis
Access type:restricted access
Associated institution:Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro
Language:Portuguese
Origin:Repositório da UTAD
Description
Summary:A Prainha, município de Aquiraz, no Ceará, situa-se a 28 km da capital, Fortaleza, e destaca-se pela produção de artesanato, mais especificamente a tipologia da renda de bilros, que já acompanha a localidade por diversas gerações, alinhando-se às tramas da história e da cultura tradicional do referido local. A população da Prainha sobrevive basicamente da pesca e da renda, sendo a rendeira a protagonista e detentora do saber-fazer da renda de bilros, que assume papel preponderante no desenvolvimento social, cultural e econômico da localidade, uma vez que esta prática artesanal é indissociável do cotidiano dos moradores e também fundamental para o sustento familiar. A questão investigada é como as rendeiras da Prainha podem superar suas dificuldades em dar continuidade a essa prática que faz parte da cultura cearense, uma vez que a cultura é patrimônio de um povo e de uma nação, devendo ser incentivada pelo poder público e pela sociedade civil. Desse modo, a presente pesquisa tem como objetivo analisar a produção e a cultura do saber-fazer da renda de bilros no município de Prainha/CE, ressaltando os aspectos históricos, culturais, econômicos e sociais envolvidos nesta prática artesanal centenária. Para isso, realizou-se, além da pesquisa bibliográfica e documental, uma pesquisa de campo, recorrendo-se à abordagem da observação participante, adotando-se, como instrumento de coleta de dados, uma entrevista semiestruturada e questionários estruturados, que foram aplicados junto às rendeiras associadas do Centro das Rendeiras Luíza Távora, empreendimento de base comunitária de referência na Prainha, que reúne 35 mulheres que se dedicam à feitura da renda, que foi fundamental para a profissionalização e organização dessas artesãs. À vista disso, o estudo disserta sobre a história e a trajetória desta tipologia artesanal na Prainha, o perfil socioeconômico das rendeiras, particularidades e peculiaridades da renda de bilros da localidade, enaltecendo os utensílios necessários para a produção da renda, e entidades envolvidas e engajadas com manutenção dessa tradição no município. Os resultados revelam que na localidade são prioritariamente as mulheres que se dedicam a esta atividade, que a maioria tem mais de 52 anos, aprenderam a fazer a renda ainda crianças no ambiente familiar, contam com uma renda mensal de R$ 500,00 até R$ 750,00, já trabalham com a renda de bilro há mais de 14 anos e dedicam de 5 até 7 horas diárias a feitura da renda. No entanto, as entrevistadas consideram que a atividade de rendeiras não lhes permite condições financeiras favoráveis e também não desperta na juventude o interesse em querer aprender essa prática artesanal, para perpetuar esse saber cultural que já ultrapassa gerações. Além disso, as rendeiras da Prainha reinventaram os utensílios necessários para a produção da renda, adaptando-os a condição e oportunidades do local. Uma das estratégias que devem ser continuada é a parceria com o Governo do Estado, Prefeitura da cidade, o CEART, SEBRAE e o Grupo Mulheres do Brasil, instituições engajadas com a perpetuação da renda de bilros na Prainha. Contudo, as inquiridas revelam que essa atuação pode e deve ser mais efetiva, com maior incentivo para que a população mais jovem veja essa atividade como fonte de renda e também como instrumento cultural que deve ser preservado.