Autor(es):
Ferreira Pinto, Paula ; Peyroteo, Mariana ; Castro, Luís ; Canotilho, Rita ; Correia, Ana Margarida ; Baía, Catarina ; Ribeiro, Cátia ; Antunes, Pedro ; Reis, Paulo ; Abreu de Sousa, Joaquim
Data: 2024
Origem: Revista Portuguesa de Cirurgia
Assunto(s): breast cancer; receptor alterations; chemotherapy; target treatment; cancro da mama; alterações dos recetores; quimioterapia; terapêutica alvo
Descrição
Introduction: Breast cancer biological subtype has an important impact in the definition of the treatment strategy and the prognosis. However, the influence of neoadjuvant chemotherapy in the immunohistochemistry profile of the tumor is not well clarified. This study aims to evaluate the incidence of immunohistochemistry profile changes after neoadjuvant chemotherapy and the impact of these changes in adjuvant therapeutic decisions. Methods: Retrospective review of all breast cancer patients consecutively treated with neoadjuvant therapy followed by surgery between January 2013 and July 2019. Only patients with complete information on hormone receptors (HR) and human epidermal growth factor 2 (HER2) status on both pre-chemotherapy biopsy and post-chemotherapy surgical specimen were included. Results: During the study period, a total of 655 patients with 662 carcinomas were submitted to neoadjuvant therapy and surgical treatment. From this original cohort, 37.9% didn’t have a complete immunohistochemistry profile, 22.7% had a complete pathological response and one patient had only neoadjuvant hormonal therapy, and was excluded from the study. From the 260 analyzed tumors, 99.2% of the patients were female, with a median age of 50 years. The majority of tumors were cT2 (38.8%) and cT3 (39.2%), as well as cN+ (71.5%). The most common biological subtype at diagnosis was HR-positive/HER2 negative in 50.8% of cases, followed by HR negative/HER2 negative in 27.3%, HR-positive/HER2 positive in 15.4% and HR negative/HER2 positive in 6.5%. There was a change in biological subtype in 10% of patients, namely 5.7% of changes in HER2 profile and 4.2% changes in HR. The changes in progesterone receptors were the only statistically significant between the biopsy and surgical specimen analysis (p<0.001). From the group where immunohistochemistry markers changed, in 42.3% there was a change in adjuvant treatment. In all cases in which HER2 or RH status changed from negative to positive, there was a modification in adjuvant treatment. In most cases in which HR and/or HER2 status changed from positive to negative, adjuvant therapy was performed according to the pre-chemotherapy biopsy findings. Conclusion: Immunohistochemistry markers changed in 10% of breast cancer patients after neoadjuvant chemotherapy. The main therapeutic modifications were made when there was a change in receptor status from negative to positive. Therefore, it is important to reconsider the evaluation of biological markers in surgical specimens, mainly in patients with negative receptors at diagnosis, so that adjuvant therapies can be adjusted accordingly.
Introdução: Os subtipos moleculares do cancro da mama tem um impacto importante na definição da estratégia de tratamento e no prognóstico. No entanto, a influência da quimioterapia neoadjuvante no perfil imuno-histoquímico do tumor não está bem esclarecida. O objetivo deste estudo é avaliar a incidência de alterações no perfil imuno-histoquímico após a quimioterapia neoadjuvante, bem como o impacto dessas alterações na decisão terapêutica. Métodos: Revisão retrospetiva de todas as doentes com cancro da mama tratadas consecutivamente com terapêutica neoadjuvante seguida de cirurgia entre janeiro de 2013 e julho de 2019. Apenas foram incluídas doentes com informações completas sobre os recetores hormonais (RH) e o estado do fator de crescimento epidérmico humano 2 (HER2) tanto na biópsia pré-quimioterapia como na amostra cirúrgica pós-quimioterapia. Resultados: Durante o período de estudo, um total de 655 pacientes com 662 carcinomas foram submetidas a terapêutica neoadjuvante e tratamento cirúrgico. Deste grupo original, 37,9% não tinham um perfil imuno-histoquímico completo, 22,7% tiveram uma resposta patológica completa e uma doente realizou apenas tratamento hormonal neoadjuvante, sendo por esse motivo sido excluídas do estudo. Dos 260 tumores analisados, 99,2% das doentes eram do sexo feminino, com uma idade mediana de 50 anos. A maioria dos tumores eram cT2 (38,8%) e cT3 (39,2%), assim como cN+ (71,5%). O subtipo molecular mais comum ao diagnóstico foi RH positivo/HER2 negativo em 50,8% dos casos, seguido de RH negativo/HER2 negativo em 27,3%, RH positivo/HER2 positivo em 15,4% e RH negativo/HER2 positivo em 6,5%. Houve uma alteração no subtipo molecular em 10% das doentes, nomeadamente 5,7% de alterações no perfil HER2 e 4,2% com alterações nos RH. As diferenças nos recetores de progesterona foram estatisticamente significativas entre a análise da biópsia e da amostra cirúrgica (p<0,001). No grupo onde os marcadores imuno-histoquímicos mudaram, em 42,3% houve uma alteração no tratamento adjuvante. Em todos os casos em que o estado HER2 ou RH mudou de negativo para positivo, houve uma modificação no tratamento adjuvante. Na maioria dos casos em que o estado RH e/ou HER2 mudou de positivo para negativo, a terapêutica adjuvante foi realizada de acordo com os resultados da biópsia pré-quimioterapia. Conclusão: Os marcadores imuno-histoquímicos mudaram em 10% das doentes com cancro da mama após a quimioterapia neoadjuvante. As principais modificações terapêuticas foram feitas quando houve uma alteração no estado dos recetores de negativo para positivo. Portanto, é importante reconsiderar a avaliação dos marcadores biológicos nas amostras cirúrgicas, principalmente nas doentes com recetores negativos no diagnóstico, para que as terapêuticas adjuvantes possam ser ajustadas adequadamente.