Publicação
Cardiopatias Congenitas na Síndrome de Down: O Que Mudou?
| Resumo: | Actualmente, as crianças com síndrome de Down podem beneficiar de um apoio multidisciplinar avançado, que influencia favoravelmente a sua qualidade de vida. Os progressos verificados no diagnóstico e tratamento das cardiopatias congénitas contribuiram de modo importante para esta melhoria. Para avaliar os resultados desta evolução, analisaram-se retrospectivamente os processos clínicos de 252 crianças com síndrome de Down observadas entre 1970 e 1996. Dividiram-se em três grupos, de acordo com a data da primeira consulta: Grupo I: 1970-1979 (n=11); Grupo II: 1980-1989 (n=148) e Grupo III: 1990-1996 (n=93). A cardiopatia congénita mais frequente foi a comunicação interventricular no Grupo I (36%) e o defeito do septo auriculo-ventricular nos Grupos II (57%) e III (46%). Das 123 crianças submetidas a cirurgia cardíaca, a mediana das idades na data da primeira cirurgia foi de 13 anos no Grupo I, 12,6 meses no Grupo II e 7,3 meses no Grupo III (a diferença das idades entre os Grupos I e II, e, II e III foi significativa: p<0,05). Foram submetidos a cirurgia: no Grupo I três crianças (27%), no Grupo II 62 (42%) e no Grupo III 58 (62%). Registou-se um aumento importante (de 55 para 93%) de intervenções correctivas do Grupo II para o Grupo III. O tempo médio de seguimento foi de 16 ± 6,7 anos para o Grupo I, 6,3 ± 5,4 anos para o Grupo II e 2,7 ± 2,3 anos para o Grupo III. A evolução para hipertensão pulmonar fixa verificou-se em 83% das crianças do Grupo I, 12,7% do Grupo II e 7,5% do Grupo III. Abandonaram a consulta 45% das crianças do Grupo I, 41% do Grupo II e 15% do Grupo III. Conclusões: A cirurgia precoce melhorou a mortalidade global e a morbilidade, com redução significativa da evolução para hipertensão pulmonar fixa. A redução do número de abandonos da consulta no período mais recente pode evidenciar o crescente empenhamento e confiança despertados nos pais destas crianças. |
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| Autores principais: | Nogueira, Graça |
| Outros Autores: | Trigo, Conceição; Paixão, Anabela; Agapito, Ana; Sousa, Lídia de; Kaku, Sashicanta |
| Assunto: | Original articles |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Sociedade Portuguesa de Pediatria |
| Idioma: | português |
| Origem: | Portuguese Journal of Pediatrics |
| Resumo: | Actualmente, as crianças com síndrome de Down podem beneficiar de um apoio multidisciplinar avançado, que influencia favoravelmente a sua qualidade de vida. Os progressos verificados no diagnóstico e tratamento das cardiopatias congénitas contribuiram de modo importante para esta melhoria. Para avaliar os resultados desta evolução, analisaram-se retrospectivamente os processos clínicos de 252 crianças com síndrome de Down observadas entre 1970 e 1996. Dividiram-se em três grupos, de acordo com a data da primeira consulta: Grupo I: 1970-1979 (n=11); Grupo II: 1980-1989 (n=148) e Grupo III: 1990-1996 (n=93). A cardiopatia congénita mais frequente foi a comunicação interventricular no Grupo I (36%) e o defeito do septo auriculo-ventricular nos Grupos II (57%) e III (46%). Das 123 crianças submetidas a cirurgia cardíaca, a mediana das idades na data da primeira cirurgia foi de 13 anos no Grupo I, 12,6 meses no Grupo II e 7,3 meses no Grupo III (a diferença das idades entre os Grupos I e II, e, II e III foi significativa: p<0,05). Foram submetidos a cirurgia: no Grupo I três crianças (27%), no Grupo II 62 (42%) e no Grupo III 58 (62%). Registou-se um aumento importante (de 55 para 93%) de intervenções correctivas do Grupo II para o Grupo III. O tempo médio de seguimento foi de 16 ± 6,7 anos para o Grupo I, 6,3 ± 5,4 anos para o Grupo II e 2,7 ± 2,3 anos para o Grupo III. A evolução para hipertensão pulmonar fixa verificou-se em 83% das crianças do Grupo I, 12,7% do Grupo II e 7,5% do Grupo III. Abandonaram a consulta 45% das crianças do Grupo I, 41% do Grupo II e 15% do Grupo III. Conclusões: A cirurgia precoce melhorou a mortalidade global e a morbilidade, com redução significativa da evolução para hipertensão pulmonar fixa. A redução do número de abandonos da consulta no período mais recente pode evidenciar o crescente empenhamento e confiança despertados nos pais destas crianças. |
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