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Perturbações do Comportamento Alimentar num Ambulatório Pediátrico: O Impacto da DSM-5

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Resumo:Introdução: As perturbações do comportamento alimentar têm início habitualmente na adolescência e podem cursar com graves lesões multiorgânicas e mortalidade não desprezível. O objetivo deste trabalho foi caracterizar adolescentes seguidos em consulta por perturbações do comportamento alimentar e comparar a distribuição desta patologia de acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, quarta (DSM-IV) e quinta (DSM-5) edições. Métodos: Estudo observacional descritivo e analítico com colheita retrospetiva de dados. Consultado o processo clínico dos adolescentes seguidos em consulta por perturbações do comportamento alimentar (2005-2012). Foi analisada a idade, sexo, somatometria, satisfação corporal, distorção da imagem corporal, comportamentos alimentares e compensatórios. Comparou-se o tipo de perturbações do comportamento alimentar conforme o DSM-IV e com os critérios atuais do DSM-5. Resultados: Obteve-se uma amostra de 73 adolescentes, 86% do sexo feminino, com idade média de 14,7 ± 1,7 anos. O índice de massa corporal mínimo médio foi 18,5 ± 2,9 kg/m2 nas raparigas e 18,2 ± 2,3 kg/m2 nos rapazes. Do total da amostra, apresentavam insatisfação corporal 88% dos adolescentes, 63% não tinham antecedentes de excesso de peso / obesidade, dos quais 63% tinham distorção da imagem corporal. A restrição alimentar ocorreu em 99% e 16% admitiram compulsão alimentar. Dois terços dos adolescentes realizavam algum comportamento compensatório, sendo o mais frequente o aumento da atividade física (59%). Com os atuais critérios do DSM-5 verificou-se um aumento dos casos de anorexia nervosa (29 vs 60%; p < 0,001) e diminuição das perturbações do comportamento alimentar sem outra especificação (64% vs 7%; p < 0,001), sem alteração dos casos de bulimia nervosa (7%). Dos novos diagnósticos DSM-5, houve um caso (1%) com perturbação de compulsão alimentar e 25% com anorexia atípica. Conclusões: Numa amostra de adolescentes com perturbações do comportamento alimentar, os critérios da DSM-5 levaram a uma diminuição substancial dos casos de perturbações do comportamento alimentar sem outra especificação, em detrimento do aumento dos casos de anorexia nervosa (específica e atípica). Esta caracterização das perturbações do comportamento alimentar é melhor e mais vantajosa, permitindo maior precisão terapêutica e prognóstica.
Autores principais:Moinho, Rita
Outros Autores:Dias, Inês; Luz, Alexandra; Moleiro, Pascoal
Assunto:Original articles
Ano:2016
País:Portugal
Tipo de documento:artigo
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Sociedade Portuguesa de Pediatria
Idioma:português
Origem:Portuguese Journal of Pediatrics
Descrição
Resumo:Introdução: As perturbações do comportamento alimentar têm início habitualmente na adolescência e podem cursar com graves lesões multiorgânicas e mortalidade não desprezível. O objetivo deste trabalho foi caracterizar adolescentes seguidos em consulta por perturbações do comportamento alimentar e comparar a distribuição desta patologia de acordo com o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, quarta (DSM-IV) e quinta (DSM-5) edições. Métodos: Estudo observacional descritivo e analítico com colheita retrospetiva de dados. Consultado o processo clínico dos adolescentes seguidos em consulta por perturbações do comportamento alimentar (2005-2012). Foi analisada a idade, sexo, somatometria, satisfação corporal, distorção da imagem corporal, comportamentos alimentares e compensatórios. Comparou-se o tipo de perturbações do comportamento alimentar conforme o DSM-IV e com os critérios atuais do DSM-5. Resultados: Obteve-se uma amostra de 73 adolescentes, 86% do sexo feminino, com idade média de 14,7 ± 1,7 anos. O índice de massa corporal mínimo médio foi 18,5 ± 2,9 kg/m2 nas raparigas e 18,2 ± 2,3 kg/m2 nos rapazes. Do total da amostra, apresentavam insatisfação corporal 88% dos adolescentes, 63% não tinham antecedentes de excesso de peso / obesidade, dos quais 63% tinham distorção da imagem corporal. A restrição alimentar ocorreu em 99% e 16% admitiram compulsão alimentar. Dois terços dos adolescentes realizavam algum comportamento compensatório, sendo o mais frequente o aumento da atividade física (59%). Com os atuais critérios do DSM-5 verificou-se um aumento dos casos de anorexia nervosa (29 vs 60%; p < 0,001) e diminuição das perturbações do comportamento alimentar sem outra especificação (64% vs 7%; p < 0,001), sem alteração dos casos de bulimia nervosa (7%). Dos novos diagnósticos DSM-5, houve um caso (1%) com perturbação de compulsão alimentar e 25% com anorexia atípica. Conclusões: Numa amostra de adolescentes com perturbações do comportamento alimentar, os critérios da DSM-5 levaram a uma diminuição substancial dos casos de perturbações do comportamento alimentar sem outra especificação, em detrimento do aumento dos casos de anorexia nervosa (específica e atípica). Esta caracterização das perturbações do comportamento alimentar é melhor e mais vantajosa, permitindo maior precisão terapêutica e prognóstica.