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O Brincar do Bebé

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Bibliographic Details
Summary:O bebé, um parceiro interactivo esperado e amado, troca expectativas e projectos baseados na realidade do dia a dia, na qual o jogo emocional se transforma numa força do desenvolvimento. O bebé humano transporta, no seu genoma, a capacidade de assegurar a sua sobrevivência através da organização do seu comportamento e, assim, torna-se cada vez mais competente, respondendo adequadamente ao jogo interactivo que usa como forma de controlar o que o rodeia. Desta maneira, o bebé usa o seu próprio comportamento como meio de comunicação, entendido pelos seus pais como um jogo afectivo, que proporciona, por sua vez, um prazer progressivo. Estabelecer as regras do jogo vai de encontro às tentativas de adaptação dos pais, também construídas sobre significado e interpretação, num jogo de descoberta no qual a intervenção dos médicos e educadores desempenha um papel essencial. A empatia, que se torna possível através das regras do jogo interactivo, é, assim, construída sobre expectativas confirmadas que se tornam, progressivamente, representações, que o bebé assimila com o fim de construir os seus sucessivos relacionamentos e descobertas. Brincar com o bebé é, assim, descobrir quem ele é, é a grande aventura dos nossos dias, numa partilha simultânea de sedução dos pais, transformando jogos afectivos num consistente relacionamento. O desempenho neuro-comportamental do bebé baseado nesta construção individual é, de certo modo, o paradigma que aproxima o brincar da evidência científica.
Main Authors:Pedro, João Gomes
Subject:Artigo de Ponto de Vista
Year:2014
Country:Portugal
Document type:article
Access type:open access
Associated institution:Sociedade Portuguesa de Pediatria
Language:Portuguese
Origin:Portuguese Journal of Pediatrics
Description
Summary:O bebé, um parceiro interactivo esperado e amado, troca expectativas e projectos baseados na realidade do dia a dia, na qual o jogo emocional se transforma numa força do desenvolvimento. O bebé humano transporta, no seu genoma, a capacidade de assegurar a sua sobrevivência através da organização do seu comportamento e, assim, torna-se cada vez mais competente, respondendo adequadamente ao jogo interactivo que usa como forma de controlar o que o rodeia. Desta maneira, o bebé usa o seu próprio comportamento como meio de comunicação, entendido pelos seus pais como um jogo afectivo, que proporciona, por sua vez, um prazer progressivo. Estabelecer as regras do jogo vai de encontro às tentativas de adaptação dos pais, também construídas sobre significado e interpretação, num jogo de descoberta no qual a intervenção dos médicos e educadores desempenha um papel essencial. A empatia, que se torna possível através das regras do jogo interactivo, é, assim, construída sobre expectativas confirmadas que se tornam, progressivamente, representações, que o bebé assimila com o fim de construir os seus sucessivos relacionamentos e descobertas. Brincar com o bebé é, assim, descobrir quem ele é, é a grande aventura dos nossos dias, numa partilha simultânea de sedução dos pais, transformando jogos afectivos num consistente relacionamento. O desempenho neuro-comportamental do bebé baseado nesta construção individual é, de certo modo, o paradigma que aproxima o brincar da evidência científica.