Publicação
Septicemia Neonatal — Etiologia. Estudo Multicêntrico da Secção de Neonatologia da SPP
| Resumo: | Objectivo: Conhecer os agentes bacterianos implicados na septicémia de recém-nascidos e respectiva resistência aos antibióticos. Material e métodos: Foi enviado às Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais um inquérito referente ao ano de 1997 sobre o número de admissões, estadia média na Unidade, antibióticos usados em caso de suspeita de infecção — precoce e tardia, e, nos recém-nascidos com septicémia, peso ao nascer, idade em que ocorreu a infecção, agente isolado e sensibilidade e resistência aos antibióticos. Foram excluídas as infecções congénitas, as víricas, e as fúngicas. Resultados: Responderam 13 das 16 unidades inquiridas. Houve 292 hemoculturas positivas em 248 recém-nascidos. Em 24 crianças (9,7%), ocorreu mais do que um episódio de septicémia. Em 79 casos (27,1%) a infecção foi precoce, em 168 tardia (57,5%) e em 45, pós-neonatal (15,4%). A septicémia relacionada com o cateter ocorreu em 46 casos (15,8%). Nas 13 unidades a incidência de septicémia variou entre 1,8% e 16,1%. As bactérias Gram positivas foram isoladas em 209 crianças (71,3%) e as Gram negativas em 84 (28,7%). O Staphylococcus spp foi o agente mais frequentemente isolado (54,3%) predominando o Staphylococcus coagulase negativa (44,4%). Em 21,8% dos casos a septicémia foi devida a Enterobacteriaceae spp e em 16% a Streptococcus spp. A percentagem de S. aureus meticilina resistente foi de 37,5 e a de S. epidermidis meticilina resistente foi de 95,5. No que respeita a resistências há ainda a realçar: estirpes de Pseudomonas resistentes à piperacilina e ceftazidima; estirpes de Streptococcus do grupo B resistentes à penicilina e eritromicina; estirpes de Klebsiella resistentes à gentamicina, netilmicina e amicacina e cè Streptococcus viridans resistentes à ampicilina e penicilina. Todos os Enterococcus foram sensíveis à ampicilina, gentamicina e vancomicina. Conclusões: A grande frequência das septicémias tardia e pós-neonatal, a maioria das quais são infecções nosocomiais, a elevada percentagem de septicémias estafilocócicas e a resistência aos antibióticos mais frequentemente utilizados, devem ser objecto de meditação e intervenção na tentativa de corrigir metodologias eventualmente inapropriadas. |
|---|---|
| Autores principais: | Neonatologia da SPP, Secção de |
| Assunto: | Original articles |
| Ano: | 2014 |
| País: | Portugal |
| Tipo de documento: | artigo |
| Tipo de acesso: | acesso aberto |
| Instituição associada: | Sociedade Portuguesa de Pediatria |
| Idioma: | português |
| Origem: | Portuguese Journal of Pediatrics |
| Resumo: | Objectivo: Conhecer os agentes bacterianos implicados na septicémia de recém-nascidos e respectiva resistência aos antibióticos. Material e métodos: Foi enviado às Unidades de Cuidados Intensivos Neonatais um inquérito referente ao ano de 1997 sobre o número de admissões, estadia média na Unidade, antibióticos usados em caso de suspeita de infecção — precoce e tardia, e, nos recém-nascidos com septicémia, peso ao nascer, idade em que ocorreu a infecção, agente isolado e sensibilidade e resistência aos antibióticos. Foram excluídas as infecções congénitas, as víricas, e as fúngicas. Resultados: Responderam 13 das 16 unidades inquiridas. Houve 292 hemoculturas positivas em 248 recém-nascidos. Em 24 crianças (9,7%), ocorreu mais do que um episódio de septicémia. Em 79 casos (27,1%) a infecção foi precoce, em 168 tardia (57,5%) e em 45, pós-neonatal (15,4%). A septicémia relacionada com o cateter ocorreu em 46 casos (15,8%). Nas 13 unidades a incidência de septicémia variou entre 1,8% e 16,1%. As bactérias Gram positivas foram isoladas em 209 crianças (71,3%) e as Gram negativas em 84 (28,7%). O Staphylococcus spp foi o agente mais frequentemente isolado (54,3%) predominando o Staphylococcus coagulase negativa (44,4%). Em 21,8% dos casos a septicémia foi devida a Enterobacteriaceae spp e em 16% a Streptococcus spp. A percentagem de S. aureus meticilina resistente foi de 37,5 e a de S. epidermidis meticilina resistente foi de 95,5. No que respeita a resistências há ainda a realçar: estirpes de Pseudomonas resistentes à piperacilina e ceftazidima; estirpes de Streptococcus do grupo B resistentes à penicilina e eritromicina; estirpes de Klebsiella resistentes à gentamicina, netilmicina e amicacina e cè Streptococcus viridans resistentes à ampicilina e penicilina. Todos os Enterococcus foram sensíveis à ampicilina, gentamicina e vancomicina. Conclusões: A grande frequência das septicémias tardia e pós-neonatal, a maioria das quais são infecções nosocomiais, a elevada percentagem de septicémias estafilocócicas e a resistência aos antibióticos mais frequentemente utilizados, devem ser objecto de meditação e intervenção na tentativa de corrigir metodologias eventualmente inapropriadas. |
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