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Avaliação Actuarial de Indicadores de Risco de Maus-Tratos e Negligência Infantil dos 11 aos 19 anos. Adaptação da "Escala de Avaliação do Risco Familiar de Abuso/Negligência

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A negligência caracteriza-se pela incapacidade de assegurar a satisfação necessidades indispensáveis para um desenvolvimento satisfatório, ao nível da higiene, saúde, educação, alimentação e afeto. Maus-tratos são entendidos como qualquer ação ou omissão não acidental que coloque em risco a sua segurança, dignidade e o desenvolvimento biopsicossocial e afetivo. Em Portugal, no âmbito do Sistema da Promoção e Proteção, a utilização de abordagens rigorosas e sistemáticas de avaliação do risco é pouco frequente, destacando-se a ausência de instrumentos adaptados nesta área. O estudo realizado é exploratório tendo como objetivos (i) adaptar a Escala de Avaliação do Risco de Abuso e Negligência na Infância (versão experimental, 2011 in Peixoto e Alberto, n/prelo) à realidade portuguesa, dando continuação ao trabalho já existente, (ii) trazer contribuições para a caracterização do fenómeno da negligência e maus-tratos familiares na faixa etário dos 11 aos 19 anos de idade e, também, (iii) identificar indicadores de risco que permitam uma intervenção mais precoce, eficaz e adequada junto de jovens dos 11 aos 19 anos. Foi efetuada uma análise documental a 100 Processos de Promoção e Proteção (PPP) de uma CPCJ da zona Norte, com recurso à Escala de Avaliação do Risco de Abuso e Negligência na Infância. Resultados/Conclusão: Neste estudo revelaram-se predominantes os fatores relacionados com a presença de problemas mentais e/ou comportamentais, absentismo e/ou abandono escolar, dificuldades de aprendizagem e/ou de desenvolvimento; condições habitacionais deficitárias, bem como presença de uma situação profissional pouco definida. A reduzida cooperação entre os membros do agregado familiar e a existência de rotinas desadequadas também foram fatores de risco prevalentes. Nos fatores de proteção, a motivação para a mudança, a presença de suporte social e as características de resiliência na criança foram os mais frequentes. Os dados permitem afirmar que a Escala de Avaliação do Risco de Abuso e Negligência na Infância constitui-se como um potencial instrumento de avaliação do risco de recorrência de situações abusivas para profissionais.
Autores principais:Rodrigues, Maria Carolina Possacos Ramos
Assunto:Negligência e Maus-Tratos Familiares na Infância Sistema de Promoção e Proteção de Crianças e Jovens Avaliação de Risco Avaliação Atuarial na Negligência e nos Maus-Tratos
Ano:2025
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Cooperativa de Ensino Superior Politécnico e Universitário
Idioma:português
Origem:Repositório CESPU
Descrição
Resumo:A negligência caracteriza-se pela incapacidade de assegurar a satisfação necessidades indispensáveis para um desenvolvimento satisfatório, ao nível da higiene, saúde, educação, alimentação e afeto. Maus-tratos são entendidos como qualquer ação ou omissão não acidental que coloque em risco a sua segurança, dignidade e o desenvolvimento biopsicossocial e afetivo. Em Portugal, no âmbito do Sistema da Promoção e Proteção, a utilização de abordagens rigorosas e sistemáticas de avaliação do risco é pouco frequente, destacando-se a ausência de instrumentos adaptados nesta área. O estudo realizado é exploratório tendo como objetivos (i) adaptar a Escala de Avaliação do Risco de Abuso e Negligência na Infância (versão experimental, 2011 in Peixoto e Alberto, n/prelo) à realidade portuguesa, dando continuação ao trabalho já existente, (ii) trazer contribuições para a caracterização do fenómeno da negligência e maus-tratos familiares na faixa etário dos 11 aos 19 anos de idade e, também, (iii) identificar indicadores de risco que permitam uma intervenção mais precoce, eficaz e adequada junto de jovens dos 11 aos 19 anos. Foi efetuada uma análise documental a 100 Processos de Promoção e Proteção (PPP) de uma CPCJ da zona Norte, com recurso à Escala de Avaliação do Risco de Abuso e Negligência na Infância. Resultados/Conclusão: Neste estudo revelaram-se predominantes os fatores relacionados com a presença de problemas mentais e/ou comportamentais, absentismo e/ou abandono escolar, dificuldades de aprendizagem e/ou de desenvolvimento; condições habitacionais deficitárias, bem como presença de uma situação profissional pouco definida. A reduzida cooperação entre os membros do agregado familiar e a existência de rotinas desadequadas também foram fatores de risco prevalentes. Nos fatores de proteção, a motivação para a mudança, a presença de suporte social e as características de resiliência na criança foram os mais frequentes. Os dados permitem afirmar que a Escala de Avaliação do Risco de Abuso e Negligência na Infância constitui-se como um potencial instrumento de avaliação do risco de recorrência de situações abusivas para profissionais.