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Acerca da associação entre ethos e pathos na retórica da publicidade

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A persuasão pelo carácter (Ethos) é frequentemente insinuada, aludida ou sugerida sem que, contudo, tal ocorra de forma necessariamente declarada. Trata-se, neste caso, de mostrar que o orador é digno de fé e, ao fazê-lo, procura-se que essa confiança induzida se derrame sobre as teses que submete ao assentimento do auditório. Contudo, esta demonstração não se reduz ao momento da enunciação. A Publicidade, enquanto mensagem de pendor claramente persuasivo, assume hoje esta condição insinuada – não necessariamente explícita – do Ethos. Este artigo não averigua os usos do Ethos na Publicidade (os usos de autoridade ou de credibilidade), mas antes a natureza ética (Ethos) da Publicidade. Trata-se, pois, de procurar o “Ethos” da Publicidade em vez do “Ethos” na Publicidade. Isto significa reconhecer uma mobilização dinâmica e negociada entre as três provas retóricas: Logos, Ethos, Pathos e, em particular, no caso da Publicidade contemporânea, entre Ethos e Pathos. Identificamos as principais características do Ethos da Publicidade e demonstramos a imbricação entre Ethos e Pathos através da análise de dois anúncios de Publicidade, os quais apontam para a possibilidade do Pathos auxiliar o processo de absorção ou interiorização de conceitos e afirmações intelectuais associados ao Ethos. Assim, no caso da Publicidade, credibilidade e afectividade não estão tão distantes como a Retórica Clássica aristotélica poderia fazer crer.
Autores principais:Mateus, Samuel
Assunto:Ethos Pathos Retórica da publicidade Publicidade Advertising rhetoric Rhetoric . Faculdade de Artes e Humanidades
Ano:2021
País:Portugal
Tipo de documento:documento de conferência
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Universidade da Madeira
Idioma:português
Origem:DigitUMa - Repositório da Universidade da Madeira
Descrição
Resumo:A persuasão pelo carácter (Ethos) é frequentemente insinuada, aludida ou sugerida sem que, contudo, tal ocorra de forma necessariamente declarada. Trata-se, neste caso, de mostrar que o orador é digno de fé e, ao fazê-lo, procura-se que essa confiança induzida se derrame sobre as teses que submete ao assentimento do auditório. Contudo, esta demonstração não se reduz ao momento da enunciação. A Publicidade, enquanto mensagem de pendor claramente persuasivo, assume hoje esta condição insinuada – não necessariamente explícita – do Ethos. Este artigo não averigua os usos do Ethos na Publicidade (os usos de autoridade ou de credibilidade), mas antes a natureza ética (Ethos) da Publicidade. Trata-se, pois, de procurar o “Ethos” da Publicidade em vez do “Ethos” na Publicidade. Isto significa reconhecer uma mobilização dinâmica e negociada entre as três provas retóricas: Logos, Ethos, Pathos e, em particular, no caso da Publicidade contemporânea, entre Ethos e Pathos. Identificamos as principais características do Ethos da Publicidade e demonstramos a imbricação entre Ethos e Pathos através da análise de dois anúncios de Publicidade, os quais apontam para a possibilidade do Pathos auxiliar o processo de absorção ou interiorização de conceitos e afirmações intelectuais associados ao Ethos. Assim, no caso da Publicidade, credibilidade e afectividade não estão tão distantes como a Retórica Clássica aristotélica poderia fazer crer.