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Identificação de potenciais complexidades terapêuticas no doente idoso institucionalizado : o exemplo do idoso com demência

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Detalhes bibliográficos
Resumo:Introdução: Os idosos institucionalizados e com demência têm maior risco de apresentar complexidade terapêutica, que inclui fenómenos como Medicamentos Potencialmente Inadequados (MPI), interações medicamentosas clinicamente relevantes (crDDI), e a utilização de medicamentos com elevado risco de efeitos anticolinérgicos. Objetivo: Avaliar a prevalência de complexidade terapêutica, MPI, crDDI e medicação com elevado risco de efeitos anticolinérgicos e estudar fatores preditores para um elevado risco de experienciar complexidade terapêutica. Métodos: Foi realizado um estudo transversal com recurso a dados secundários provenientes de residências seniores (2015-2019). A prevalência de complexidade terapêutica foi definida como o residente apresentar pelo menos um dos seguintes fenómenos: MPI (identificados através dos Critérios de Beers de 2019 e dos critérios EU(7)PIM – operacionalizada em 2021 para Portugal); crDDI (através do Drug Interaction Checker – Medscape -, e Resumo de Características do Medicamento – RCM); e índex anticolinérgico (calculado através da escala ACB). Os fatores preditores foram identificados com recurso a uma regressão logística. Resultados: Dos participantes cerca de 34,0% (n=79) apresentavam demência, sendo que 79,7% (n=63) eram do sexo feminino com uma média de idade de 84±6,8 anos. A prevalência de MPI foi de cerca de 96,2% (n=76) e 86,1% (n=68) com recurso aos critérios de Beers de 2019 e EU(7)PIM, respetivamente. A prevalência de crDDI foi de 44,2% (n=34), enquanto a prevalência de medicamentos com elevado risco de efeitos anticolinérgico foi de 62,3% (n=48). Os fatores preditivos de elevado risco de complexidade terapêutica foram o número de crDDI (OR 4,50; 95% CI 2,29-8,81), idade superior a 85 anos (OR 3,33; 95% CI 1,02-10,92) e o score ACB obtido (OR 2,64; 95% CI 1,69-4,14). Conclusão: Concluiu-se que idosos com demência têm uma prevalência superior de complexidade terapêutica, nomeadamente MPI, crDDI e medicamentos com elevado score anticolinérgico-. Verificou-se que a idade avançada, o número de crDDI e o score ACB constituem fatores preditores para um risco elevado de experienciar complexidade terapêutica.
Autores principais:Romão, Cristiana Sobral
Assunto:Polimedicação Demência Idosos Residências séniores
Ano:2022
País:Portugal
Tipo de documento:dissertação de mestrado
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Egas Moniz - Cooperativa de Ensino Superior, CRL
Idioma:português
Origem:Egas Moniz - Cooperativa de Ensino Superior, CRL
Descrição
Resumo:Introdução: Os idosos institucionalizados e com demência têm maior risco de apresentar complexidade terapêutica, que inclui fenómenos como Medicamentos Potencialmente Inadequados (MPI), interações medicamentosas clinicamente relevantes (crDDI), e a utilização de medicamentos com elevado risco de efeitos anticolinérgicos. Objetivo: Avaliar a prevalência de complexidade terapêutica, MPI, crDDI e medicação com elevado risco de efeitos anticolinérgicos e estudar fatores preditores para um elevado risco de experienciar complexidade terapêutica. Métodos: Foi realizado um estudo transversal com recurso a dados secundários provenientes de residências seniores (2015-2019). A prevalência de complexidade terapêutica foi definida como o residente apresentar pelo menos um dos seguintes fenómenos: MPI (identificados através dos Critérios de Beers de 2019 e dos critérios EU(7)PIM – operacionalizada em 2021 para Portugal); crDDI (através do Drug Interaction Checker – Medscape -, e Resumo de Características do Medicamento – RCM); e índex anticolinérgico (calculado através da escala ACB). Os fatores preditores foram identificados com recurso a uma regressão logística. Resultados: Dos participantes cerca de 34,0% (n=79) apresentavam demência, sendo que 79,7% (n=63) eram do sexo feminino com uma média de idade de 84±6,8 anos. A prevalência de MPI foi de cerca de 96,2% (n=76) e 86,1% (n=68) com recurso aos critérios de Beers de 2019 e EU(7)PIM, respetivamente. A prevalência de crDDI foi de 44,2% (n=34), enquanto a prevalência de medicamentos com elevado risco de efeitos anticolinérgico foi de 62,3% (n=48). Os fatores preditivos de elevado risco de complexidade terapêutica foram o número de crDDI (OR 4,50; 95% CI 2,29-8,81), idade superior a 85 anos (OR 3,33; 95% CI 1,02-10,92) e o score ACB obtido (OR 2,64; 95% CI 1,69-4,14). Conclusão: Concluiu-se que idosos com demência têm uma prevalência superior de complexidade terapêutica, nomeadamente MPI, crDDI e medicamentos com elevado score anticolinérgico-. Verificou-se que a idade avançada, o número de crDDI e o score ACB constituem fatores preditores para um risco elevado de experienciar complexidade terapêutica.