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Uma ideia de paisagem na acção da HICA. Da transformação à percepção

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Detalhes bibliográficos
Resumo:A Hica, em 1947, iniciou um arquivo fotográfico, com o objectivo de documentar as obras dos vários aproveitamentos hidroeléctricos que a empresa se propunha construir. Cardoso de Azevedo, Teófilo Rego ou Mário Novais foram alguns dos fotógrafos que estiveram na região para registar as várias fases do processo: desde o levantamento topográfico à construção, até às obras construídas e à exploração hidroeléctrica. Não se trata de um simples inventário ou acervo documental, são imagens que retratam a obra e a vida dos agentes envolvidos na construção daqueles aproveitamentos. Como qualquer documentário, não é uma perspectiva neutra sobre o processo em curso. Essas imagens são a representação da transformação da paisagem idealizada pelos engenheiros, políticos e arquitectos envolvidos na operação. A realidade que as imagens representam nem sempre é comprovada nos documentos da empresa, onde são várias as descrições sobre as difíceis condições de habitabilidade dos trabalhadores, desde os processos de expropriação integral de aldeias, da inundação dos campos agrícolas, da transferência dos habitantes da região e das oportunidades económicas abertas com a construção da barragem. A transformação da paisagem acontece numa outra realidade que não está retratada nas imagens da Hica. A construção dos aproveitamentos hidroeléctricos estabeleceu lugares onde o olhar foi guiado por novas representações do espaço, assim como por novas práticas sociais e usos locais. O universo da Hica construiu-se em torno de uma rede de relações, de valores e de imagens: implicando directamente na materialidade do lugar, construindo os escalões e actuando sobre o olhar colectivo, proporcionando modelos de visão.
Autores principais:MOREIRA, César Machado
Assunto:Arquitectura Teófilo Rego Arquivo Arquitetura Moderna
Ano:2015
País:Portugal
Tipo de documento:capítulo de livro
Tipo de acesso:acesso aberto
Instituição associada:Escola Superior Artística do Porto
Idioma:português
Origem:Escola Superior Artística do Porto
Descrição
Resumo:A Hica, em 1947, iniciou um arquivo fotográfico, com o objectivo de documentar as obras dos vários aproveitamentos hidroeléctricos que a empresa se propunha construir. Cardoso de Azevedo, Teófilo Rego ou Mário Novais foram alguns dos fotógrafos que estiveram na região para registar as várias fases do processo: desde o levantamento topográfico à construção, até às obras construídas e à exploração hidroeléctrica. Não se trata de um simples inventário ou acervo documental, são imagens que retratam a obra e a vida dos agentes envolvidos na construção daqueles aproveitamentos. Como qualquer documentário, não é uma perspectiva neutra sobre o processo em curso. Essas imagens são a representação da transformação da paisagem idealizada pelos engenheiros, políticos e arquitectos envolvidos na operação. A realidade que as imagens representam nem sempre é comprovada nos documentos da empresa, onde são várias as descrições sobre as difíceis condições de habitabilidade dos trabalhadores, desde os processos de expropriação integral de aldeias, da inundação dos campos agrícolas, da transferência dos habitantes da região e das oportunidades económicas abertas com a construção da barragem. A transformação da paisagem acontece numa outra realidade que não está retratada nas imagens da Hica. A construção dos aproveitamentos hidroeléctricos estabeleceu lugares onde o olhar foi guiado por novas representações do espaço, assim como por novas práticas sociais e usos locais. O universo da Hica construiu-se em torno de uma rede de relações, de valores e de imagens: implicando directamente na materialidade do lugar, construindo os escalões e actuando sobre o olhar colectivo, proporcionando modelos de visão.

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